Mas ao avistar o lobo selvagem agachado no teto do Frankensteyn, seu coração inseguro pareceu encontrar um leve sussurro de paz.
Aquela familiaridade tranquila de velhos companheiros de guerra...
Em seguida, Taylor ajustou o exagerado chapéu de chefe ork, endireitou as costas e ergueu sua catana militar Khet apontando para o céu.
Ao seu lado, o Astartes em pé e sua postura espiando pelo teto do veículo compunham uma cena bizarra. O Frankensteyn acelerado liderava a frota, cercado por incontáveis veículos e aeronaves verdes que avançavam aos gritos.
— WAAAAAAGH! — Taylor gritou, misturando vergonha, raiva e medo numa explosão tão alta e clara que qualquer ork entenderia na hora.
Ele era MUITO Waaagh!
O Lobo de Fenris não resistiu a uma risada.
— Ahaha, que cena! Principalmente esse seu chapeirão!
E então, o grandalhão humano também soltou seu berro, usando aquela voz gutural típica de Fenris:
— WAAAAGH!
Nos fundos, um sargento dos Ultramarines observava as imagens do servo-crânio, esfregando a testa.
— Não contem isso pra ninguém. Ou todos nós estamos mortos!
Os oficiais do Império assentiam como crianças repreendidas. Afinal, tinham acabado de testemunhar um Astartes gritando Waaagh! — só de mencionar, já era o suficiente para a Inquisição considerar fuzilá-los!
Mas havia um lado bom: os orks estavam verdadeiramente INSPIRADOS. As linhas de defesa dos cultistas ruíram diante da horda verde com moral nas alturas.
Carroças enferrujadas, até tanques Leman Russ e canhões voadores Thunderhawk modificados lutavam além do esperado.
Os cultistas haviam erguido três pesadas linhas defensivas — trincheiras emaranhadas, conectadas por túneis, com fortalezas espalhadas como pregos em pontos estratégicos. A artilharia chovia, misturando verdes e hereges numa mesma explosão.
No começo, os orks haviam varrido as defesas externas... até os cultistas começarem a entoar cantos estranhos. Seus corpos incharam como balões...
— PUM! PUM! PUM!
Taylor ficou boquiaberto.
— Eles fazem QUALQUER COISA por seus deuses absurdos...
O Lobo de Fenris revirou os olhos.
— Nojento.
Taylor encarou a cena de corpos explodindo em pasteis de carne.
— Concordo.
A Inquisidora cruzou os braços.
— Os orks... estão sendo contidos? Esses lunáticos não temem a morte?
Taylor deu de ombros.
— Parece que não...
Mas ele sabia que essa comédia não duraria.
Porque a Legião de Ferro de Armageddon chegava.
Centenas de transportes Chimera e tanques imperiais surgiram entre as hordas verdes, seus canhões trovejantes e metralhadoras multilaser cortando os hereges como grama. Os veículos orks atraíram o fogo inimigo, permitindo que as forças humanas avançassem quase intactas.
Uma cooperação perfeita: os orks ganharam seu Waaagh!, os humanos, a vitória.
Até que...
Quando os Land Raiders vermelhos surgiram no horizonte, Taylor sentiu o primeiro calafrio.
Eles escoltavam algo IMPOSSÍVEL — um monstro de 15 metros de comprimento, três vezes maior que um tanque normal. Blindagem grossa, casco inchado, armas que pareciam pequenas fortalezas...
A pintura negra exibia a estrela do Caos de oito pontas, pulsando com luz profana.
Era...
As pernas de Taylor fraquejaram. O Lobo de Fenris assobiou, impressionado.
— Que máquina linda...
Um Baneblade.
O supertanque imperial, uma das maiores dádivas do Deus-Máquina... e a segunda maior máquina de guerra terrestre do Império, perdendo apenas para os Titãs.
[Capítulo 74: Aliança Frágil — Parte 3]
Agora, os Land Raiders e o Baneblade formavam uma muralha no topo da colina — posição perfeita para varrer tudo num raio de 10 km.
Desde que seus operários soubessem o que estavam fazendo.
Mas mesmo sem expertise, aqueles canhões vulcano e metralhadoras pesadas eram suficientes para deter um exército dez vezes maior.
Eles agiram como um "cessar-fogo físico", congelando instantaneamente a batalha. Orks cavavam trincheiras às pressas, enquanto a Guarda Imperial montava barricadas e canhões antiaéreos. Russes e Chimeras transformaram o local numa fortaleza...
Mas dentro dos quartéis-generais, o pânico reinava.
Um Baneblade nas mãos do Inimigo era um golpe brutal no moral. A máquina mais próxima dos Titãs sagrados... agora servia ao Caos.
Um Alto Tecno-sacerdote se aproximou, seus três braços mecânicos tremendo em fúria. Sua voz robótica rangia:
— Ô ÔMNISSIAH! BLASFÊMIA! PURA BLASFÊMIA!
(Taylor "traduziu" mentalmente aquele sotaque mecânico digno de um Necron.)
As lentes ópticas do sacerdote piscavam frenéticas, enquanto ele esbravejava contra os oficiais:
— Como permitiram que profanassem uma DÁDIVA SAGRADA?!
