Tradução pronta Dedicate loyalty to the good empire / Dedique lealdade ao bom império: Capítulo 52

Capítulo 82 - O Deus das Máquinas, Parte 3

— Muito bom.

Não era a primeira vez, e certamente não seria a última. Agora, ele precisava admitir: sua sorte era péssima.

O comandante se virou para o Sábio, que permanecia em silêncio.

— Você sabe que estamos tentando o impossível, não é?

O Sábio respondeu, impassível.

— Mas sacrifícios são necessários.

Tecais resmungou, irritado.

— Então por que não é você quem se sacrifica?

O manto vermelho do Sábio estremeceu de raiva.

— Porque sou um Sábio Soberano. Eu controlo todas as tropas.

Tecais suspirou, resignado.

— Então pelo menos nos dê armas e equipamentos.

— Você sabe melhor do que ninguém que nossas chances de sobreviver são mínimas.

O Sábio não respondeu, e os oficiais se retiraram.

Enquanto isso, Taylor mal conseguia acreditar na sua má sorte. Primeiro, se envolveu com demônios. Depois, chamou a atenção dos Enxames. E agora, ainda tinha que lidar com os Adeptus Mechanicus traidores.

Até os Marines Espaciais não eram usados assim! Ele era apenas um soldado da Guarda Imperial, mas parecia destinado a enfrentar os piores pesadelos da galáxia.

E, para piorar, agora até incluíam ele nas reuniões de estratégia!

Taylor balançou a cabeça, murmurando para si mesmo.

— Poderia ser pior.

Procurando um pouco de conforto, ele encontrou a soldado Ratling e decidiu almoçar. A única boa notícia era que, por estar perto de um mundo agrícola, a comida ali era barata.

Mundos do Mechanicus também tinham muitos humanos — alguns, familiares dos tech-priests; outros, futuros servos-máquinas. Dependia do seu status. Mas, pelo menos, isso significava que havia comida circulando.

Algumas fatias de carne, uma panela de ferro e a companhia de uma Ratling simpática. Um almoço quente era o suficiente para afastar boa parte do desânimo.

Taylor não sabia como sobreviveria ao amanhã, mas uma coisa ele tinha certeza: seu estômago não podia ficar vazio.

Quando um empadão de carne, com casca feita de amido, foi colocado à mesa, Taylor pegou seus talheres. Mas, antes que pudesse cortar o primeiro pedaço, ouviu um barulho estranho.

— Slurp…

Ignorando, ele cortou o empadão, perfumado e dourado. O som ficou mais alto.

— ?

Ele olhou para o lado. Lá estava uma tech-priest de robe vermelho, cabelos loiros até as orelhas, pele clara e lábios rosados, babando sem parar.

Ela tinha poucas modificações mecânicas, sinal de baixo escalão. Com uma voz infantil e entre sons de saliva, ela disse:

— Senhor, seus equipamentos… slurp… chegaram…

Enquanto enxugava a boca, ela explicou que seria a nova técnica mecânica designada para o grupo. Taylor, "generosamente", ofereceu parte do seu almoço — a garota parecia não comer há dias.

Quando ela estendeu a mão, já modificada com garfo e faca integrados, Taylor teve um pensamento:

Será que seu pelotão tinha algum tipo de ímã para pessoas… peculiares?

Ela comia como um pequeno roedor. Na memória de Taylor, os tech-priests tratavam comida apenas como combustível para manter o corpo funcionando.

Só os menos modificados ainda precisavam se alimentar. Os mais avançados preferiam combustíveis mais eficientes, como promethium ou energia pura — as verdadeiras bênçãos do Deus das Máquinas.

Enquanto isso, Taylor abriu os pacotes de equipamentos. Munição, uma boa arma de urânio empobrecido (perfeita para a Ratling usar como sniper), e até combustível e bolters para Frankstein.

Surpreendentemente, eles enviaram cinco caixas. Normalmente, Tecais tinha que implorar para conseguir uma — com míseras 200 balas.

