— Se não fossem inimigos, eles são mais simpáticos do que eu imaginava — comentou a Inquisidora.
— Mas jamais podemos esquecer a lealdade. Tudo isso é apenas para lidar com os hereges. Quando a cooperação acabar...
Ela temia o surgimento de um Império Ork em Armageddon.
Taylor respondeu:
— Não, eles vão se matar uns aos outros para decidir quem será o novo líder.
Sentindo as vibrações de Frankenstein avançando, ele suspirou lentamente.
— Eu também não esperava que as coisas fossem assim... E eu sou só um coitado. Inquisidora, se a gente morrer, você acha que nossas almas vão para onde? O Grande Dragão Verde ou o Imperador?
Ela respondeu, só sorriu.
— Nós não vamos morrer.
Taylor franziu a testa.
— O Imperador te disse isso?
— Não. Minha confiança vem da sua coragem e inteligência.
— Por que você está falando de coisas que eu não tenho?
Ela só manteve aquele sorriso enigmático.
Foi quando o bombardeio dos Marines do Caos começou.
Taylor reconheceu a sensação — não era a primeira vez que levava bombardeio. Aquelas provavelmente eram as armas pesadas que haviam capturado. No fundo, a experiência era a mesma.
A frota de veículos acelerou sob o fogo inimigo, tentando escapar enquanto os hereges recarregavam apressadamente os canhões.
Kosorax surgiu de um lado da linha de frente, olhando para os veículos à distância, a mão firme no machado-serpente.
Era hora de acertar contas. Aquelas bestas verdes estavam se multiplicando, mas ele ainda se sentia confiante.
O acampamento dos Devoradores de Mundos estava posicionado ao lado de um imenso desfiladeiro vermelho, com apenas um flanco a proteger. Os feiticeiros lutavam para bloquear o Astronomican do Cadáver Imperador — se conseguissem quebrar a barreira que impedia o Caos de influenciar o mundo material, seu primarca banido poderia retornar.
Ele tinha que admitir: aquele humano havia causado muitos problemas.
Liderando um grupo de irmãos, ele avançou. Os Marines de assalto usavam mochilas a jato para cobrir distâncias rapidamente, saltando como abutres em busca de presas. Com machados-serpente e bolters, eles cortavam veículos orks e abatiam os que ficavam para trás.
Kosorax ergueu o bolter e acertou vários orks que voavam com suas próprias mochilas a jato.
O Cravo do Carniceiro em sua cabeça latejava de fúria. Ali estava o Frankenstein — como os batedores haviam dito, os orks protegiam aquela máquina peculiar.
Ela parecia tão insignificante, assim como aquele humano que havia ferido seu joelho. Duvidava que os orks se submeteriam a um sujeito tão patético.
Ele pegou uma bomba meltagun, pronta para destruir o Frankenstein, mas no último momento, uma dor psíquica familiar o atingiu.
Não cairia nessa de novo!
Mas um tiro de rifle atingiu sua mão, fazendo a bomba cair. Só um instante de hesitação, causado pelo poder psíquico.
Ele olhou para a origem do disparo — um atirador Ratling espiando por uma abertura no veículo, mira rápida como um rato.
— Pousem! — Kosorax rugiu, a voz distorcida pela raiva. — Vou lavar minha humilhação com sangue!
Com as mochilas a jato desacelerando, ele caiu no chão. Os servomotores da armadura roncaram enquanto erguia o machado-serpente, pronto para cortar o Frankenstein ao meio.
Mas o veículo, absurdamente resistente, o jogou para trás com um impacto brutal. Kosorax ficou pasmo.
— Isso não é um Chimera!
Antes que pudesse reagir, a lâmina frontal do Frankenstein perfurou seu abdômen. Por sorte, ele não era um guerreiro desajeitado — um veterano como ele sabia se virar.
Os propulsores jorraram chamas mais uma vez, arrancando pedaços de seus intestinos e sangue no processo, mas ele sobreviveu.
Enfurecido, Kosorax subiu no teto do Frankenstein e berrou:
— Saia agora!