Um major da Legião de Ferro explicou, sufocado:
— No início da invasão, nosso pessoal do arsenal foi corrompido. Quando descobrimos, o Baneblade já estava sendo levado por aeronaves hereges!
Tychus (o Astartes) cruzou os braços.
— E porque isso foi omitido? Estão brincando com a vida de nossos soldados.
— PELO IMPERADOR! — O major esfregou o rosto. — Não foi por falta de fé. Apenas... jamais imaginamos que conseguiriam ativar o Baneblade tão rápido.
— Aquele tanque tem a alma metálica mais orgulhosa do Império. Só perde para um Titã!
A conversa estava levando a um ponto que ninguém queria encarar: a temida Seita Mecânica das Trevas.
Desde os tempos em que o Imperador ainda caminhava entre os humanos, o Culto Mecânico havia se dividido durante a grande invasão dos demônios. Parte deles permaneceu leal ao Imperador, seu Omimessias, enquanto outros mergulharam na busca por conhecimento sem limites, corrompidos e transformados na Seita Mecânica das Trevas.
— Só esses hereges poderiam corromper uma máquina sagrada tão rápido... — pensou Taylor, sentindo que pronunciava algo profano.
Era como se uma santa fosse sequestrada e voltasse como uma demônia para atacar aqueles que um dia a protegeram. Mas a corrupção de um tanque Baneblade não era algo tão simples.
Seu canhão principal equivalia a um projétil maciço — Taylor tinha visto, em combate, um único disparo partir um tanque Leman Russ ao meio. Seus canhões secundários eram armas de cerco, capazes de reduzir muralhas a pó e centenas de homens a pedaços de carne.
A diferença entre um Baneblade e um Leman Russ era maior do que a entre um humano comum e um Astarte.
Mas Taylor já havia superado o choque. Entre a invocação de demônios e um Baneblade traidor no caminho, o desespero havia tomado conta dele.
O posto de comando estava uma confusão total, líderes humanos e chefes orkos trocando insultos, sem saber se iam começar uma briga generalizada ou continuar reclamando.
Taylor, vendo que a situação ia descambar para o caos, percebeu que, se não fizessem algo, Angron os exterminaria um por um.
Eles não tinham um primarca como Lion El'Jonson, dos Anjos Negros, para salvá-los. Estavam enfrentando uma guerra quase apocalíptica.
Com um golpe na mesa, ele chamou a atenção de todos. Os orkos cochicharam entre si:
— Nunca vi o chefe com cara tão séria...
Os oficiais humanos, por sua vez, ficaram impressionados com a postura de Taylor, quase como a de um marechal da Guarda Imperial, e instintivamente se alinharam, fazendo a saudação militar.
Mas Taylor não disse uma palavra. Apenas saiu em silêncio, deixando para trás um ar de frustração.
Dentro da tenda de comando, um oficial suspirou:
— O que estamos fazendo? Se o Imperador nos visse assim, acharia que falhamos completamente...
— Estamos deixando ele down! Brigando como bárbaros enquanto os hereges agem livremente! — outro completou, olhando para os demais com desgosto.
O general, então, falou com firmeza:
— Como um soldado de Armageddon, eu até aceitaria que os orkos vencessem — afinal, lutamos contra eles por séculos. Mas jamais permitirei que esses hereges coloquem as mãos neste planeta!
Ele cravou sua espada na mesa, e os outros oficiais concordaram em coro.
— Acabem com os hereges!
Mas enquanto isso, o próprio Taylor, o "grande herói" que os inspirara, estava sentado em cima de seu Frankestein, desabafando com um Astarte dos Lobos Espaciais.
— Você não entende... Um simples mortal como eu sempre trava na hora H. Aquela situação foi constrangedora pra caramba...
— Eles não ligam — o Astarte riu. — Nossa única preocupação é como lutar. Esses oficiais não entendem nada.
Antes que Taylor pudesse reclamar mais, um mensageiro se aproximou:
— Todos, graças ao discurso inspirador do Capitão Taylor, o alto comando recuperou sua determinação!
— Agora, formaremos um esquadrão de elite com os Astartes para destruir aquele Baneblade. Se ele não é mais nosso, que descanse em paz! Pela vontade do Deus Máquina e do Imperador!
— E você foi escolhido para a equipe de infiltração! Essa é a vontade do Imperador!
Taylor quase cuspiu o álcool.
— Eu... fazendo trabalho de Astarte?!
[Capítulo 75: Noite Longa, Parte 1]
De repente, Taylor percebeu que todos o tratavam como uma unidade heroica. Mas ele sabia que não passava de um recruta — talvez nem fosse considerado um soldado de elite.
Agora, estava lado a lado com um Astarte em uma missão de infiltração.
Seu querido Frankestein não podia ser usado, e o mais absurdo era pensar: como um Astarte, um gigante de quase três metros, faria uma missão furtiva?
A menos que... como dizia o ditado: "se não há testemunhas, é uma infiltração perfeita".
E foi exatamente isso que Taylor viu acontecer.
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