— A Energia dos Sonhos foi desenvolvida pela doutora Makomo junto com o Musharna. Tem um poder incrível de transformar informações dos fósseis em realidade, e é justamente isso que permite a revivificação — explicou o professor Carvalho, animado.
— Que impressionante! — exclamou Maya, maravilhada. Era a primeira vez que entendia como funcionava o processo de reviver fósseis.
— Pois é! — concordou o professor, balançando a cabeça. — Mas não consigo entender o que a Equipe Plasma quer com isso. Os invasores do laboratório fugiram, e o líder deles disse que foi uma ação isolada de membros descontrolados.
A tática não era nova — jogar a culpa em outros. O que surpreendia era que a Equipe Plasma nem se preocupava em entregar os supostos culpados.
— Os invasores desapareceram porque a Equipe Plasma está escondendo seus verdadeiros objetivos — disse Ruan, ponderando. — Professor, o aparelho de revivificação que você e a doutora Makomo desenvolveram pode ter sido roubado justamente por causa dos Pokémon lendários.
— Quer dizer que eles querem reviver um lendário? Mas mesmo se o aparelho estivesse completo, não seria capaz disso! Além do mais, nunca houve fósseis de Pokémon lendários — contestou Carvalho, cético.
[Ruan pensou consigo mesmo: "Dizem que não existem fósseis de lendários, mas aquele gato cor-de-rosa discordaria... Até os fósseis dos seus cílios já foram encontrados!"]
Em algum lugar distante, na Árvore do Mundo, Mew espirrou. Alguém devia estar falando dela... Depois de resolver o caso de Mewtwo, ela só queria descansar.
Sem saber disso, Ruan continuou:
— Pode não ser sobre reviver um lendário, mas sobre encontrar pistas. Comparado aos aparelhos de Sinnoh e Hoenn, o de vocês, por usar a Energia dos Sonhos, consegue extrair muito mais informações detalhadas do passado. A Equipe Plasma deve querer usar isso para rastrear um lendário. Afinal, nenhum estudo supera o conhecimento de quem viveu naquela época.
O professor Carvalho iluminou-se:
— Entendi! Nosso aparelho não só revive fósseis, mas também projeta cenas do passado através dos sonhos. Eles devem querer usar isso mesmo! Mas... será que o lendário que procuram é...?
— Os dragões lendários de Unova, Reshiram e Zekrom! — concluiu Ruan.
Era o verdadeiro objetivo da Equipe Plasma, ainda oculto. Ele só sabia por causa de memórias de outra vida. No enredo original, não havia esse ataque ao laboratório — a realidade sempre trazia mudanças.
— A Equipe Plasma quer encontrar os dragões lendários? Mas por quê? — Maya ficou surpresa. Ela não imaginava que o grupo que encontraram antes tivesse planos tão ambiciosos.
— Maya, lembra das lendas de Unova? — perguntou Ruan.
— Claro! — ela respondeu, animada. — Dizem que, no passado, dois irmãos gêmeos, cansados do caos em Unova e do sofrimento de humanos e Pokémon, buscaram o dragão lendário e ganharam sua confiança. Com esse poder, fundaram o Império de Unova e trouxeram paz. Mas, com o tempo, os irmãos discordaram, e o dragão se dividiu em Reshiram e Zekrom. A guerra entre eles foi tão longa que enfureceu os dragões, que então destruíram o império com um castigo divino e desapareceram, adormecidos em algum lugar, esperando por alguém digno de despertá-los.
Maya recitou a lenda com familiaridade, até que percebeu o que Ruan insinuava:
— Então... a Equipe Plasma quer usar o aparelho para encontrar onde os dragões estão dormindo?
— Exatamente — confirmou Ruan. — Ninguém sabe onde os dragões repousam. Eles devem estar tentando de tudo para descobrir, e o aparelho de vocês é uma das melhores opções.
— Nesse caso, temos que recuperá-lo! — o professor Carvalho finalmente entendeu a gravidade. Se a Equipe Plasma era capaz de atacar um laboratório, seus planos certamente não eram bons.
— Agora já deve ser tarde — Ruan abanou a cabeça.
— Professor, os dragões lendários só acordam para quem merece. A Equipe Plasma não vai conseguir! — Maya tentou animá-lo.
O professor se acalmou um pouco, mas Ruan permaneceu em silêncio.
[Ele pensou: "A Equipe Plasma pode não conseguir... mas há alguém que pode."]
— Maya, vou precisar que você siga sozinha por um tempo. Tenho algo para resolver. Nos encontramos em Striaton, certo?
Ela entendeu que era sobre a Equipe Plasma e concordou:
— Tudo bem! Quando você chegar, talvez eu já tenha vencido o ginásio.
