Depois que eles saíram, pouco tempo depois, uma horda de zumbis invadiu o local.
Capítulo 10 — O corpo ainda está quente, será que dá tempo?
No caminho, Miyamizu Rokuyo explicou brevemente a situação. Depois de levar o grupo para um andar seguro, ele decidiu descer novamente.
— Miyamizu-san... — chamou Shiomi Kiyoko, segurando-o pelo braço. Quando ele se virou, ela mordeu os lábios antes de continuar: — Não se force demais, ok?
— ...Sinto que estou cheio de energia agora — ele respondeu com um sorriso casual, acenando com a mão antes de desaparecer na esquina.
Se sua memória não falhava, no porão havia vacinas contra o vírus zumbi. Aquilo era importante. Muito importante. Ele podia até não precisar usar, mas não podia deixar de ter.
...
Porão.
Alguns gritos ecoaram, mas foram abruptamente silenciados.
Sakura Megumi chegou ao porão, seu estado mental confuso. Movida por instinto, ela se dirigiu ao local onde ficava o kit de primeiros socorros. Seu braço pendia inerte, sangue escorrendo em gotas pelo caminho.
Quase lá... Quase lá...
Sua consciência vacilava cada vez mais. Ela sabia que estava se transformando, mas lutava contra o impulso primitivo que a consumia. No entanto, essa resistência estava ficando mais fraca. Quando o cheiro de sangue pairou no ar, Megumi parou de repente.
Foi nesse momento que sua mão tocou o kit médico.
Tão perto...
O brilho em seus olhos começou a se apagar, como se um abismo a estivesse engolindo.
— BANG! —
Um zumbi caiu morto a seus pés. Ela se virou lentamente, mas, antes que pudesse reagir, uma mão a empurrou contra o armário.
Em seguida, um corpo quente pressionou o dela contra o móvel, imobilizando-a. Alguém estava amarrando suas mãos.
Quem...? O que ele quer?
Megumi tentou olhar para trás e entreviu um jovem de cabelos escuros. Seu instinto a fez desejar sua carne, e ela abriu a boca...
— Mmmph! —
Algo foi enfiado em sua boca antes que pudesse morder.
— Megumi-san... — a voz soou suave, mas firme. — Por favor, fique quieta, ok?
Megumi...? Quem...?
Seus olhos vidrados fixaram-se nele, sem reconhecimento. Miyamizu franziu a testa, mantendo-a imóvel enquanto abria o kit médico.
Vacinas.
Ao ver o conteúdo, ele hesitou por um momento antes de olhar para Megumi.
Talvez... ainda dê tempo?
Afinal, o corpo dela ainda estava quente. Se Shiomi estivesse aqui, provavelmente o chamaria de idiota por pensar assim.
Sem hesitar, ele pegou uma seringa e aplicou a vacina no braço esquerdo de Megumi.
Ela parou de se debater instantaneamente. Seus olhos, antes vazios, fitaram Miyamizu por um segundo antes de se fecharem. Seu corpo desmoronou, inconsciente.
— Que trabalheira... — ele resmungou, pegando o resto dos suprimentos. — Quando acordar, me paga direito, hein?
Jogando Megumi nos ombros como um saco de batatas, Miyamizu saiu do porão.
Mas, ao chegar ao primeiro subsolo, ele estacou. O suor escorreu frio por sua testa quando lembrou de algo. Olhou para o grupo de zumbis aglomerados a distância, respirou fundo e rapidamente recuou.
Encontrou uma sala vazia e entrou, aliviado ao ver que era um depósito. Num canto, havia até uma pia.
Trancou a porta e deitou Megumi em um colchonete.
— Aquelas pessoas mortas... não eram deste mundo, né? — murmurou, limpando as mãos na roupa. — Será que morreram de verdade?
Ele teve sorte de encontrar Kurumi. E Shiomi também teve sorte de encontrar Wakasa Yuri. Essa tal de "brincadeira" era perigosa demais.
Miyamizu desenrolou a bandagem de sua mão e apertou o punho. Os dedos tremiam incontrolavelmente.
Mas ainda dá para aguentar.
O único problema agora era Megumi. A vacina sozinha talvez não fosse suficiente.
Ele olhou para a pia no canto, depois para Megumi adormecida, e se aproximou.
...
Andar superior.
O último andar havia sido transformado no "Clube da Sobrevivência". Cortinas fechadas, sem entrada para luz — ou zumbis.
Dentro do quarto, Kurumi abriu os olhos devagar. Suas longas cílios tremeram enquanto ela encarava o teto, confusa. Ao virar a cabeça, viu Yuri dormindo encolhida ao lado da cama.
A Yuri...
Ele conseguiu.
Lábios curvando num sorriso fraco, Kurumi murmurou:
— Aquele cara... é mesmo impressionante, hein?
— Mnn... Kurumi, acordou? — Yuri esfregou os olhos, ainda sonolenta. — Quer comer algo? Água?
— Yuri, você tá tão fofa assim... — Kurumi riu baixinho.
— É mesmo? — Yuri bocejou, fazendo beicinho antes de se levantar. Pegou pão e leite, ajudando Kurumi a se sentar. — Come um pouco, vai.
Kurumi aceitou, bebendo o leite em silêncio antes de perguntar:
— E o Miyamizu? Ele tá descansando?
— ...Sim. — Yuri desviou o olhar, mudando de assunto. — Ah, temos uma nova garota aqui. Shiomi Kiyoko. Dizem que é uma herdeira super rica, viu?
— Rica? — Kurumi revirou os olhos, terminando o pão. — Que seja. Aqui todo mundo é igual.
— Deixa isso pra lá. Cadê o Miyamizu? Quero vê-lo.
— Kurumi, ele tá dormindo. Amanhã, ok?
— Só vou olhar. Não vou acordá-lo.
— Não pode! A jovem senhora Kaguya conhece o Miyamizu, e se você for lá agora, Hutan, vai acabar causando um mal-entendido, não é?
— O que é que tem? Eles se conhecem, e daí? Ela não é namorada dele, além do mais, eu só queria dar uma olhada, não vou fazer nada...
— Nada disso!
Wakasa Yuri segurou Hutan pelos ombros, impedindo que ela se levantasse, e disse com um misto de preocupação e irritação:
— Hutan, você devia estar descansando agora. Não pode esperar até amanhã para vê-lo? Ou será que... você gosta do Miyamizu?
— Hã?!
Hutan arregalou os olhos, negando imediatamente:
— Que absurdo! Nunca que eu gostaria daquele sujeito! É só que... acho que ele seria um amigo bem confiável, só isso...
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