Era o Rogério pilotando um tanque Hidra de reserva, espremido no apertado compartimento do motorista. Com os conhecimentos acumulados de anos servindo ao Culto Mechanicus, ele manobrou a torreta e abriu fogo contra os inimigos.
Essa era uma das raras vezes em que ele atacava outros seres vivos de forma deliberada. Desde que ganhara consciência como ser vivo, nunca mais fizera algo assim.
Mas agora, ele lutava por seus amigos!
As armas múltiplas do tanque Hidra cuspiam bolas de fogo incandescentes, cobrindo a plataforma de defesa Skyfire com pedaços de carne e sangue.
Taylor ficou boquiaberto diante da repentina reviravolta. Então, avistou o soldado mecânico saindo rapidamente do tanque.
— Ouçam bem — Taylor disse aos outros. — Se alguém perguntar, todos concordam que foi a Irmandade de Roland que operou o tanque Hidra.
— Se questionarem, digam que foi a benção do Imperador — que ele milagrosamente apertou o gatilho, destravou a segurança e ainda mirou direito.
— Mesmo que seja impossível.
— Ainda é mais plausível do que admitir que encontramos um Homem de Ferro...
[Próxima semana: o lançamento oficial! A trama avança para a 13ª Cruzada Negra, com nosso mais forte, mais épico e mais invencível Senhor da Guerra!
Abaddon, o Despojador, pode estar prestes a aparecer...]
Capítulo 87: O Culto Mechanicus das Trevas (Parte 1)
Transportadoras desciam sob nevascas intensas, despejando soldados de Krieg no porto estelar.
Rotas seguras eram um recurso precioso, e agora estavam firmemente nas mãos da Guarda Imperial.
As aeronaves Valkyria de Krieg voavam rente ao solo, eliminando metodicamente os híbridos Genestealers que ainda infestavam o local. Os que se escondiam dentro dos prédios eram massacrados pela estratégia de números dos soldados de Krieg.
Pela primeira vez, Taylor conseguiu identificar uma expressão nos rostos impassíveis dos Genestealers puros. Quando centenas de soldados, sem medo da morte, investiam contra eles, cada um carregando o mínimo necessário para matá-los, o primeiro Genestealer já caía no trigésimo ataque, dilacerado por explosivos.
Em poucas horas, os vinte Genestealers puros no porto foram eliminados, com uma taxa de baixas de 25 para 1.
A abordagem de Krieg era o oposto completo da de Taylor. Uma única brigada podia ter cem mil homens, exigindo apenas o mínimo de suprimentos: água e comida, mesmo que de má qualidade, apenas o suficiente para manter o corpo funcionando.
— "Andarilhos da Morte" — Taylor lembrou-se do apelido dado aos soldados de Krieg. O título era merecido, tanto por suas façanhas quanto por seu estilo implacável.
Desta vez, Taylor foi convidado para o planejamento tático. Ele sempre participava — os oficiais já sabiam que, no final, ele inevitavelmente se tornaria o centro das atenções no campo de batalha.
Ao bater na porta da [Sala de Relíquias], um oficial de Krieg o recebeu: sobretudo, máscara de gás, cinto tático. Todos os outros oficiais na sala estavam igualmente uniformizados.
Eles se reuniam em torno de uma mesa comprida, com um mapa tático recém-impresso ainda úmido de tinta, peças representando tropas e marcadores para anotações.
Em silêncio, os soldados de Krieg atualizavam o mapa com informações do rádio. A atmosfera na sala era tão tensa que podia sufocar.
Taylor sentiu-se como um intruso. Sua atenção vagou para os cantos da sala, onde objetos de devoção ao Imperador se acumulavam: ornamentos, decorações, fios espalhados.
Ele começou a divagar, imaginando se aquela oficial de Krieg que conhecera antes ainda estava viva. Afinal, já se passara meio ano desde Amagedon.
Será que ela cortara aquele lindo cabelo loiro?
Quando Taylor voltou a si, a reunião já terminara — rápida, como tudo que os Krieg faziam. A sala já estava quase vazia, restando apenas uma oficial.
— A reunião acabou — ela disse, com uma voz que Taylor reconheceu. — Decidimos construir uma ferrovia para manter os suprimentos e tomar os postos inimigos.
Parecia que ela sabia que Taylor não prestara atenção.
Taylor sentiu um calor no rosto. Há pouco, estivera imaginando coisas sobre ela, e ali estava ela, na sua frente o tempo todo.
Olhou para a patente no peito dela: Coronel. Se ele não tivesse recusado promoções, talvez também estivesse nesse nível.
Mas Taylor não queria fama ou glória. Ele só queria um lugar tranquilo para viver em paz nesse universo perigoso.
Pensar nisso agora parecia falta de ambição, mas, no fundo, era um sonho que poucos conseguiam realizar.
Viver confortavelmente nesse universo sombrio já era um luxo. Taylor nunca deixara esse desejo crescer demais.
Nisso, ele e os Krieg eram iguais: ascetas nos anos mais sombrios da humanidade, servindo ao Imperador com suas próprias convicções.
Taylor suspirou.
— Podemos morrer.
A oficial de Krieg apenas respondeu:
— Ainda tem café?
— Sem açúcar ou leite desta vez.
Taylor preparou o café Rekka, amargo o suficiente para despertar os mortos — rivalizando apenas com o infame chá Tanna, outra bebida popular entre os oficiais por seu efeito revigorante.
A oficial de Krieg removeu o capacete e a máscara.
Seu cabelo loiro estava mais comprido agora, chegando aos ombros — normalmente preso para não atrapalhar em combate.
Soltos, os fios brilhavam contra sua pele pálida, e por um instante, Taylor ficou sem palavras.
Ela parecia uma elfa.