— Boa sorte — ele sorriu, incentivando-a antes de se despedir dos dois e partir de Nuvema.
Havia tantos anos no mundo Pokémon que suas memórias do enredo original já estavam desbotadas. Mas a história que Maya contou o fez lembrar de algo importante.
Os dragões de Unova, Zekrom e Reshiram, realmente surgiram da divisão de um único dragão — e o corpo original ainda existia, transformado em um ser ainda mais temível: Kyurem, o dragão do gelo, capaz de congelar Unova inteira com um só ataque.
Kyurem ficava para depois. Quanto a Reshiram e Zekrom, após a grande guerra, eles se tornaram a Pedra da Luz e a Pedra da Escuridão, só despertando para aqueles que conquistassem sua aprovação.
Teoricamente, eram os lendários mais fáceis e, ao mesmo tempo, mais difíceis de capturar.
Mas, de qualquer forma, ele precisava ver com os próprios olhos.
Felizmente, ele sabia onde estavam. A memória estava embaçada, mas lembrava que a Pedra da Escuridão estava em uma torre selada, enquanto a Pedra da Luz era exibida em um museu, tratada como uma simples peça decorativa.
Com essas pistas, não seria difícil encontrá-las.
Ruan decidiu ir atrás da Pedra da Escuridão primeiro.
Ela era a chave para despertar Zekrom, o dragão dos ideais — e justamente aquele que N provavelmente buscaria.
Se conseguisse controlar a Pedra das Trevas, seria capaz de dominar muitas coisas.
Depois de deixar a Vila dos Cervos, ele começou a investigar as torres especiais da região de Unova.
Graças às lendas do Império de Unova, não faltam torres associadas a dragões — praticamente cada região tem uma.
Claro, o foco de Rowan estava nos arredores das grandes cidades.
O jogo não tinha tantas cidades quanto a realidade, então os eventos-chave só podiam ocorrer nos grandes centros urbanos — ou, mais precisamente, nas cidades com ginásios.
Após um dia de pesquisa, Rowan restringiu sua busca a três locais.
E, depois de mais um dia de investigação, ele finalmente chegou à Cidade Nevasca.
A Cidade Nevasca era outro município antigo de Unova, abrigando o Ginásio de tipo Gelo, cujo líder era Hachiku.
Lá, encontrava-se uma torre imponente chamada Torre Espiral do Dragão — uma construção sem entradas, cujo interior, sólido ou oco, era um mistério até para os moradores locais.
Rowan procurou o líder do Ginásio da Cidade Nevasca, Hachiku.
Se planejava danificar um marco importante da cidade, era obrigatório comunicar o líder do ginásio.
Embora os líderes de ginásio não participassem diretamente da administração municipal, sua posição era, discretamente, uma das mais influentes da cidade.
Hachiku, apesar de especialista em Pokémon do tipo Gelo, tinha a aura de um monge guerreiro — olhos vendados, sentidos apurados e um corpo magro que escondia força impressionante. Além disso, era um ator famoso em Unova.
— Rowan, há quanto tempo! Você parece... diferente. Há uma energia estranha em você... poderes psíquicos? Ou aura? — Como líder de ginásio em Unova, Hachiku já tinha cruzado com Rowan antes e, logo de cara, percebeu a mudança.
Rowan não viu motivo para esconder:
— Tive um encontro fortuito e despertei o poder da aura. Mas ainda estou longe de dominá-lo.
— O poder da aura... — Hachiku sorriu, genuinamente impressionado. — Que habilidade invejável. Se quiser, posso lhe dar um manual de treinamento. Deve ajudar.
— Obrigado, aceito sem cerimônia. Mas isso fica para depois. Vim por um assunto importante.
— Algo importante? — A expressão de Hachiku ficou séria. — A Equipe Plasma? Se precisar de algo, conte comigo.
Rowan acenou positivamente.
— Não é exatamente trivial. Preciso abrir uma entrada na Torre Espiral do Dragão... com explosivos.
— ...O quê? — Hachiku pareceu não processar a informação de imediato.
— É permitido?
— Permitido... até seria, mas posso saber o motivo? A Torre Espiral é um marco importante para a Cidade Nevasca. — A voz de Hachiku carregava dúvida, mas ele rapidamente completou: — Claro, se for sigiloso, nem precisa responder.
Rowan considerou. A informação não era tão sensível.
— Não é segredo de Estado, mas seria melhor que não se espalhasse... senão, pode virar um problema. Segundo minhas fontes, a Torre Espiral abriga a Pedra das Trevas.
— A Pedra das... — Hachiku estacou. Levou um momento para assimilar. Mas, como líder de ginásio, logo compreendeu. — Rowan, você está dizendo que é aquela lenda...
