"..."
— Que cheiro bom... espera, quem está cozinhando?
O crânio de Baishi ainda latejava de dor. Entre o torpor, sentiu o aroma tentador de comida fresca. Num instante, acordou completamente e saltou da cama.
Instintivamente, a mão procurou o facão atrás dele.
— Minha faca?
— Você acordou? A comida está pronta, quer experimentar? — Uma voz feminina, tímida, ecoou na cabana. Baishi reconheceu imediatamente quem era.
Ele soltou um suspiro de alívio. Mesmo que tivesse esquecido de Yueti Xia, o burro negro que a acompanhava, olhando fixamente com ar ameaçador, seria difícil ignorar.
— Ei, garoto, a Xia se matou pra fazer essa comida! Se você ousar reclamar... — O burro zurrou alto, deixando clara a ameaça.
Baishi ignorou o animal e olhou para o fogão. Lá estava Yueti Xia, com um avental amarrado na cintura, ocupada com as panelas. Seu rosto delicado estava sujo de fuligem, mas seu sorriso era radiante e puro.
Por um instante, Baishi ficou hipnotizado. Então, lembrou de algo e tocou os lábios rapidamente, soprando discretamente na mão para verificar se não havia o tal "aroma tentador" que Hu Weisheng mencionara. Aliviado por não encontrar nada, voltou a atenção para a refeição.
Treinar artes marciais sem entender as consequências havia esgotado sua energia. Desmaiar por falta de comida já era vergonhoso o bastante. Se o burro...
O dito burro olhou para ele com um olhar assassino, erguendo uma placa:
— O que foi, garoto?
Baishi ignorou a ameaça e se sentou obedientemente à mesa. Logo, Yueti Xia entregou-lhe um prato de bambu refogado com cogumelos, outro de bambu com brócolis, tudo brilhando graças ao óleo vegetal. Acompanhado de dois pãezinhos.
A fome falou mais alto, e Baishi começou a comer sem questionar por que Yueti Xia estava ali. Embora o sabor fosse um pouco estranho — provavelmente por ser sua primeira vez cozinhando —, ele devorou tudo satisfeito.
— Pena que ainda não tem carne...
[Habilidade: Facão de Forja Nv.2 (8/200)]
Seu sistema digestivo, fortalecido pelo treino, processou a comida rapidamente, melhorando até suas habilidades.
— Claro, quanto mais avanço nos treinos, mais energia preciso. Comida normal, por mais que encha, não é suficiente.
Considerando a identidade de Yueti Xia — os Yueti podiam fazer plantas crescerem com seu poder —, esses brotos de bambu deviam conter um pouco de sua energia vital. Pouca coisa, mas suficiente para deixar um prato vegetariano tão nutritivo quanto carne.
Agora, precisava arrumar um jeito de ganhar dinheiro. Cortar lenha? Jamais.
CAPÍTULO 6 — MORANDO JUNTOS?
— Yueti Xia, muito obrigado pela comida. Se precisar de algo, é só pedir. Se estiver ao meu alcance, farei o possível.
A garota ficou corada, envergonhada. Na verdade, sua mãe a enviara para vigiar Baishi e impedi-lo de danificar a floresta. E, se necessário... drená-lo.
Mas ela jamais faria isso.
— Ah, sim! Quando cheguei, vi um homem espiando sua cabana. Vocês têm algum problema? — Ela mudou de assunto rápido.
— Alguém me vigiando?
Baishi olhou ao redor e, com sua visão aprimorada, avistou um homem robusto atrás de uma árvore a mais de duzentos metros de distância. Ao ser descoberto, o sujeito não se intimidou: fez um gesto de cortar a garganta e foi embora.
Era Yan San, o sujeito com quem tivera problemas antes. E agora havia outro com ele, um cara magricela e espertinho.
— Só um desentendimento bobo, nada sério. — Baishi sorriu, mas seus olhos brilharam friamente.
O filho da mãe ainda estava de olho nele, pensando que era um alvo fácil? Melhor resolver isso logo.