— Esses adoradores de máquina são mesmo ricos…

Ele passou os dedos pelos equipamentos, quase babando. Aquilo tudo poderia salvar suas vidas.

Mas sua euforia foi interrompida quando a tech-priest começou a explicar, com seriedade, os procedimentos de manutenção das armas.

De repente, ela se aproximou, olhando para a pistola de plasma de Taylor enquanto mastigava algo.

Engolindo, ela disse:

— Esta arma já desenvolveu um Machine-Spirit. Armas individuais como essa precisam de anos de uso e cuidado para alcançar isso. E esta ainda é jovem…

Taylor refletiu. Talvez fosse porque ela já tinha matado muitos xenos.

Geralmente, Machine-Spirits só surgiam ao lado dos mais leais. Mas, olhando para seu pelotão, ele não via nenhum traço de "lealdade" por ali.

A tech-priest então começou a recitar cânticos binários, queimando incenso para finalizar a cerimônia de entrega.

Para Taylor, tudo isso era desnecessário.

Os rituais do Mechanicus e suas burocracias sem fim não eram algo para se orgulhar.

— O Imperador cometeu um erro ao deixar essas tradições…

Ele suspirou e, diante da tech-priest, jurou cuidar da arma como se estivesse fazendo votos de casamento. Só depois de uma ladainha inteira ela ficou satisfeita.

— Agora, se eu arrumar uma esposa de verdade, vai ser considerado adultério…

Depois de lidar com as complicações típicas do Mechanicus, Taylor subiu nos altos muros da cidade, feitos de adamantium e repletos de armas pesadas e membros do Culto Mechanicus, parados como estátuas.

Com um binóculo, ele observou a paisagem. Se é que podia chamar de paisagem.

A terra, rachada pela exploração excessiva, até tinha certa beleza. O resto era apenas metal e mais metal.

— Até um cenário cyberpunk pareceria um paraíso perto daqui…

As grossas paredes de metal dos spires bloqueavam a poeira externa. Mas, com ruas estreitas e coisas estranhas surgindo a qualquer momento, o lugar era sufocante.

Para Taylor, a única boa notícia era que ele não precisava enfrentar um demônio. Pelo menos, não ainda.

Já as más notícias eram muitas: a guerra civil do Mechanicus, a corrupção do Caos e os ladrões genéticos.

Qualquer um deles poderia destruir um mundo sozinho. Juntos, eram um presente especial para Taylor.

Cada um com suas habilidades únicas, determinação e resistência acima da média entre os inimigos do Império.

Taylor coçava a cabeça, sem entender como poderia sair dali. Hordas de ladrões genéticos e hereges da Mecânica bloqueavam o porto estelar. Antes de limpar aquela escória rebelde, ele nem conseguiria embarcar no transporte que tanto desejava.

O Primeiro Grupo de Redenção de Skadi era pequeno, composto apenas por veteranos, e só conseguira chegar ali com muito esforço, abrindo caminho por várias frentes. Qualquer reforço teria que passar pelo mesmo porto estelar...

Taylor estava à beira de um ataque de nervos!

— Talvez eu nunca devesse ter deixado a nau de cruzeiro imperial... — murmurou, arrependido.

Mas agora tinha que priorizar as ameaças.

Os ladrões genéticos eram o maior perigo - quem sabia quando seus líderes psíquicos chamariam o Devorador de Mundos?

Depois vinha a Mecânica Herética, com seus artefatos sagrados e controle dos portos.

Por fim, os remanescentes das forças do Caos.

Taylor suspeitava que os hereges da Mecânica estivessem por trás dos ladrões genéticos. Como meros plebeus conseguiriam tanques Hidra, mesmo que velhos?

Ele rezava para que aquela Hidra fosse apenas um malfeito consertado pelos mutantes, sem envolvimento de facções ocultas.

Com a chegada da Guarda Imperial, talvez a situação mudasse...

Um disparo quase atingiu sua já castigada cabeça. Taylor puxou um soldado da Mecânica como escudo humano logo antes de um estrondo.

— Protejam-se! — gritou.