— Exato. A pedra capaz de invocar Zekrom.
— Você tem certeza dessa informação? — Hachiku, que havia abandonado uma carreira promissora no cinema para se dedicar à vida ascética, tinha décadas desde que sentira uma comoção tão forte.
Qualquer cidadão de Unova ficaria perturbado diante de um dragão lendário.
— Quase certeza. A Equipe Plasma parece estar atrás dela. Quero recuperá-la antes que cheguem lá.
— Não podemos deixá-los pegar a pedra. Já conheci Ghetsis, o líder da Equipe Plasma... há um abismo de escuridão naquela pessoa. Os objetivos deles vão muito além do que pregam.
Os dois se dirigiram à Torre Espiral do Dragão, às margens da Cidade Nevasca.
A torre, erguida no meio de um lago, era construída de pedra branca e permanecia intocável, como se os séculos de vento e chuva não a tivessem atingido.
— Ninguém sabe quando a Torre Espiral foi construída — Hachiku comentou, observando a estrutura. — Há tantas torres assim em Unova... quem diria que uma delas guardaria um dragão lendário. Mas... não haverá consequências por violarmos um local sagrado como esse?
Rowan estava prestes a dizer que não, afinal, no jogo, a Equipe Plasma simplesmente dinamitou a torre e, depois, N conseguiu invocar Zekrom sem problemas.
Mas isso era a realidade. Poderes de Pokémon lendários exigiam extremo cuidado.
— Vamos tentar com cautela. Primeiro, nos aproximemos.
— Eu vou. Beartic, punho de gelo! Abra um caminho até a torre!
— Grroooah! — Um urso branco emergiu da Pokébola e, com um golpe no lago, criou uma estrada de gelo em direção à torre.
Mas, assim que o caminho gelado se aproximou da construção, algo aconteceu.
Um raio azul cortou o ar e, num instante, vaporizou todo o gelo.
Rowan e Hachiku trocaram olhares — ambos chocados.
— Rowan, isso foi...
Ele respirou fundo.
— Dizem que Zekrom, o dragão do trovão, é capaz de lançar punições divinas em forma de relâmpagos. Ele está nos barrando.
— Mas por que nos impediria? — Hachiku estava entre o êxtase e o temor.
Alegria, pois isso confirmava que um dragão lendário realmente repousava ali. Temor, porque uma criatura divina acabara de demonstrar hostilidade.
— Simples: não somos os escolhidos. Talvez... Zekrom já tenha encontrado seu idealista.
Capítulo 79 — A tua "Verdade"
Rowan observou os relâmpagos dançando ao redor da Torre Espiral, sem tomar nenhuma atitude.
Embora seus olhos estivessem cobertos, o choque de Hachiku era visível.
— Se o dragão lendário já escolheu alguém... por que ainda não foi despertado?
— Talvez não seja a hora certa. Ou talvez o escolhido ainda não tenha encontrado este lugar. Mas, seja como for, recuperar a Pedra das Trevas agora está fora de questão.
— Verdade... ser rejeitado por um dragão lendário... — Hachiku suspirou. — Só resta torcer para que o escolhido de Zekrom não traga o caos.
Nem ele nem Rowan ousariam atacar a torre. O poder de um dragão lendário era capaz de arrasar Unova em um instante. E ninguém podia prever as consequências de provocar tal força.
— Vamos! — Luo Wen não disse muito. Ele sabia muito bem quem o Zekrom iria aceitar — provavelmente seria o Rei N da Equipe Plasma, não havia outro.
Ele veio tentar roubar a oportunidade, mas o Zekrom nem deu chance.
Luo Wen e Hachiku deixaram a Torre Espiral do Dragão.
De volta à Cidade Neve, antes de partir, Luo Wen avisou:
— Líder Hachiku, fique de olho na Torre Espiral do Dragão. Se a Pedra das Trevas está lá, a Equipe Plasma vai aparecer mais cedo ou mais tarde. Tente impedi-los.
— Claro, nem precisava dizer. — Agora que sabia da existência da Pedra das Trevas, ele certamente reforçaria a vigilância da torre.
Mesmo que o Zekrom tivesse seus próprios mecanismos de defesa, ele não deixaria a Equipe Plasma chegar perto.
Luo Wen concordou com um aceno, mas então lembrou de algo e acrescentou:
— O Zekrom não escolhe um treinador por causa de facções ou alianças. Ele só avalia se a força da pessoa está alinhada com o caminho dele. Se a Equipe Plasma conseguir se aproximar... afaste-se. Não tente impedi-los à força.
Depois de pensar bem, ele decidiu preparar psicologicamente Hachiku para o pior.
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