Liang Yao pensou com cuidado antes de responder:
— No nosso povoado, sobram poucas mulheres. A maioria fugiu com o grupo de investigação da Fraternidade para a cidade de XN. Quase todas as que ficaram participam do mercado, mas na semana passada apareceu uma mulher diferente. Não trocou nada, era a primeira vez aqui, assim como você.
— Como era essa mulher? — indagou Huo Ying.
— Durona. Cabelo curto, roupa de couro, era infectada. Dava pra ver que era forte, estava armada.
Não era Zhang Yuqi, nem a Srta. Bai.
— Você está procurando uma mulher específica? — Liang Yao finalmente entendeu as intenções de Huo Ying.
— Você conhece todas as mulheres da cidade?
— Claro que não... — ela explicou — Houve uma rebelião de zumbis em XN, muita gente morreu. A Fraternidade enviou um grupo de investigação que recrutou pessoas aqui. Eles ocuparam o centro cívico, catalogaram todos os sobreviventes e levaram quem quis ir pra XN.
— Tente a sorte no centro cívico. O grupo só levou os registros dos que foram embora. Os outros provavelmente ainda estão lá. Mas isso foi há um mês... agora o lugar deve estar cheio de zumbis.
— Ótimo. — Huo Ying se aproximou de Liang Yao.
Ela se deitou obedientemente na cama.
Ele pegou suas roupas lavadas das mãos dela e vestiu-se rapidamente.
O poder de Liang Yao era realmente útil — as roupas velhas pareciam novas.
— Seu dom é valioso. Não morra. — Huo Ying a encarou seriamente antes de sair.
— Obrigada. — Liang Yao só respirou aliviada quando ele foi embora. Quatro toras só por lavar roupas? Foi presente.
— Droga, por que não pensei nisso antes? Na escassez do apocalipse, eu poderia ser uma "lavadeira profissional". — murmurou, rindo em seguida: — Mentira, eu sabia. Ele foi generoso. Quem desperdiça recursos lavando roupa no fim dos tempos?
Dentro da casa, Liang Yao alternava entre risos e frustração.
Lá fora, Huo Ying ajustou sua besta silenciosamente enquanto ativava seu poder de manipulação da madeira. A vantagem desse dom era criar qualquer coisa, desde que tivesse energia e imaginação. Após ver os planos de Wang Kai, ele memorizara o design de uma besta de arpões tripla.
A besta escondida sob suas roupas começou a se transformar em uma arma com três flechas de madeira.
Ao virar a esquina, fingiu desatenção.
De repente, uma figura saltou sobre ele — a mulher do par que vira no mercado.
Técnica de articulação.
Ela moveu-se rápido, travando seus ombros com os joelhos nos pontos de pressão das pernas.
Técnica de imobilização.
Ela envolveu seu corpo, tentando derrubá-lo.
Armadura de madeira!
O peso de madeira que carregava transformou-se em proteção. A mulher caiu com ele, mas a imobilização falhou contra a madeira.
A besta encostou no abdômen dela.
Gatilho puxado.
A flecha perfurou seu coração, emergindo pela garganta.
[CAPÍTULO 20: COMBATE]
Ambos caíram juntos. A armadura limitou os movimentos de Huo Ying, deixando-o aparentemente preso na imobilização.
— Pegamos ele.
Uma voz masculina sorriu.
No mesmo instante, um homem pulou do muro, machado suspendido para desferir um golpe nas canelas de Huo Ying.
A dupla era sincronizada: um imobiliza, outro mutila.
CRÁC!
O machado rachou a armadura de madeira.
A lâmina perfurou o casco de madeira, cortando sua perna.
DOR!
O impacto do machado foi pior que o ferimento. A armadura o impediu de se contorcer de dor.
Não gritar. Não demonstrar. Morte certa.
Huo Ying cerrou os dentes, olhos injetados, recarregando a besta contra o homem.
O machado não cravou como esperado!
O homem viu a flecha na garganta da companheira.
— Xiao Jie!
Gritou furioso, percebendo Huo Ying recarregando a arma.
Sem recuar, ele pisou com força no machado preso na madeira.
Distância curta demais para escapar da flecha. Ele optou pelo empate.
Se Huo Ying atirasse, ele enterraria o machado na perna dele.
Huo Ying perdeu o duelo. Rolou para o lado, desistindo do ataque.
Nesse mundo sem hospitais, até um ferimento poderia matá-lo por infecção.
— Vem, lixo! Como ousa matar Xiao Jie?!
