— Então é certo que vou morrer como um herói.
Enquanto ouvia os passos dos Marines do Caos se aproximando da fortaleza, o rugido de suas armaduras verde-escuras e das motosserras ecoava pelo campo de batalha. Taylor ergueu sua arma, ouvindo aqueles passos pesados.
Em seu íntimo, uma voz sussurrava:
— Estou acabado.
No momento em que os passos ficaram mais próximos, ele gritou e saiu rastejando de trás da cobertura.
— AAAAAH!
Todo o campo de batalha agora olhava para Taylor, sua lâmina monomolecular apontada diretamente para o semideus. Talvez quisesse parecer corajoso antes de morrer.
A motosserra do semideus veio em um contra-ataque rápido, mas no último instante, o instinto de sobrevivência de Taylor falou mais alto. Com um movimento ágil, ele desviou e agachou, fazendo a lâmina do Marine errar por completo. O guerreiro sequer entendeu o que acontecera — um simples soldado da Guarda Imperial, cheio de determinação, avançara com fúria... só para, no próximo instante, se jogar no chão.
Será que o vento de sua espada já era suficiente para matar?
Claro que não. Ele ergueu a arma, pronto para dar um fim rápido a Taylor.
E agora, Taylor se arrependia amargamente de não ter tido uma morte rápida. Fechou os olhos, esperando o fim... até ouvir o rugido de um projétil.
Então suspirou, confuso.
— Como assim... não dói?
Ao abrir os olhos, viu o Marine caído no chão. Centenas de mulheres em armaduras de poder avançavam rapidamente. Uma delas, de cabelos brancos e beleza imaculada, aproximou-se. Sua armadura negra com detalhes prateados, adornos intricados e uma mochila de poder imponente contrastava com o sangue em seu rosto pálido, esculpido como uma obra do Imperador.
Ela olhou para Taylor e falou com voz suave:
— Madre Superiora Letrina, às suas ordens, "Barão".
[Capítulo 51: As Irmãs de Batalha, Parte 1]
Até hoje, Taylor ainda tinha dificuldade em aceitar que seu primeiro encontro com a Madre Letrina havia sido com ele de cara no chão.
Não bastasse a armadura suja de lama, ainda havia o fato de que ele estivera a um passo de ser esmagado por um Marine do Caos. Embora o semideus tivesse tido a cabeça explodida pelas Irmãs — um dos poucos feitos significativos daquela emboscada —, o orgulho masculino de Taylor ainda doía.
Ser salvo por uma heroína era uma coisa. Ser pego em posição ridícula era outra.
Mas ele estava sendo egocêntrico. A Madre Letrina já vira situações muito piores — homens mijando de medo diante de Marines ou perdendo o controle contra Orks. Comparado a isso, Taylor até que se saíra bem: atacara um semideus e ainda desviara de um golpe. Muitos passariam a vida toda se gabando de menos.
Além disso, Letrina percebera algo: mesmo sem sua intervenção, Taylor não morreria.
Apesar de parecer desesperado, suas mãos nunca soltaram a arma, e no cinto ele carregava uma pistola de plasma em perfeito estado. Ela tinha certeza de que o famoso "Barão" Taylor encontraria um jeito de revidar. Quem sabe, até mesmo matar o inimigo.
De certa forma, ela quase sentiu remorso por roubar a cena. Mas, para sua surpresa, Taylor não reclamou. Pelo contrário, agradeceu como se ela o tivesse salvado.
— Salvado?!
Matar um traidor era apenas dever. E, mesmo sendo Marines do Caos, o histórico de Taylor incluía dois Senhores da Guerra abatidos, cinco Guerreiros Tirânidos, três Guardiões e um imenso Carniceiro.
Isso não era mais impressionante que um Marine?
Letrina interpretou as palavras de Taylor como um gracejo — ou pior, piedade. E isso a irritou. Ela era filha do Imperador, não precisava da condescendência de homem algum.
Agora, na sala de reuniões do Posto 7, Catachans, Irmãs de Batalha e heróis do Império se reuniam. As Irmãs relataram seus números: muitos hereges mortos, mas nenhum Marine.
Na verdade, cem Marines do Caos haviam desembarcado no planeta. Contra eles, as chances de vitória eram quase nulas.
Com seus veículos blindados, tanques e sistemas de adivinhação por numerologia, apenas cem Guardas da Morte seriam suficientes para reduzir a capital mundial a cinzas.
A questão era: por que eles ainda não o fizeram? Por que insistiam em rondar o posto?
Taylor tinha a resposta:
— O número 7. Eles acreditam que é auspicioso. Se conquistarem o Posto 7, o planeta será deles.
