Num mundo onde cavaleiros feudais ainda existem, Taylor acumulou um arsenal impressionante: a espingarda pesada de um chefe orc abatido, as garras moleculares de um Ladrão de Genes, o punhal ritualístico de um cultista e, agora, a cabeça decepada de um Tirânido.
Qualquer um diria que aquilo era o acervo de um fã de Astartes ou a coleção de algum poderoso mercador viajante.
Veteranos do 36º Regimento de Scadia se divertiam contando aos recrutas as histórias por trás de cada troféu — cada uma mais exagerada que a outra.
Taylor, envergonhado, corava ao ouvir como transformavam seus golpes de sorte em feitos lendários, como se o próprio Imperador o tivesse possuído para esfaquear inimigos com uma simples faca tática como se fosse uma espada de energia.
Os novatos ou olhavam para ele com admiração infinita ou ficavam céticos, mas a cabeça do Tirânido e a recente derrota dos insetos bioformas pareciam confirmar as histórias.
— Caramba, o cara realmente cortou a cabeça de um monstro de seis metros! — sussurravam, olhando para ele como se fosse uma lenda viva.
Aquele heroísmo forjado o sufocava. Taylor fugia dos elogios como de uma praga, refugiando-se no 15º Pelotão, onde pedia à soldado Ratling que lhe preparasse uma travessa de frutas para acalmar os nervos.
Os frutos locais, cultivados sob clima tropical, eram doces e suculentos — um dos poucos prazeres daquele inferno. Taylor ainda pedia para misturar o suco com água gaseificada, criando uma Fanta caseira.
Mas a paz durou pouco.
Os insetos no céu não recuavam; devorariam o planeta até não sobrar nada. Quando o alarme estridente ecoou no acampamento, Taylor engoliu os pedaços de fruta coloridos, pegou sua arma e ordenou:
— Procurem cobertura!
A chegada dos Death Korps de Krieg já deixara claro: o Império não abandonaria aquele mundo. E agora, depois de matar um Tirânido, Taylor sabia que a coisa viria atrás dele quando renascesse...
Mal sabia ele que nem tempo para comer frutas teria.
Com o Império e os Tau recuperando terreno, os bioformas voltaram a chover do céu. O Leviatã vomitou uma tempestade de Gárgulas para sobrecarregar as defesas antiaéreas.
Tanques Hydra e rifles de plasma Tau lançavam raios contra a nuvem de criaturas, enquanto a Guarda Imperial lidava com as que alcançavam o solo. O pelotão de Taylor ocupava um platô elevado — vantagem tática clássica, reforçada por um canhão antiaéreo improvisado.
Rolan escalou a arma e abateu algumas Gárgulas pesadas, enquanto Taylor, escondido atrás de um barricada, observava os Kriegs lutando. Alguns mordiam os insetos, num frenesi de ódio.
Já o 15º Pelotão, herdando o "estilo" pragmático de Taylor, preferia atirar protegido por Frankstein ou cobertura — o que, segundo o velho Tecaixas, fazia parecer que "tinham nascido grudados nas barricadas".
Era eficaz: em guerras de atrito, preservar soldados era crucial.
Mas os insetos não recuavam. Sem moral para quebrar, só restava esmagá-los de uma vez.
Quando os reforços Tau chegaram — com Tiger Sharks e Devilfishes descarregando mísseis, drones kamikazes e uma teia de fogo plasma —, a batalha escalou.
Só que o Enxame se adaptara.
Formas de combate especiais infiltraram-se, invisíveis.
Antes que alguém percebesse, postos antiaéreos eram desmantelados por membros afiados, soldados explodiam junto a armas sabotadas, e engenheiros eram devorados vivos.
Taylor, com seus reflexos aguçados, foi o primeiro a sentir:
— Tem coisa errada! Rolan, desce agora! — gritou, arrepiado.
O soldado pulou da arma no mesmo instante em que algo invisível a cortou ao meio.
Então, uma voz arrepiante ecoou, imitando Taylor:
— "Desce agora! Desce agora!"
Taylor sabia exatamente o que era.
— LICTOR!
[Capítulo 40: Caminhantes da Morte, Parte 3]
A elite do Enxame. Parentes distantes dos camaleões e polvos, os Lictors eram assassinos perfeitos: garras que cortavam qualquer coisa, mais ágeis que guerreiros, mestres em furtividade.
