A evolução da Árvore Divina trouxe uma mudança significativa para Huo Ying: sua energia vital aumentou exponencialmente, tornando-se dezenas de vezes maior que antes.
Ontem à noite, construir um simples pavilhão de madeira era um esforço enorme. Agora, ele sentia que poderia erguer dez casas completas de uma só vez — quiçá até bangalôs de dois andares com jardim.
Além disso, sua energia vital agora abrangia também os elementos terra e trovão, ambos já em nível intermediário no momento em que os adquiriu. Junto com esses novos poderes, surgiu um fluxo de técnicas e conhecimentos em sua mente.
Por fim, seu corpo e sua mente tornaram-se mais fortes.
Huo Ying deduziu que o fortalecimento físico estava ligado à energia Yang, enquanto a mente aprimorada devia-se à energia Yin. A evolução da Árvore Divina não só amplificou seu poder, mas também lhe concedeu todos os cinco elementos.
_[Será que posso combiná-los?]_ , pensou, intrigado.
Olhando para sua casa, ele decidiu testar. Colocou a mão na parede, imaginando reforçá-la usando tanto o Domínio da Madeira quanto o Domínio da Terra.
No instante seguinte, troncos robustos emergiram do chão, envolvendo a estrutura e criando uma armação sólida. O solo agitou-se, rochas se moldaram e se empilharam sobre a base de madeira. Sob o efeito da energia vital, madeira e pedra fundiram-se, transformando a humilde residência em uma fortaleza imponente.
— Isso… —
Ele ficou impressionado. A evolução da Árvore causara uma mudança avassaladora. Como ele e a árvore eram um só, os elementos não se anulavam — pelo contrário, complementavam-se perfeitamente.
— Essa fortaleza… Será que é tão resistente quanto os portões e paredes da fábrica? —
Lembrou-se da instalação da Gene Azul, onde os monstros estavam aprisionados.
— Se for o caso, posso simplesmente ficar aqui dentro. Aquele monstro não conseguirá me alcançar.
Percebeu que a transformação consumira cerca de um décimo de sua energia. Por sorte, com a evolução da Árvore, sua recuperação era muito mais rápida — em três horas, estaria completamente restaurado.
Para garantir, dirigiu-se ao porão que havia construído antes.
Na época, sua energia era limitada, e o esconderijo era raso. Agora, com o Domínio da Terra, poderia transformá-lo num verdadeiro subterrâneo.
— Técnica da Transformação Terrestre. —
Ao tocar o solo, a terra reconfigurou-se sob seu comando. O apertado espaço tornou-se um túnel longo, com degraus e paredes de pedra, aprofundando-se mais de dez metros. Com um pulso de vontade, abriu-se uma ampla sala subterrânea de quase cem metros quadrados.
Preocupado com desabamentos, Huo Ying mesclou o Domínio da Madeira, reforçando o teto com vigas sólidas. Agora, o porão era maior que a casa em si.
Mas, após alguns minutos lá embaixo, teve de voltar correndo.
— Caramba, falta ar… —
Percebeu o erro: construíra um espaço sem ventilação. Sem planejamento, era inútil.
— Preciso de um projeto. Só assim vou conseguir algo funcional. —
Suspirou, frustrado. Seu plano de se esconder no subterrâneo teria de esperar.
Nesse momento, algo bateu na janela. Uma pequena pedra incandescente rolou pela fresta.
Era Zhang Yuqi.
A casa estava tão robusta que nem seu aprimorado senso auditivo captara os passos dela.
— Mais um ajuste necessário… Preciso de plantas de construção, de preferência de um bunker ou fortaleza. —
Rapidamente, talhou suas anotações em uma tábua antes de abrir a porta.
Lá estavam Zhang Yuqi e… Liang Yao?
— Então foi você quem a resgatou — disse Huo Ying, afastando-se para deixá-las entrar.
Liang Yao baixou os olhos, enquanto Zhang Yuqi adentrou, curiosa.
— Você fortificou a casa? Como conseguiu isso? —
Por dentro, as paredes mofadas agora eram lisas e resistentes.
Antes que ele explicasse, Zhang Yuqi virou-se para Liang Yao.
— Você já veio aqui antes e limpou tudo pra ele, foi? —
Ainda não tinha percebido que as paredes eram realmente novas.
Foi então que Huo Ying notou a transformação em Zhang Yuqi. Antes enlameada, agora sua pele estava luminosa, o cabelo negro e sedoso, seu rosto limpado revelando traços delicados e um brilho saudável.
Em um dia, ela passara de uma figura esgotada a uma jovem deslumbrante.
— Eu… — Liang Yao começou, mas um olhar de Huo Ying a fez calar.
Vendo sua obediência, Zhang Yuqi franziu ligeiramente o rosto, mas logo sorriu, indiferente.