Então começou a bater no teto com o machado-serpente, faíscas saltando em todas as direções.
Lá dentro, Taylor tremia.
— Porra, tem um maluco batendo no meu tanque!
Agora ele entendia porque os nobres das cidades-colmeia tinham tanto medo de revoltas. Só que, no caso, o "revoltoso" era um Marine do Caos.
Capítulo 71: Eu, Senhor da Guerra (Parte 5)
A guerra atingira seu auge. Metade dos orks já tinha virado pasta sob os pés dos hereges, enquanto o resto saltava dos veículos para o combate corpo a corpo.
O waagh! ensurdecedor, os gritos enlouquecidos dos orks e os cânticos dos cultistas de Khorne se misturavam em um caos infernal.
A cada momento, máquinas de guerra eram destruídas, verdes e humanos tombavam. O cheiro de sangue e pólvora alimentava o poder de Khorne — e Kosorax absorvia uma fração dele.
Sua lâmina ficava mais pesada. Seu senhor estava generoso.
Quando o Frankenstein emitiu um ruído agudo pelos sensores, Taylor gritou:
— Freia agora!
O veículo parou bruscamente, com um rangido metálico que doía nos dentes. Até mesmo um Marine do Caos, com botas magnéticas, foi arremessado para frente.
Kosorax caiu no chão tóxico, rolando na poeira radioativa. As entranhas expostas se enchem da porcaria característica de Armageddon.
Tossiu. Nem mesmo um Marine do Caos aguentava tanta radiação e veneno, principalmente com um corte gigante no estômago.
Mas ele se levantou, sem demonstrar fraqueza. Seu senhor o fortalecera.
Taylor, porém, ordenou:
— Recua!
O Frankenstein acelerou para trás, mas Kosorax ergueu o bolter e disparou, destruindo uma das esteiras. O veículo girou no lugar, como um compasso gigante.
Claro, vários orks sórdidos chegaram atraídos pelo cheiro de sangue. A maioria nem chegou perto de Kosorax antes de ser abatida por seus irmãos de Khorne.
Enquanto aplicava um medicamento no ferimento e a armadura injetava analgésicos, Kosorax recuperou a força.
A batalha continuava.
A voz rouca do Astartes transbordava de raiva ao questionar:
— Eu pensava que os guerreiros do Imperador não se misturavam com xenos. Olhe para você, fugindo, juntando-se a essas aberrações. Onde está sua honra? Onde está sua dignidade?
Taylor desceu cambaleando do veículo, tentando manter a compostura. Seu comportamento agitado, quase eufórico, deixou os orks verdes e os nerds do Pelotão 15 boquiabertos. Até a Inquisidora teve que reconhecer: era a primeira vez que via Taylor agir com tamanha seriedade. Será que só um Astartes do Caos conseguia despertar isso nele?
Kosolaxes deu uma risada selvagem.
— Isso! Agora sim!
Estendendo os braços, seus guerreiros do Caos ergueram as vozes ao redor, gritando em uníssono:
— Kosolaxes! Kosolaxes! Campeão dos Devoradores de Mundos!
— Escolhido de Khorne!
A voz deles equivalia a de mil homens. Os pulmões de um Astartes já eram capazes de rugidos aterradores, mas aquele coro em uníssono fez até os mais corajosos sentirem o coração parar por um instante.
Mas os gritos só inflamaram os orks ainda mais. Eles começaram a berrar, entusiasmados:
— WAAAGHBOSS!
— WAAAAAAGHBOSS!
— WAAAAAAAAAGHHHHH!
Taylor sentiu a vista escurecer. O que estava acontecendo? Desde quando isso virou uma arena de gladiadores?
[Olhando para o chefe dos Goffs]
— Ei, seu grandalhão, pare de ficar com inveja e vem aqui ajudar, pelo amor do...
[Virando-se para o chefe dos Astral Claws]
— E você, que sempre fala de etiqueta e astúcia, por que agora resolveu ser tão respeitoso?