Duas horas depois, escondido atrás de um muro, Taylor observava os cadáveres dos soldados da Mecânica enquanto inspecionava sua arma repetidamente.

Os escudos virtuais cintilavam como fogos de artifício sob o bombardeio pesado - uma celebração macabra de sua morte iminente.

Hordas de mutantes deformados avançavam sob o comando de seus hierarcas, apenas para serem ceifados pela disciplina de fogo da Mecânica.

O rugido das armas automáticas já durava uma hora, suficiente para estourar seus tímpanos.

Agora, os ladrões genéticos vinham com tanques Leman Russ e Basilisks. Se não fossem os escudos da fortaleza da Mecânica, tudo já seria cinzas.

Era irônico. Tinham tantos veículos imperiais, mesmo com as modificações toscas para disfarçar. Taylor, como especialista, sabia que aquelas armas eram novas.

Era óbvio: a Mecânica Negra colaborava com o inimigo. Agora enfrentavam ladrões genéticos pesadamente armados.

— Idiotas! — rosnou Taylor. — Entregar armas a esses mutantes é suicídio!

Três figuras escalaram o muro.

Taylor conhecia bem aquilo.

Ladrões genéticos - seus velhos "amigos". O flagelo das cidades-colmeia, capazes de dizimar até Terminators.

Seus corpos quitinosos estavam revestidos de cerâmica à prova de balas, com garras de escalada. Já eram horríveis antes, mas com aquelas armaduras ficaram ainda mais sinistros.

Desprenderam as garras com movimentos fluidos, treinados, e fitaram Taylor com olhos repulsivos.

— Droga! Como armaram essas coisas? — praguejou, empunhando sua Lho Cleaver.

— Já matei vermes piores... — disse, mas sua voz trêmula e pernas bambas contradiziam a bravata.

Os mutantes atacaram num piscar de olhos. Os soldados da Mecânica sacaram armas brancas, mas a maioria caiu instantaneamente. Alguns oficiais, veteranos ou familiares da Mecânica, reagiram melhor, mas não durariam.

Quando chegaram ao posto 15, Taylor já tinha um plano.

Os ladrões genéticos subestimavam a Guarda Imperial, considerando-os frágeis diante dos corpos metálicos dos soldados da Mecânica.

Nesse mundo de forja, até os mutantes acreditavam na fraqueza da carne humana. Seu culto pregava a modificação corporal, acreditando que o Imperador de Quatro Braços lhes daria poder.

Quando o primeiro ladrão genético puro nasceu nos esgotos, foi celebrado como o primeiro passo para a salvação.

Agora, esses "Santos" massacravam os soldados mecânicos, alimentando o fervor dos cultistas.

Até que um tiro arremessou um "Santo" para trás, seguido por um disparo certeiro de rifle de urânio.

[Capítulo 83: O Nojento Exoesqueleto, Parte 1]

Os sequestradores genéticos mostraram medo quando entenderam, pela primeira vez, que carne e osso não significam fraqueza. Pela primeira vez, vacilaram diante dos veteranos do Império.

— Eles estão usando os corpos dos soldados mortos como escudo! — gritou alguém no campo de batalha, vozes misturadas ao barulho dos tiros.

Os criaturas espertinhas se agarraram aos cadáveres dos soldados da Igreja Mechanicus, na esperança de sobreviver. Mas então veio o estrondo.

— MECHA INCOMING! — ecoou um alerta pelo rádio, segundos antes do impacto.

Um veículo blindado colossal arremessou-se contra eles como um meteoro. Os sequestradores voaram como pinos de boliche, despedaçados pelo choque que chegou sem aviso. Corpos se espatifaram no chão, enquanto o tanque avançava sem piedade, deixando para trás apenas sangue e ossos esmagados.

— Limpeza concluída — anunciou o operador do veículo, enquanto engatava a ré. O cheiro de óleo queimado e ferro doce enchia o ar. Eles aprenderiam: o Império não tinha misericórdia para traidores.

http://portnovel.com/book/29/4555

Discussão do capítulo:

Ninguém comentou ainda...
Para comentar Faça login ou Cadastre-se