O homem atacou, joelhos esmagando o peito de Huo Ying. Uma mão agarrou seu pulso, a outra estrangulou seu pescoço desprotegido.
— MORRA!
Mais rápido e forte, o homem dominava as técnicas de combate corporal, assim como a mulher que Huo Ying matara.
O raciocínio do homem em combate também estava correto. Huo Ying usava uma armadura de madeira que, apesar de oferecer boa proteção, era desajeitada e limitava seus movimentos. O plano do homem era imobilizá-lo, evitando que usasse seu arco. Naquela posição, quer Huo Ying socasse ou chutasse, ele não conseguiria aplicar toda sua força, sendo sufocado aos poucos.
– Jutsu de Estacas de Madeira!
Espinhos afiados brotaram repentinamente da resistente armadura, perfurando o corpo do homem como lanças. Barriga, peito, ombros, mãos – todos foram trespassados.
– Tssss!
Como um gato selvagem que subitamente se torna dócil, os espinhos de madeira surgiram e desapareceram num piscar de olhos, sem deixar vestígios.
O homem arregalou os olhos em choque. Sua força foi se esvaindo enquanto dezenas de furos sangrentos brotavam em seu corpo. Em instantes, suas roupas estavam encharcadas de sangue.
Sem forças, ele desabou no chão. Ignorando as feridas e até mesmo Huo Ying, o homem fez um último esforço para se virar em direção ao cadáver da mulher.
– Xiao Jie... – estendeu a mão tentando tocar o rosto dela, mas faltou um palmo para alcançá-la.
Com um som gutural, como um apito furado, ele murmurou:
– Me coloque... ao lado dela... e eu... te conto onde... ficamos...
Seu rosto suplicava. "Onde ficamos" significava o local dos suprimentos – ele oferecia tudo em troca.
Huo Ying também estava caído, ofegante. Aquele combate de menos de um minuto fora mais perigoso que seu encontro com a aranha infectada. E desta vez, ele estava preparado.
"Humanos são mais perigosos que infectados", refletiu.
Olhando para o moribundo, Huo Ying levantou-se, suportando a dor na perna. "No leito de morte, as palavras são sinceras", pensou, decidindo acreditar. Mas manteve a cautela – em vez de se aproximar, arrastou o corpo da mulher até o homem.
– Obrig... ado... – o homem abraçou o cadáver, encostando a testa no rosto dela. – Nós... ficamos na...
Sua voz sumiu num murmúrio. Então, sorriu e ergueu o dedo médio com suas últimas forças. Ele nunca pretendera revelar o esconderijo. Sabendo que morreria sem vingança, escolheu zombar de Huo Ying no último instante.
– Que infantil. – Huo Ying cuspiu as palavras. – Foram seus próprios instintos cruéis que os mataram.
Sua raiva pela violência gratuita contra um semelhante contrastava com uma estranha admiração. Ele se perguntou se algum dia lutaria assim por alguém, ou se teria alguém que desejasse morrer ao seu lado.
– Pelo menos o corte não é profundo.
Gritando de dor, ele extraiu o machado de incêndio cravado em sua armadura. Desfeita a proteção de madeira, amarrou um pedaço de tecido na perna para estancar o sangue.
Manquejando, aproximou-se dos cadáveres para revistá-los. Pessoas tão habilidosas certamente carregavam itens úteis.
Além do machado afiado, encontrou três pedras solares, uma lanterna, uma chave e um manual ilustrado. A chave provavelmente abria seu refúgio. A lanterna, recarregável por energia solar, emitia um feixe potente como um holofote.
O manual mostrava diagramas de pontos vitais e articulações nas primeiras páginas, seguidos de fórmulas para medicamentos orais, banhos medicinais e até sacos de treinamento impregnados com pós fortificantes.
– Uma pena que não ensine técnicas. – Huo Ying suspirou. Sem habilidades marciais, dependia apenas de sua madeira e reflexos. Se encontrasse um especialista em combate corpo a corpo, estaria perdido.
Empilhou a armadura dilapidada sobre os cadáveres e ateou fogo. Lembrava-se das palavras de Zhang Yuqi: cadáveres podiam ser controlados pelas Criaturas Sombrias. Era preciso eliminá-los.
Capítulo 21: Anti-inflamatório
A madeira de álamo, impregnada com energia solar, incinerou os corpos rapidamente. Huo Ying afastou-se mancando das chamas, decidido a voltar para casa antes do anoitecer.
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