— Droga!
— Devolva minha rotina tranquila!
Miyamizu Rokuyo olhou para os espíritos malignos que o cercavam e seu rosto se contorceu aos poucos.
— Ahh...
Um grito agonizante de um espírito ecoou, acompanhado pelo som de carne assando.
Miyamizu não olhou.
Com a expressão destruída, ele se jogou na cama como um zumbi. Foi quando um espírito horrendo começou a se arrastar pelo teto, babando.
Mas a saliva evaporava antes mesmo de atingir o chão.
Cansado.
Acaba com isso.
Esse mundo.
Miyamizu fechou os olhos e teve vontade de se enfiar debaixo do cobertor para tremer um pouco.
***
No dia seguinte, Miyamizu chegou à Academia Privada Toyosaki com olheiras.
Parou em frente ao portão da escola.
Sem dizer uma palavra.
Sem energia nem para cumprimentar alguém.
Naquele momento, ele só queria encontrar Yotsuya Miko e arrastá-la para um depósito escuro...
— Heh... hehe...
— Sua maldita, hoje você vai amadurecer um pouco mais. Tenho certeza que vai adorar!
— Heheh...
Uma aura sombria emanava de Miyamizu, afastando qualquer um que pensasse em cumprimentá-lo.
— O que houve com o Miyamizu?
— Será que levou um fora da namorada?
— Namorada? Desde quando ele tem uma?
— É aquela... a... a... a... Britney! Ouvi dizer que eles sempre vêm juntos para a escola. Devem estar namorando escondido.
— Errado! É a Sandra, com certeza!
— Sandra quem?
— É... a... Hã? Quem é Sandra mesmo?
[...]
— Eu sou a Kátia, não a Sandra! — murmurou Kátia, invisível como sempre.
Enquanto ouvia os comentários, Britney franziu a testa, ignorou as fofocas e olhou para Miyamizu com preocupação, hesitando em se aproximar.
Foi quando ela percebeu algo.
Seus olhos se arregalaram ao ver a garota de cabelo médio ao lado de Miyamizu.
— Quando ela chegou ali?!
— Miyamizu-kun, ohayou!
— Ohayou... — respondeu ele, sem energia, os olhos fixos no vazio.
Kátia puxou levemente a barra da camisa dele.
— Miyamizu-kun?
Ele finalmente a olhou.
Ela falou baixinho, com calma.
Minutos depois, Miyamizu entrou na escola ao lado dela.
Ao trocar de sapatos, ele pareceu acordar de um transe.
— Miyamizu-kun?
— Ah... já vou.
Ele guardou os sapatos e se apressou para alcançá-la.
— Kátia, você é demais. Me enganou direitinho para eu entrar aqui...
— Eu não enganei ninguém.
— Mentira! — ele disparou. — Se não fosse seu jeitinho, eu nunca teria entrado assim!
Kátia: "..."
Miyamizu: "..."
O silêncio caiu.
Ela desviou o olhar primeiro.
— É impressão sua. Miyamizu-kun só me ouviu porque não queria magoar aquela pessoa.
Antes que ele respondesse, Kátia acelerou o passo.
Miyamizu não a seguiu. Ele sabia que ela estava com medo de uma declaração repentina.
Ou talvez...
Ela só estivesse com vontade de ir ao banheiro.
— Heh.
Declaração?
Nunca na vida!
***
Miyamizu ficou em silêncio por um momento, então se virou e cumprimentou com animação:
— Britney, bom dia! Seus rabos de cavalo estão dez hoje!
— ...
Enquanto ouvia a conversa animada atrás dela, os comentários orgulhosos de Britney e as risadas dele, Kátia diminuiu o passo.
— Kátia, essa é a Britney. Vocês se conhecem?
— Hum... conheço. Britney é uma garota muito popular, afinal.
Claro.
Ele perceberia ela.
Kátia sorriu levemente, um pouco do seu mau humor desaparecendo.
— Miyamizu, pare de puxar meu cabelo!
— Desculpa, minha mão tem mente própria. Não consigo controlar!
— Grrr!
— Até quando está brava, você é fofa.
— Hum! Não quero mais falar com você!
— ...
O sorriso de Kátia desapareceu. Ela olhou para Britney, que, alheia, ainda roía os dentes, decidindo se deveria aplicar o "castigo do rabo de cavalo" em Miyamizu.
— Kátia, tchau.
— Tchau.
— Nossa, Kátia, você ainda está aqui?
— Eu nunca saí. Acho que a Britney estava tão animada com Miyamizu que nem me viu.
— Quem tá animada com ele?! Odeio ele!
Britney ficou vermelha e fugiu, furiosa.
Miyamizu olhou para Kátia, que sorria.
Quando ela olhou de volta, ele desviou o olhar.
Espera.
Por que eu estou com vergonha?
Nem tem nada entre a gente! Nem a Kátia pode me controlar!
Ele tossiu, pronto para falar, mas Kátia já havia desaparecido.
— Miyamizu-kun, vou indo.
— ...
Como o vento, ela veio em silêncio e partiu sem deixar rastros. Mas a impressão ficou.
Essa era Kátia.
Miyamizu suspirou.
— É... essa é a minha Kátia.
A garota mágica Kátia.
***
— O quê? A Yotsuya faltou hoje?
— Isso mesmo!
Fujiwarra Chika juntou as mãos, os olhos brilhando.
— Ei, Roku, vamos visitar a Yotsuya à tarde?
— Bora.
— Sério?! — ela arregalou os olhos, surpresa.
— Nossa, Rokuha! — Fujiwara Chika olhou para Miyamizu Rokuha com os olhos arregalados, piscando rapidamente antes de iluminar-se num estalo de compreensão. Juntou as mãos num aplauso repentino. — Aham, entendi! Você gosta de... mmmf!
Rokuha cobriu a boca de Chika com a mão, sorrindo docemente enquanto os olhos transmitiam uma ameaça velada.
— Chika-chan, se você ousar terminar essa frase, eu juro que vou te seguir todo santo dia... e esperar você ficar sozinha, hein?
[...O quê?!]
[...Mas que diabos?!]
[...Somos melhores amigos e você pensa em... em me dar em cima?!]
Os olhos de Chika se arregalaram como pratos. A cabeça balançou num "não" frenético, os cachos rosa sacudindo com o movimento desesperado.
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