Ele treinava artes marciais, não magia. Ouvido e visão afiados, sim, mas não podia sentir presenças a distância. Ser pego de surpresa seria desastroso.
Quanto ao "desentendimento"? Mortos não cobram dívidas.
Ele, Baishi, era um homem compreensivo. Não guardava rancor.
— Entendi... — Yueti Xia ficou confusa. Será que as relações humanas eram tão complicadas? E por que Baishi sorria daquele jeito sinistro?
O burro riu, patas no ar, claramente se divertindo. Aquele humano ia se dar mal.
— ***
— E aí, San, descobriu algo? O moleque sabe lutar ou não?
— Como eu sei? Mas você já viu um lutador fraco desse jeito? Vamos esperar mais uns dias, até ele juntar algum dinheiro, aí a gente resolve.
— Arranjar motivo é fácil.
Os dois cochicharam e saíram abraçados.
Baishi, enquanto isso, olhava para a cabana de trepadeiras que surgira do lado da sua e ficou em silêncio.
— O local... não é bom? Posso mudar um pouco... — disse Yueti Xia, magia verde brilhando em suas mãos.
Plantas gigantes ergueram a cabana suspensa e a reposicionaram. Agora, as duas casas ficavam de frente uma para a outra.
Uma era simples, rangendo ao vento. A outra, um jardim suspenso, cheio de flores e aromas.
De repente, Baishi sentiu que seu lar, antes confortável, parecia um chiqueiro comparado ao dela.
O burro zurrou de tanto rir, rolando no chão com as patas no ar.
Baishi respirou fundo e começou a planejar seus próximos passos. Quanto a Yueti Xia ter decidido "morar" com ele... Tanto faz. Uma guarda-costas bonita sempre é bem-vinda.
Para progredir nas artes marciais, precisava de energia. Senão, poderia desmaiar de exaustão de novo. Investir em si mesmo era essencial.
E se Yueti Xia estava ali... bem, quem melhor para tentar uma reencarnação de almas gêmeas? Mas para isso, precisava de poder.
— Para continuar treinando, ou vou caçar... ou arrumo dinheiro para comprar comida...
Caçar? Não sabia fazer armadilhas e não tinha dinheiro para um arco.
Treinar artes marciais sempre exige um apetite voraz. O dinheiro que Bai Shi ganhara cortando lenha até então tinha ido quase todo para comprar comida — e mesmo assim, mal dava para matar a fome.
E mesmo que comprasse mais, aprender leva tempo. Ele precisava de uma solução que desse resultado imediato.
— Não dá pra ficar dependendo da Yue Tixia pra me fazer comidas com energia espiritual todo dia, né? — resmungou consigo mesmo. — Quem eu penso que sou? O rei do pedaço?
O que ele precisava era de um método para ganhar dinheiro que fosse de graça, original, prático e, principalmente, que não chamasse atenção indesejada.
Se Bai Shi quisesse, poderia facilmente pegar areia fina do rio, secá-la e derreter num cadinho para fazer vidro. Moldar uma esfera e vendê-la como cristal renderia uma fortuna. Mas ele não ousava.
Se este mundo fosse apenas um típico universo de cultivo imortal, até que tudo bem. O problema era que aqui não existiam pedras espirituais. Até os grandes mestres e os yaojing usavam prata como moeda. Até os tesouros mágicos eram comprados com dinheiro comum.
Se ele começasse a chamar atenção, não demoraria para atrair olhares perigosos.
— Espera aí… o rio! — Seus olhos brilharam de repente. — Os peixes ali são abundantes, e como este mundo é rico em energia espiritual, são maiores e mais saborosos…
— Se eu preparar sashimi…
Quão lucrativo seria vender peixe cru? Não precisava de fogo, nem óleo, nem grelha. Bastava habilidade com a faca para cortar o peixe em fatias finas, acompanhadas de molho shoyu e wasabi.
Quanto mais ele pensava, mais a ideia parecia promissora.
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