O único que fez algo foi o mekboy dos Deathskulls, que arremessou uma motosserra surrada na direção de Taylor. Era a arma favorita do ork, mas havia um probleminha:
Aquela coisa era enorme demais para Taylor. Mal conseguia segurá-la com as duas mãos. Quem diabos usava uma motosserra para lutar?
E, para piorar, o komando ork ainda deu um polegar pra cima, como se dissesse: "Boa sorte, humano".
Taylor suspirou.
— Esses caras são um paradoxo. Quando querem, montam exércitos que fazem o Império tremer. Quando não querem... parecem Ogryns vestidos de palhaço.
Desesperado, ele buscou ajuda com os olhos nos seus companheiros. Mas, entre o medo e o desespero, sua expressão acabou parecendo determinada — como se dissesse:
— "Eu consigo."
E, para seu horror, seus irmãos de armas interpretaram exatamente assim. Vários até acenaram, orgulhosos.
— Não...
Sua última esperança era a Inquisidora. Ela tinha poderes psíquicos, devia estar sentindo seu pavor, certo?
— Ela SABE que eu não tenho chance, né?
Mas, quando seus olhos se encontraram, ela apenas franziu a testa, pensativa, como se dissesse:
— "Se é o Taylor, ele deve ter um plano."
— O que ela tá pensando?!
Sem saída, Taylor encarou o Astartes à sua frente. Mesmo ferido, o gigante ainda era capaz de esmagá-lo como uma formiga.
Sua armadura estava equipada com sensores avançados e servomotores potentes. Nas mãos, uma pistola bolter e aquela maldita motosserra — impossível de bloquear.
Taylor já conseguia se ver em pedaços.
— Imperador, me diga... O que eu fiz pra merecer isso? Será que ofendi Horus em outra vida? Matei Sanguinius? Convenci o Architraidor a cair no Caos?
— Eu devo ser uma reencarnação do Erebus...
Seu rosto estava tão sombrio que Kosolaxes perdeu a paciência.
— Chega!
Com um rugido, o Astartes atacou. Subestimando Taylor (e furioso por ter sido envergonhado por um mero humano), ele investiu com a motosserra.
No último instante, o instinto de sobrevivência de Taylor falou mais alto. Ele se esquivou por um triz, e a lâmina do Astartes apenas rasgou seu uniforme surrado — um trapo padrão do Departamento Munitorum.
— Que diabos?! — Kosolaxes olhou para a arma, incrédulo.
Taylor, em pânico, reagiu instintivamente. Disparou sua arma de plasma em rajadas, mirando no ferimento abdominal do Astartes.
Para espanto de todos, os tiros desferidos no desespero fizeram até um Devorador de Mundos recuar!
A cena eletrizou a plateia. Orks, Astartes, todos explodiram em gritos de empolgação.
Mas, quando o superaquecimento da arma de plasma forçou uma pausa, Kosolaxes atacou novamente — rápido como uma serpente.
Taylor desviou mais uma vez e, num ato desesperado, contra-atacou com a lâmina curta que tinha. Seus golpes eram rápidos e precisos, como os de um espadachim, contrastando com seus gritos aterrorizados.
Kosolaxes rosnou baixo, irritado.
— Se não fosse esse ferimento...
Ele estava prestes a sacrificar a defesa por um ataque decisivo quando seu rádio estalou:
— [Senhor, os orks romperam a linha de defesa no desfiladeiro. Os feiticeiros estão em perigo.]
Seu rosto mudou. A ira deu lugar à preocupação. Com um gesto brusco, ordenou:
— Retirada. A linha está cedendo.
Os foguetes de seu jetpack acenderam, e os Astartes recuaram tão rápido quanto chegaram.
Não era típico dos Devoradores de Mundos fugir, mas Kosolaxes tinha uma razão maior: a volta de seu Primarca. Nada superava isso.
Taylor só conseguiu olhar, aliviado e atordoado, enquanto os orks o erguiam nos ombros, gritando:
— BOSS! BOSS!
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