Capítulo 39 – Luz do Sol
A morte instantânea de Meisho e a destruição da Cidade Infinita fizeram com que todos fossem transportados de volta ao mundo real.
Tanto os membros da Caça aos Demônios quanto os próprios demônios se viram reunidos no mesmo lugar.
Do lado dos caçadores, todos os Pilares da geração atual estavam presentes.
Já no lado de Muzan, após Luo Wen eliminar os Segundos e Terceiros Kizuki Superiores, restavam apenas:
— Primeiro Kizuki Superior, Kokushibo – também conhecido como Michikatsu Tsugikuni, o irmão mais velho de Yoriichi Tsugikuni, o homem que quase matou Muzan com um único golpe. Tornou-se um demônio movido por inveja e sentimentos complexos.
— Quarto Kizuki Superior, Hantengu – capaz de se dividir em múltiplas formas, cada uma com habilidades diferentes.
— Quinto Kizuki Superior, Gyokko – obcecado por criar vasos de cerâmica assimétricos, considerando-os arte inalcançável para os outros. Controlava cardumes de peixes como armas.
— Sexto Kizuki Superior, Gyutaro – normalmente, sua irmã Daki agia no mundo exterior, já que ela possuía força próxima a um Kizuki Superior. Porém, quando ferida gravemente, Gyutaro emergia do corpo dela. Para matá-los, era necessário decapitá-los simultaneamente. Gyutaro era um exemplo de alguém arrastado pelo fracasso alheio.
Dentre todos, apenas Gyutaro tinha uma razão minimamente compreensível para se tornar um demônio… mas ainda assim merecia a morte.
Além deles, havia a recém-promovida Terceira Kizuki Superior, Meisho, e um espaço vazio para o Segundo Kizuki Superior, que ainda não havia sido preenchido.
E, claro, demônios comuns — mas mesmo esses haviam sido fortalecidos.
Agora, humanos e demônios se encaravam em meio a uma floresta.
Ao emergir, Luo Wen já estava cercado por seus quatro espíritos.
O confronto entre os dois lados era inevitável.
Muzan, ainda atordoado, não conseguia acreditar que Meisho havia sido morta tão facilmente. Sem ela, não havia como escapar usando as habilidades da Cidade Infinita.
Ele olhou para os espíritos ao redor de Luo Wen e sentiu um medo profundo. Tudo o que queria era fugir.
Por sorte, Luo Wen apareceu bem diante de Muzan.
Assim que o viu, Tanjiro explodiu de raiva:
— Muzan!
Ele avançou, mas Luo Wen o segurou pelo braço:
— Tanjiro, espere um pouco.
Mesmo furioso, Tanjiro obedeceu:
— Irmão Luo Wen…
Luo Wen encarou Muzan com um sorriso frio:
— Muzan, finalmente nos encontramos. Já ouvi muito sobre você. Aposto que agora só pensa em como escapar, não é? Ah, e você aí, escondida… pode sair. Comigo aqui, Muzan não vai a lugar nenhum.
Tamayo, que se aproximava sorrateiramente, ficou surpresa ao ser descoberta.
— Você deve ser o Sr. Luo Wen, correto? Muito prazer. Meu nome é Tamayo.
Ela surgiu das sombras, elegante como uma dama da alta sociedade. Tamayo havia sido essencial na batalha original contra Muzan, criando poções que transformavam demônios em humanos e impediam sua regeneração.
Desta vez, ela também estava pronta para agir, mas Luo Wen a interrompeu antes que pudesse fazer algo.
— Sr. Luo Wen, Muzan é um covarde. Se ele se dividir em milhares de pedaços, será difícil lidar com ele.
— Não importa quantas vezes ele se divida. — Luo Wen manteve o sorriso enquanto olhava para Muzan. — Você concorda, não é, Muzan?
Muzan não havia se dividido ainda por um simples motivo: medo.
Ele sentia que, se o fizesse, morreria ainda mais rápido.
Apesar do pavor interno, Muzan manteve a postura:
— Podemos negociar. Agora que existem demônios que suportam a luz do sol, posso me tornar um ser perfeito. Eu posso lhe dar a vida eterna. Por que ajudar esses caçadores?
— Vida eterna? — Luo Wen riu, dando um tapinha no Dragapult ao seu lado. — Meu amigo aqui, Dragapult, é do tipo Fantasma. Viver mil anos não é nada para ele.
— Ah, e já que mencionou… você está atrás da Flor Azul do Paraíso, não é? Ela só floresce de dia. Por mais demônios que você crie, nunca a encontrará.
Cada palavra era um golpe no orgulho de Muzan.
Tudo o que ele almejava há séculos, Luo Wen tratava como algo insignificante.
E a revelação sobre a flor? Ele havia desperdiçado mil anos à procura de algo impossível.
Mas Luo Wen ainda não havia terminado:
— E, para ser sincero… você é patético.
— CALE-SE! — Muzan perdeu a compostura.
