Observando a irmã chorando, ele começou a caminhar em direção ao mar de chamas.
Mas mal deu o primeiro passo, Mei pulou em suas costas:
— Você não prometeu que nunca iríamos nos separar? Irmão, me perdoe, eu não devia ter sido teimosa... Aquele homem era forte demais...
Sem pronunciar uma palavra, ele apenas abraçou a irmã mais forte antes de seguir adiante, os dois juntos em direção ao fogo.
Afinal, ambos tinham pecados a redimir.
Mais uma vez, Luo Wen testemunhou o inferno se materializar diante de seus olhos.
Seu olhar então se voltou para Muzan, que agora assumira a forma monstruosa de um bebê gigante e deformado.
— Poupe-me! — implorava o demônio, desesperado. — Eu posso torná-lo o Rei dos Onis! Por favor, me deixe viver!
Luo Wen riu com desdém.
— Que espetáculo patético, Muzan. Se não fosse o primeiro de sua espécie, seria impossível acreditar que alguém como você poderia reinar sobre os demônios.
Nenhum apelo ou resistência mudaria seu destino.
Sob a luz implacável do sol, Muzan começou a se dissolver em pó.
Assim como todos os outros demônios presentes.
Todos, exceto um: Tamayo.
Ela, que poderia ter fugido, escolheu caminhar voluntariamente para a claridade.
— Você não desenvolveu um medicamento para se tornar humana novamente? — perguntou Luo Wen.
Tamayo balançou a cabeça com serenidade.
— Séculos de conflito finalmente chegaram ao fim. Chegou minha hora de pagar pelos meus crimes. Por mais que eu negue, também me alimentei de humanos. Não foi por vontade própria, mas a culpa permanece. Além disso... meu filho já esperou por mim por tempo demais.
Sua única razão para continuar viva era ver Muzan destruído.
Agora, com seu objetivo alcançado, não havia mais motivo para permanecer.
Luo Wen não interferiu em sua decisão.
Mas, no momento em que Tamayo começou a desaparecer, Yushiro surgiu em disparada.
— Yushiro, você ainda pode viver — murmurou ela.
— Para que viver sem você, minha senhora? — respondeu ele, decidido.
Ele também escolheu um caminho diferente do destino original.
O que aguardava Tamayo e Yushiro no além?
Com o desaparecimento deles, os últimos demônios do mundo se foram.
Os membros da Corporação de Caçadores de Demônios pareciam atordoados.
Era mesmo o fim?
Principalmente Ubuyashiki Kagaya, cuja família carregara o fardo de Muzan por mil anos.
Agora, enfim, encontravam paz.
Aproximando-se de Luo Wen, ele disse com profunda gratidão:
— Nenhuma palavra seria suficiente para agradecê-lo, Sr. Luo Wen. Preparei um presente como sinal de meu apreço. Por favor, não recuse.
Luo Wen olhou para ele, observando a marca amaldiçoada que antes afligia Kagaya. Agora, ela havia desaparecido por completo.
— Sua maldição se dissipou, não foi?
O líder dos caçadores, percebendo a melhora em sua saúde, não conseguiu conter as lágrimas de alívio.
Tanjiro também se aproximou, emocionado:
— Irmão Luo Wen, não sei como agradecer. Sem você, minha irmã...
— Como está sua irmã? — interrompeu Luo Wen. — Ela já se tornou humana novamente?
Um sorriso iluminou o rosto de Tanjiro.
— Graças ao remédio da Sra. Tamayo, sim. Agora, vou levá-la de volta para casa.
Os detalhes do pós-guerra ficariam a cargo da família Ubuyashiki.
Como Mei ainda o esperava no mundo Pokémon, Luo Wen não podia se demorar.
Ainda assim, aceitou os presentes de Kagaya com um aceno de cabeça.
Pouco depois, ele retornava ao mundo dos Pokémon.
— Já está de volta? — exclamou Mei, surpresa.
Luo Wen sorriu, afável.
— Eu disse que era só uma coisinha rápida. Nunca mentiria para você.
O sorriso dela se alargou. Adorava quando ele dizia essas coisas.
Seus olhos então pousaram sobre uma caixa equilibrada na cabeça de Dragapult.
— O que é isso? — perguntou, curiosa.
— Ah, isso — Luo Wen havia se esquecido do presente. — Um presente de agradecimento.
— Um presente? Do quê? — A curiosidade de Mei aumentou.
Ele encolheu os ombros.
— Comida, dinheiro, coisas assim. Metagross, pode abrir a caixa?
