Rokuyo Miyamizu olhou para Sakura Megumi, que estava de olhos fechados, e disse:
— Vamos conversar sobre isso mais tarde, só nós dois. Ah, e essa escola é especial. Aqui estamos mais seguros do que em qualquer outro lugar.
Enquanto falava, Miyamizu tirou um pequeno manual da mochila e entregou a Shirogane Kaguya.
Agarrando o manual, Kaguya franziu as sobrancelhas:
— Manual de evacuação de emergência? Isso aqui...
Ao abrir uma página, sua voz repentinamente silenciou. A sala ficou em completo silêncio.
Alguns momentos depois, Kaguya ouviu passos e rapidamente guardou o manual.
— A água chegou. Ah, a Megumi adormeceu?
— Mesmo dormindo, tem que beber água.
— ?
Wakasa Yuuri olhou para Miyamizu com confusão nos olhos:
— Mas ela já está dormindo...
— Recomendo acordá-la. Ou então dar água na boca direto.
— N-na BOCA?!
Yuuri gritou em pânico, cobrindo a boca com as mãos enquanto o rosto ficava vermelho de vergonha:
— I-isso é impossível! Como alguém faria uma coisa dessas!
Miyamizu deu o golpe final:
— Mas a Megumi está com muita sede. Se não beber água, vai ficar mal e não vai descansar direito.
Na realidade, a água da escola continha medicamentos para suprimir o vírus zumbi.
— Tá bom... Então eu mesma faço.
— Não! — as duas gritaram juntas.
Kaguya respirou fundo e disse calmamente:
— Yuuri, dá pra usar uma colher. Não precisa ser na boca.
— Uhnn...
Ao perceber a brincadeira, Yuuri corou e olhou furiosa para Miyamizu.
Ele explicou com seriedade:
— É isso mesmo, eu estava te enrolando. Você nem me deu um abraço, mesmo que eu tenha sido quem trouxe a Megumi de volta! Seus olhos só têm a Kaguya. Se eu não fosse tão saudável, já teria morrido de desgosto!
— Isso foi injusto!
— Protesto veementemente!
Yuuri ficou boquiaberta. Kaguya permaneceu impassível, com um olhar de desprezo.
Depois de se recompor, Yuuri suspirou e, com um sorriso desconcertado, começou a arrumar o cabelo atrás da orelha:
— Miyamizu, se você realmente quiser um abraço...
— Yuuri, cuide bem da Megumi, tá?
— Ah... T-tudo bem.
Enquanto Kaguya puxava Miyamizu para fora, Yuuri cochichou, coçando o queixo:
— Será que a Kaguya estava com ciúmes?
Ciúmes? Kaguya negaria veementemente. Ela só não aguentava como ele era leviano em qualquer situação.
[CAPÍTULO 14 - OBRIGADO, MÃE NATUREZA!]
No corredor, Kaguya soltou a mão de Miyamizu:
— Você sabe que isso é só um jogo, então... não faça coisas impróprias.
— Eu não estou fazendo!
Miyamizu olhou para o uniforme da escola e negou:
— Eu também sou frágil, por isso busco conforto em um abraço caloroso...
— Seja como for.
Kaguya olhou com desdém e continuou:
— Vá ver a Kurumi. Ontem você não voltou, e ela discutiu com a Yuuri. Está meio pra baixo.
— E não faça besteira.
— Sim, sim, juro que me mantenho puro para a Milady Kaguya.
— ...
Assim que Kaguya se foi, Miyamizu se dirigiu ao quarto de Kurumi.
A morte.
Depois de vê-la tantas vezes, mesmo com pesar e reflexões sobre a fragilidade da vida...
No final, era só isso.
Miyamizu não sentia nada. Afinal, eram só estranhos.
Mas Kaguya tinha razão: isso era só um jogo.
Será?
Ele tinha certeza de que era uma viagem no tempo da alma. Tão real.
Alegria, tristeza, risos, desespero, paixão...
Tão real que era impossível distinguir.
...
— Tóc-tóc.
Miyamizu bateu na porta e, sem resposta, entrou sem cerimônia.
Os olhares se encontraram. Silêncio.
A garota de cabelos e olhos roxos estava com uma perna levantada, vestindo uma saia. A curva de seus quadris e a delicadeza de sua pele...
Totalmente expostos.
Kurumi olhou fixamente, o rosto gradualmente ficando vermelho de raiva.
— Seu idiota! Para de olhar!!!
— ...
Miyamizu se recompôs, virou-se e ergueu as mãos:
— Peço perdão!
— Nunca!
Ela respirou fundo, vestindo-se apressadamente. Um gemido de dor escapou quando tentou se mover.
— Não olhe para trás!
— Quer que eu troque seus curativos agora...?
— O QUÊ???
Kurumi quase explodiu de raiva. Além de invadir seu espaço e ficar espiando, agora ele ainda reclamava?
Ela abotoou o uniforme e marchou até Miyamizu.
— Vira para cá.
— ...
Ele já sentia a dor da punição chegando. Mas e se...
E se ela não fosse bater nele?
Virando-se, um soco certeiro acertou seu estômago.
— Ugh!
Miyamizu caiu de joelhos, segurando a barriga.
Kurumi agarrou seu colarinho e encarou-o, roxa de ódio:
— Repete o que você disse, seu idiota!
Desafiador, Miyamizu encarou de volta:
— Tá! Eu disse que a Kurumi cheira bem, não está fedendo nada!
— ...Hã?
Ela abriu a boca, chocada com sua audácia.
— Você...
— O que foi?
— ...É um sem-vergonha!
— Vou levar isso como um elogio.
– Ei, seu espertinho, achei que você ia continuar bancando o durão. Que pena.
– Você me acha trouxa?
Miyamizu Rokuyo lançou um olhar de desprezo antes de dizer:
– Missão cumprida. Trouxe a Jie Ci de volta.
Ao ouvir isso, Kurumi ficou em silêncio.
Ela soltou devagar a gola da camisa de Rokuyo, mas assim que ele suspirou aliviado, ela a agarrou de novo, puxando-o para perto com um olhar bravo.
Rokuyo: ???
Kurumi desviou o olhar e murmurou:
– De qualquer forma... obrigada.
– Então ficamos quites?
– ...Não.
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