Mas, neste universo, até os elfos eram loucos.
Capítulo 88 – A Mecânica Sombria, Parte 2
— Na verdade, parece ainda mais...
Taylor soltou um riso amargo e perguntou:
— Por que você não cortou?
A senhorita Kreig acariciou suavemente os próprios cabelos.
— Porque da última vez você não tirou os olhos de mim. E desta vez também não.
— E isso é a única coisa que posso fazer por você.
— Mesmo que não seja um sacrifício exigido pelo Imperador, nem nada grandioso.
— É minha forma de agradecer por ter salvado meus irmãos de armas. Mas, pelo visto, o presente parece ter sido fraco demais.
— Ou você prefere moedas do Trono?
Taylor balançou a cabeça.
— Não. Estou satisfeito.
Ele sabia que, para uma soldada de Kreig, abrir mão da praticidade no campo de batalha era um sacrifício enorme. Para alguém criada apenas para morrer, sua única utilidade era a morte, o combate e… reprodução. Manter os cabelos compridos já era um ato de coragem e gratidão. Isso, por si só, bastava.
Mas, então, Taylor pegou sua faca Catachana e, com um gesto decidido, cortou uma grande parte daqueles fios dourados, que caíram no chão. A jovem de Kreig ficou perplexa.
— Você... não gostou?
Taylor respondeu:
— Porque eu não quero que você morra. Se isso pode aumentar em um mínimo as suas chances, a beleza pode esperar.
— Mesmo sabendo que uma Krieger nunca se aposenta...
— Talvez eu possa usar minha influência para libertá-la de seu dever. Mas você aceitaria?
Ela sacudiu a cabeça com firmeza.
— Jamais. Minha vida pertence ao Imperador.
Taylor sorriu, amargo.
— Desculpe. Não quis insultar sua fé...
Esfregou a própria cabeça, desviando do assunto desconfortável, e então colocou seu capacete nela, dizendo:
— Quantas vidas serão sacrificadas neste ataque?
— Todas. Incluindo eu.
Taylor respirou fundo.
— Eu não acredito nessa ideia de que o sacrifício é a base do Império.
— Há sempre um jeito melhor.
Pensou um pouco e então falou:
— Você pode me passar o comando do porto estelar?
— Vou transformar este lugar numa fortaleza. Nem o Deus-Máquina conseguiria invadir. Nisso, eu sou especialista.
A Krieger respondeu, sem emoção:
— Sim, senhor.
Mas, para sua surpresa, Taylor percebeu um traço quase imperceptível… de riso em sua voz.
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Nos últimos dias, a fama duvidosa de Taylor havia lhe rendido certos privilégios. No entanto, agora ele começava a se arrepender da promessa feita àquela mulher, dizendo que tornaria o porto estelar "inexpugnável".
Afinal, o melhor ataque era a defesa – e não existia fortaleza que não pudesse ser invadida. O que nunca envelhecia era a guerra relâmpago.
Mas, curiosamente, Taylor sempre foi pessimista demais.
A situação atual do planeta era um triângulo de forças: a Mecânica Sombria, os Ladrões de Genes e as forças do Império, todas se atacando mutuamente. Os recentes combates intensos tinham surgido justamente porque a Guarda Imperial havia quebrado esse frágil equilíbrio.
Um comandante experiente teria começado a cavar trincheiras, expandir posições, pedir reforços e preparar uma "pequena" guerra defensiva – com duração mínima de três anos, talvez uma década.
Mas Taylor não percebia isso. Para ele, os combates insanos que enfrentava – suficientemente brutais para deixar qualquer oficial de elite do Império de cabelos brancos – eram o novo normal.
Então, ele ergueu sistemas de defesa complexos, interligados, quase exagerados. Colocou armadilhas entre os obstáculos, trincheiras atrás de linhas de artilharia, tropas de elite espalhadas como vigias. Construiu ferrovias para suprimentos e fechou todos os pontos fracos imagináveis.
E não parou por aí.
Começou a educar a população local, ensinando que o "Deus dos Quatro Braços" não era a resposta. Atacou a propaganda dos Ladrões de Genes com campanhas mostrando como seu sistema de "família" era apenas incentivo a relações incestuosas, transformando tudo em vídeos didáticos e distribuindo-os por toda parte.
Treinou civis para construir defesas, cavar trincheiras, usar armas e formar patrulhas.
E, com tanto esforço, o resultado foi inevitável: os moradores perderam a confiança nos Ladrões de Genes e formaram milícias, dispostos a defender suas propriedades.
Contra a Mecânica Sombria, ergueu postos de observação ao redor do porto estelar, mantendo alertas constantes para qualquer sinal de aproximação. Assim, as tropas de Kreig poderiam atacar sem preocupações.
Após dias de trabalho exaustivo, Taylor tomou um gole de café e resmungou:
— Isso está tão longe da minha aposentadoria planejada que chega a ser engraçado.
Olhou para as pilhas de relatórios e planos em sua mesa, todos em andamento – graças à sua infame reputação. O nome "Taylor" já era conhecido em todo o setor. Matador de xenos, exterminador de hereges, sobrevivente de Armageddon…
Até os cidadãos mais ignorantes do Império já haviam visto seu rosto estampado em cartazes de recrutamento. Por isso, quando os colonos resistiam, bastava Taylor aparecer e sorrir daquele jeito marcante – o mesmo das fotos – para transformá-los em admiradores instantâneos.
Era um dos poucos lados positivos daquela situação irritante.
Observando os mapas e documentos, Taylor suspirou.
— Quase me sinto como o próprio Guiliman...
Naquele momento, a senhorita Katy entrou na sala, carregando uma pilha de papéis.
— Chefe, Guiliman? O verdadeiro Guiliman?
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