— Liang Yao não pode ficar com a gente. A Bai Jie e eu… não é o melhor ambiente. Além disso, com os poderes dela, estar sozinha é perigoso. Pensei que, como você é amigo dela, poderia acolhê-la. —
Huo Ying estranhou. Tendo testemunhado as habilidades de Liang Yao, como podiam querer afastá-la? E sendo todas mulheres, por que seria "inconveniente"?
Zhang Yuqi leu sua expressão e riu, cansada.
— O poder dela é incrível, especialmente para a Bai Jie. Ela tem mania de limpeza e sempre se controlou por economia, mas agora…
_[Capítulo 38: Purificação]_
A Liaó passou a noite na nossa casa, e não só ficamos revigorados como até a casa ficou mais limpa do que depois de uma faxina pesada. Mas o poder dela é incontrolável — além de limpar a casa, os remédios que a Bai tanto estudou para criar também perderam o efeito. Se não tivéssemos percebido a tempo e salvado parte dos ingredientes, anos de trabalho dela teriam ido pelo ralo.
— Por isso, pensei bem e decidi que é melhor você cuidar da Liaó por enquanto — disse Zhang Yuqi, evitando olhar Huo Ying nos olhos, como se estivesse escondendo algo.
Rápida, ela mudou de assunto antes que ele pudesse questionar:
— Você conseguiu trazer de volta a caminhonete dos Exilados? Posso pegá-la emprestada? Com um veículo assim, consigo trazer muito mais recursos.
— Dá pra negociar com os entregadores plantas de um abrigo? — perguntou Huo Ying, tirando a chave do bolso e estendendo a ela. — Tem dois barris de gasolina lá. Dá pra trocar gasolina com eles?
— Gasolina é controlada. Em XN dificilmente negociariam isso. Provavelmente os Exilados acharam um posto abandonado nos arredores. Vou tentar procurar, ver se encontro algum.
— Hm. — Ele ficou em silêncio por um instante. — Na última vez, os Exilados só não atiraram porque te seguiram. Se você sair da cidade com frequência e encontrar um que não hesite, o que vai fazer?
Zhang Yuqi percebeu a preocupação dele, e seus olhos, antes apagados, brilharam levemente:
— Desde que não acertem minha cabeça, meu poder me recupera. Os Exilados têm recursos limitados — não vão conseguir armas como rifles de precisão. Se for só pistola ou fuzil, não tenho medo.
— Mas armas ainda são perigosas pra você — insistiu Huo Ying. — Se um ferimento grave consumir sua energia e os Infectados te cercarem, vai ser difícil escapar.
Ele abriu um baú de madeira e tirou um fuzil e três caixas de munição.
— Leva isso. Você se recupera; os outros Exilados, não. Se tiverem que trocar tiros, você tem vantagem.
Zhang Yuqi ergueu o rosto e notou, pela primeira vez, que Huo Ying estava mais alto — agora ela precisava levantar a cabeça para encará-lo.
— Uma arma é melhor que o seu arpão, né? Você vai me dar isso?
A voz dela era calma, mas por dentro estava confusa. Depois que Huo Ying perdeu a memória, especialmente ao descobrir que ele escondeu sua parceria com Liaó, ela já esperava que se distanciassem. Mas ele surpreendeu, oferecendo-lhe uma arma.
— Pega. — Ele enfiou o fuzil e as balas nos braços dela, depois voltou ao baú, fingindo procurar algo enquanto usava seus poderes para criar um capacete com pedras na estrutura.
— Quando sair da cidade, use isso. Evita um tiro na cabeça.
— Que feio! E pesado! — Ela agarrou o capacete, surpresa. — Os Exilados tinham um capacete à prova de balas?!
Segurando-o com cuidado, ela encarou Huo Ying:
— Eu não matei todos os Exilados, especialmente o líder negro. Me diz a verdade: ele morreu nas suas mãos? Se não, e você pegou tudo isso dele, ele não vai sair da cidade sem revidar.
— Todos morreram.
Ela soltou o ar, aliviada. Não perguntou como ele tinha matado o homem — os Infectados tinham habilidades diferentes, e se Huo Ying não quisesse falar, era melhor não insistir.
Depois que Zhang Yuqi partiu com a caminhonete, Huo Ying fechou a porta e virou-se para ver Liaó sentada à mesa, com as mangas arregaçadas e os braços apoiados na madeira. Conforme sua pele tocava os móveis, a mesa e as cadeiras ficavam mais limpas, e o efeito começava a se espalhar pela casa.
Ao perceber seu olhar, ela sorriu, ansiosa para agradar:
— Eu sou útil, viu? Além de limpar, também cozinho. Se você sair, eu cuido da casa.
Huo Ying balançou a cabeça e sentou-se à sua frente.