— Meeeta! — Com seus poderes psíquicos, Metagross ergueu a caixa e a abriu.
Um brilho dourado ofuscante jorrou de dentro.
A caixa, do tamanho de uma bacia, estava repleta de lingotes de ouro.
— Luo Wen, é isso que você chama de "algum dinheiro"? — Mei franziu as sobrancelhas.
Mesmo vindo de uma família abastada, capaz de sustentar três Pokémon raros, a quantidade era impressionante.
— Bem, eles não eram exatamente pobres... — Mas, tendo aceitado, Luo Wen não pensava em devolver.
— Você tem certeza de que pode ficar com tudo isso?
— Claro. O favor que fiz não foi pequeno, e eles têm recursos de sobra.
Mei confiava plenamente nele e aceitou sua decisão.
Planejaram usar parte do ouro para joias e o restante em recursos para treinar seus Pokémon.
Porém, a verdadeira recompensa não estava no ouro.
Dragapult e Aegislash haviam absorvido grande parte da energia vital dos demônios.
[O primeiro mundo escolhido foi curto, mas serviu para fortalecer Dragapult e Aegislash antes das próximas aventuras!]
Capítulo 41: A Lenda dos Quatro Deuses
A estadia no mundo dos demônios deixara Dragapult e Aegislash mais fortes do que nunca.
Os quatro demônios lunares superiores e o próprio Muzan proporcionaram energia vital em abundância.
— Dragapult, Aegislash, quanto tempo até digerirem tudo? — perguntou Luo Wen.
— Draaah... — Dragapult estimou cerca de duas semanas. A quantidade era colossal.
— Aeeegis... — Aegislash necessitaria de mais tempo, mas já sentia seu corpo evoluindo.
Sua resistência e poder estavam alcançando novos patamares.
Luo Wen sorriu, entusiasmado.
— Isso é uma evolução iminente!
Aegislash estava prestes a atingir um nível além do comum.
— Nos próximos dias, você vai digerir tudo direitinho e se preparar para a evolução — disse Luo Wen, acariciando a superfície metálica do Escudo Real.
Depois da transformação, sua Espada Escudo Real alcançaria o segundo nível de Mestre Pokémon, um salto significativo de poder.
— Dún... — resmungou o Pokémon, balançando levemente como que em concordância.
Em seguida, olhou firmemente para o Metagross, transmitindo uma mensagem silenciosa: — Cuide bem do Luo Wen durante minha evolução. Ficarei vulnerável.
— Meta! — rosnou o Pokémon de aço, determinadíssimo. Nem precisava que o lembrassem.
Satisfeito, o Escudo Real começou a absorver toda aquela energia vital acumulada, suficiente não apenas para alcançar o novo patamar, mas para se consolidar nele.
Já a Bruxaria, encolhida num canto, parecia um pouco cabisbaixa. Logo seria a mais fraca do time. Luo Wen conhecia bem sua parceira: carinhosa, apegada, mas com uma sensibilidade aguçada.
— Bruxaria, não fique assim — sussurrou, acariciando seus cachos energéticos. — Seu momento vai chegar. Prometo.
— Brii... — ela se aproximou, esfregando-se no treinador como um gatinho carente. A voz dele sempre a tranquilizava.
— Então o Escudo Real vai evoluir? — perguntou Mei, os olhos brilhando de curiosidade.
— Sim, e dessa vez o salto será grande.
— Que maravilha! — ela pulou de alegria. O sucesso dele era o dela.
— Mas assim como ocorreu com o Draco, o processo levará alguns dias — explicou Luo Wen, arrumando a mochila. — Podemos seguir para Ilha Ásia. O festival está prestes a começar, e não queremos perder, certo?
A Ilha Ásia era o último destino nas Ilhas Laranja. Rumores sobre uma celebração única os haviam convencido a dar uma passada por lá antes de voltarem para Teselia, onde Mei receberia seu primeiro Pokémon oficial e ele assumiria seu novo cargo.
— Mal posso esperar! — Mei abraçou-se de empolgação enquanto subiam no barco. — Como será o festival? Você acha que terá comidas típicas? Danças?
— Pelos relatos, é uma experiência autêntica — sorriu Luo Wen, embora soubesse que a aventura reservava mais do que fogos de artifício e barraquinhas.
Naquela ilha, segundo as lendas que ele conhecia de outra vida, quatro divindades reinavam:
O Senhor do Fogo, Moltres!
O Senhor dos Trovões, Zapdos!
O Senhor do Gelo, Articuno!
E acima de todos, o soberano dos mares... Lugia!
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