Era exatamente o que Luo Wen queria.
Seu rosto endureceu, e ele ordenou:
— Dragapult, hora de agir.
Muzan sentiu o perigo iminente.
— Todos, protejam-me! Kokushibo! Hantengu!
Ele gritou, ordenando que seus subordinados o defendessem.
Os demônios obedeceram, avançando.
Os caçadores se prepararam para interceptá-los, mas Luo Wen os impediu:
— Deixem que venham.
Ele não queria que ninguém roubasse a experiência dessas mortes.
Alguns hesitaram, mas Kagaya Ubuyashiki apareceu e confirmou:
— Deixem isso com o Sr. Luo Wen.
Sem resistência, os demônios se agruparam em torno de Muzan.
— Perfeito.
Luo Wen sorriu. Agora, estavam todos juntos.
— Dragapult, Aegislash. Podem começar. Mas não matem todos de uma vez.
— Dra!
— Slash! — Aegislash mudou para sua forma de espada.
Num instante, os dois espíritos agiram.
Dragapult tornou-se um vulto, atravessando os demônios com velocidade inalcançável. Até Kokushibo, o Primeiro Kizuki, foi ultrapassado sem reagir.
Kokushibo questionou sua própria existência.
Ele se tornara um demônio para superar seu irmão… mas ainda era fraco. E agora, estava prestes a morrer.
Nada disso importava.
A energia vital dos demônios foi drenada rapidamente, deixando-os incapacitados.
Dragapult e Aegislash pousaram ao lado de Muzan.
Ele tentou se mover, mas algo o prendia no lugar.
Era Hatterene, usando seus poderes psíquicos para imobilizá-lo.
E então, a vida de Muzan começou a ser sugada, gota a gota.
Sentindo sua força se esvaindo, Muzan ficou ainda mais aterrorizado. Ao ver que Luo Wen não havia matado os demônios, balbuciou desesperado:
— Você não os matou... Entendi! Você ainda deseja a vida eterna, não é? Se me soltar, eu lhe darei a imortalidade...
Luo Wen ergueu a mão, interrompendo-o:
— Muzan, você entendeu errado. Não os eliminei porque quero que você faça uma coisa por mim.
— Qualquer coisa! Eu faço! — Muzan não ousou recusar.
Com um sorriso tranquilo, Luo Wen continuou:
— Algo muito simples. Quero que você tome um solzinho.
O rosto de Muzan congelou instantaneamente.
Tomar sol? Era o mesmo que pedir sua morte!
— Preparei algo especial para você. Espero que goste.
Para isso, ele havia pedido a Duolong que aprendesse duas habilidades especiais: "Dia Ensolarado", que transformava a noite em dia com sol intenso, e "Raio Solar", um ataque que concentrava a energia da luz solar.
— Duolong, use Dia Ensolarado! Muzan, aproveite bem!
Num instante, a luz do sol inundou tudo.
[Capítulo 40: O Fim dos Demônios, Recompensas]
Com o uso da habilidade, a noite se transformou em pleno dia.
— Sol?! Por que há sol à noite?! — Muzan, já à beira do pânico, perdeu completamente o controle ao ver sua maior fraqueza materializada diante dele.
Sob a luz solar, todos os demônios começaram a se desintegrar. Alguns, como Hantengu, Gyokko e Kaigaku, entraram em desespero.
Hantengu choramingava:
— Não... por favor, não...
Gyokko lamentava:
— Ainda não mostrei minha arte para todos... como posso morrer agora?
Kaigaku suplicava:
— Acabei de me tornar um demônio! Não quero morrer! Zenitsu, me salve! Eu nem comi ninguém! Me ajude!
Zenitsu, que estava próximo, sacou sua espada sem hesitar e decapitou Kaigaku.
— Se tornou um demônio? Então morra. — Sabia que, pelas regras dos Caçadores, se Kaigaku vivesse, seu avô pagaria o preço. Ele não permitiria isso.
Kokushibo, porém, manteve a calma. Enquanto seu corpo se dissipava, observou seu reflexo na lâmina:
— Que criatura grotesca... Faz quanto tempo que não vejo a luz do sol? Eu só queria ser como você... Yoriichi...
Já o par de irmãos, Daki e Gyutaro, encaravam o fim de modo diferente. Gyutaro abraçava a irmã, tentando protegê-la da luz:
— Não tema, eu te protejo... não tema... Ume...
Sob o sol, ele finalmente se lembrou do verdadeiro nome da irmã — não Daki, mas Ume, nome que carregava a doença de sua mãe.
Transformada de volta à sua forma humana, Ume chorava:
— Irmão... não quero morrer...
Mas quando se deram conta, já estavam diante da encruzilhada: de um lado, as chamas do inferno que aguardavam Gyutaro; do outro, a luz do paraíso para Ume.
Gyutaro sorriu aliviado. Ao menos sua irmã, que tanto temia o fogo, não precisaria acompanhá-lo no sofrimento eterno.
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