— Os Exilados morreram. Posso consertar sua casa antiga. Ficar aqui só vai te colocar em perigo.
A criatura da fábrica o havia marcado, e ele não sabia quando ela apareceria. Não tinha como proteger Liaó também.
— E se eu não ligar para o perigo? — Ela pegou sua mão.
Um frio percorreu sua palma, e a marca quente em sua pele esfriou de repente.
— Espera.
Ele virou a mão e viu que o olho prestes a se abrir na marca havia clareado um pouco.
Será que o poder de Liaó também podia purificar a marca?
Ela percebeu e apertou sua mão entre as suas. O frio se aprofundou, e a marca desapareceu gradualmente.
Então era isso!
Aquela marca não era um feitiço misterioso, mas uma energia ainda desconhecida pelos humanos. Como os raios UV que queimam a pele ou o perfume das flores, era algo que a ciência ainda não explicava — mas, no fundo, era apenas uma influência externa na pele.
E o poder de Liaó conseguia neutralizá-la.
Quando a marca sumiu de vez, ela balançou sua mão, animada:
— Viu? Sou útil! Posso ficar agora?
Ela se levantou, mas as pernas fraquejaram, e ela caiu de volta na cadeira.
Huo Ying a segurou.
— Seu poder consome sua energia?
— Nunca aconteceu antes… É a primeira vez que sinto isso.
Ela estremeceu, encolhendo-se na cadeira e esfregando os braços e as pernas.
— Ah, que estranho… Parece que durmi em cima.
Ele acendeu rapidamente um pedaço de lenha de álamo e aqueceu algumas pedras solares, colocando-as perto dela para ver se a energia positiva ajudava. Depois, ficou atrás de Liaó, batendo levemente em suas costas, braços e pernas para aliviar o formigamento.
Demorou mais de dez minutos até ela se recuperar, com o corpo coberto por um leve suor.
— Pronto, não dói mais. — Liang Yao olhou para Huo Ying com um olhar frágil, mas com um toque de orgulho. — Aquela marca de nascença sua devia ser um problema, né? Agora você não tem mais como me mandar embora.
Preocupada que Huo Ying pensasse que ela estava tentando tirar vantagem, Liang Yao se apressou em explicar:
— O que eu quero dizer é que, se a marca voltar a aparecer, eu ainda estou aqui para ajudá-lo a eliminá-la. Assim, você não corre risco.
Huo Ying examinou a própria mão. A marca havia sumido completamente, e aquela sensação de estar sendo observado também desaparecera.
Capítulo 39: Derrota Rápida
Eliminar bactérias e poeira era simples, mas purgar a energia deixada por monstros cobrava um preço do corpo de Liang Yao.
Huo Ying a ajudou a se deitar na cama e puxou uma mesa de madeira para perto.
— Descanse um pouco e não se mexa. Se precisar de algo, está tudo aqui na mesa.
Ele colocou algumas batatas assadas mais cedo e encheu uma tigela de madeira com água.
Liang Yao viu Huo Ying pegar o machado de incêndio e o arpão e não resistiu:
— Tome cuidado.
— Tá. Ah, e como chego ao Centro Cívico?
Huo Ying lembrou das palavras de Wang Kai: Elsa e Luna, mãe e filha, moravam lá. Antes, Elsa tinha oferecido sementes em troca, mas na época, ele estava fraco demais para arriscar uma negociação. Agora, porém, era diferente. Agora, ele quase torcia para alguém tentar algo — assim, poderia criar algumas múmias para alimentar a Árvore Divina à noite.
Além disso, Liang Yao mencionara que o Centro Cívico tinha registros dos moradores, compilados pelo grupo de investigação. Huo Ying queria ver quantas mulheres ainda restavam na cidade.
— Você conhece o caminho para a fábrica da Genética Azul, né? Chegando na bifurcação, vá para o lado oposto. Quando as casas começarem a aparecer mais juntas, você está no caminho certo. O Centro Cívico e o prédio administrativo ficam bem no meio da cidade.
Liang Yao acrescentou, preocupada:
— Muitas casas podem esconder mortos-vivos. Muito cuidado.
Huo Ying acenou com a cabeça e saiu, fechando a porta com cuidado.
Seguindo as instruções, ele logo chegou à bifurcação. Olhou em direção à fábrica e conseguiu avistar de longe a tamargueira que ele mesmo criara. Até as raízes haviam sido arrancadas, e o carvão deixado pela queima fora recolhido.
Sem se aproximar, manteve distância e seguiu para o Centro Cívico. A marca finalmente sumira, e ele não queria atraí-la de novo. Enquanto ela não voltasse, os monstros da fábrica não viriam atrás dele. Quanto mais tempo ele tivesse, melhor — a Árvore Divina crescia a cada dia.
Caminhando na direção oposta à fábrica, Huo Ying finalmente avistou fileiras de casas.
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