Letrina não conseguia acreditar.
— Sete?! Já ouvi falar das... esquisitices dos Marines do Caos, mas isso...
Taylor foi enfático:
— Não importa. Temos que defender o Posto 7.
Por mais que quisesse fugir dali, ele sabia que aquele era o lugar mais seguro do planeta. Com os Catachans e as Irmãs de Batalha, mesmo que inferiores aos Marines, era melhor que a maioria das fortalezas.
Talvez até mais seguro que o palácio do Governador.
Afinal, não se tratava de um mundo forja com defesas impecáveis.
E Taylor não tinha para onde correr. Os portos estavam sob controle da Guarda Imperial. Se voltasse, o velho Taikis o executaria por covardia.
Enquanto devaneava, Letrina quebrou o silêncio:
— Eu pensei que todos aqui estivessem mortos.
— Há três dias não há comunicação. Nenhum sinal de rádio, nenhum mensageiro, nada.
Taylor respondeu:
— Estávamos nos escondendo daqueles malditos Marines. Como iríamos transmitir algo?
Letrina virou-se, encarando-o.
— Obrigada. Você protegeu este lugar contra tudo. Foi corajoso, destemido... sem você, o planeta já estaria perdido.
O elogio pegou Taylor de surpresa. Ele, que só pensava em fugir, gaguejou:
— N-não foi nada!
Os veteranos da 15ª Companhia cochichavam como se tivessem visto um fantasma:
— O chefe ficou tímido? Parece que até ele cai diante de uma moça bonita...
Cathy, ouvindo os comentários, pensou que talvez devesse aprender a se maquiar. Afinal, o chefe nunca agira assim com ela!
Mas Taylor continuava sendo o mesmo covarde ganancioso de sempre — elogios não eram suficientes para subir à cabeça. Recuperando a compostura, perguntou à freira:
— Por que os Astartes estão atacando este mundo?
A Sororita respondeu:
— Segundo prisioneiros do culto herege, procuram algum artefato sagrado. Detectamos mesmo uma forte assinatura energética aqui.
Taylor cortou o assunto imediatamente:
— Chega! Nem quero ouvir mais sobre isso!
Repreendeu-se mentalmente por ter perguntado. A última coisa que queria era se envolver com relíquias cósmicas daquele universo — cada uma delas era uma desgraça ambulante. Conhecia histórias de artefatos que invocavam demônios a cada século ou liberavam vírus capazes de dizimar planetas inteiros.
Fez então sua declaração "heroica":
— Sou da Guarda Imperial! Minha missão é proteger este mundo. Se o artefato não cair nas mãos do inimigo, já é vitória! Pelo Imperador!
Letrina ficou comovida:
— Que devoção... Que o Imperador guie sua espada.
Internamente, Taylor se odiava por aquela performance. Só queria distância daquela maldição, mas agora parecia um herói abnegado. A hipocrisia quase o fazia vomitar.
Analisando o mapa estratégico, confirmou que os hereges não atacariam tão cedo. Decidiu então:
— Não saio deste posto nem que o próprio Imperador ordene!
Lá fora, os Death Guard espreitavam nas florestas. Melhor enfrentá-los aqui do que levar um tiro de bolter no meio do caminho. Ao menos agradecia por não serem os Night Lords...
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Capítulo 52: As Filhas da Batalha (Parte 2)
A Sororitas estabeleceu-se no Posto 7 — inexplicavelmente, aquele lugar agora concentrava os melhores combatentes do setor, além dos coitados da milícia local.
Com espaço limitado, a Guarda Imperial ajudou a cavar trincheiras defensivas. O recuo temporário dos hereges dava-lhes tempo precioso... mas havia trabalho demais a fazer.
O ar úmido grudava na pele como um segundo invólucro. Na fortaleza subterrânea, Taylor limpava o suor enquanto revisava os suprimentos.
— Vamos pedir o melhor! Até carne fresca! — ordenou, sabendo que a presença das freiras deixava os oficiais generosos. Ou por devoção, ou por medo da influência do Eclesiarcado...
Letrina preparou um caldeirão com caldo apimentado — uma versão improvisada de fondue. O aroma penetrante atraiu a jovem freira:
— O que é isso? Dá para sentir três salas adiante!
Taylor bateu no prato de metal:
— Carne, temperos e qualquer coisa comestível mergulhada nisso. Até ração vira banquete. Quer experimentar?
A freira recusou por princípio... mas a saliva traiu sua disciplina. Taylor, vendo sua luta interna, serviu-lhe fatias de carne e vegetais locais — estes últimos indicados pelos nativos, que conheciam os segredos da floresta.
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