No momento em que Taylor avistou a criatura, ela desapareceu subitamente, deixando apenas um ar pesado e uma atmosfera sufocante de morte.
A maioria do 15° Pelotão ficou paralisado, até que Katie perguntou, com a voz trêmula:
— O que diabos era aquilo?
Taylor respondeu, esfregando as mãos suadas:
— Um pesadelo. Um maldito pesadelo!
Ele sabia exatamente o que era. Licantropos eram os assassinos mais temidos do universo — seu conhecimento vinha dos enxames, e suas mentes eram moldadas por incontáveis batalhas.
— Que azar do cacete! — murmurou Taylor, os dedos se contraindo em volta da arma. — Será que é porque acabei com aquele tirano?
O suor encharcava seu uniforme, como se a qualquer momento aquele monstro pudesse arrancar sua cabeça. Mas ele não percebeu um detalhe crucial: o Licantropo superestimara demais sua capacidade.
Essas criaturas absorviam o conhecimento de suas presas, mirando sempre os alvos mais valiosos. E ali, todos viam Taylor como um guerreiro invencível.
O Licantropo identificara Taylor como o coração da moral da tropa — aquele por quem os soldados resistiam, acreditando que ele, como antes, traria a cabeça do tirano como troféu.
Então, planejou um ataque sorrateiro: eliminar membros do 15° Pelotão aos poucos, deixando Taylor isolado e desesperançoso. Mas o primeiro golpe já falhara.
Agora, o monstro estava convencido: Taylor tinha instintos e habilidades muito acima do normal.
(Quanto aos instintos, sim. Quanto às habilidades… bem, ainda era melhor não testar.)
Nos próximos sessenta minutos, o Licantropo atacou seis vezes. Mas toda vez, Taylor gritava como um possesso e apontava exatamente onde ele estava.
— Tá ali! Olha a sombra! — berrava, fazendo a criatura recuar.
Impressionado, o monstro repensou a estratégia.
Do outro lado, em cima de uma colina, Taylor esquadrinhava o horizonte com binóculos, os olhos saltando de um ponto a outro.
— Porra! — resmungou. — Por que essa desgraça me escolheu? Todo mundo, fiquem pertos! Isso não é um bicho qualquer!
Os repetidos ataques deixaram o pelotão tenso. Agrupados ao redor do tanque Frankstein, vigiavam cada movimento.
Eles confiavam cegamente em Taylor — ele detectara cada investida até então. Mas o próprio Taylor estava exausto. Se o monstro continuasse assim…
Tremendo, ele engoliu café frio para se manter alerta.
— Essa é a pior merda desde que me alistei — confessou, os olhos ardendo.
Foi então que avistou um veículo de suprimentos Hércules avançando lentamente.
— Tenente, trouxe os mantimentos! — anunciou um soldado pelo alto-falante.
Taylor explodiu:
— NÃO CHEGA PERTO!
O motorista freou bruscamente:
— O quê?
— Não dá pra explicar, mas essa área tá proibida! Nada entra, nada sai! — vociferou Taylor. — Se for deixar os suprimentos, quebre tudo em pacotes pequenos! Nada de volume grande!
Confuso, o soldado desembarcou e começou a descarregar os itens um a um: baterias de plasma, combustível, comida, água, granadas…
Quando o veículo enfim se foi, Taylor suspirou aliviado.
Nos dias seguintes, transformou o acampamento numa fortaleza: sacos de areia, armadilhas com latas vazias, alarmes caseiros.
Enquanto isso, o Licantropo observava.
Era agora um jogo de paciência: quem cairia primeiro? O predador ou a presa?
…
A resposta era óbvia.
Quinze dias depois, no meio da noite, Taylor ouviu um farfalhar quase imperceptível no chão.
Ele sempre atribuía sua sobrevivência à sorte, mas esquecia um detalhe: quando assustado, seus sentidos se aguçavam como os de um animal acuado.
Até um Lobo Espacial teria dificuldade em superá-lo nisso. Seu medo era seu maior aliado.
"Se eu for covarde o suficiente, não perco."
E, pelo visto, funcionava.
Ele pegou a arma sorrateiramente. O Licantropo se aproximava. Ambos se viram no mesmo instante — predador e presa, face a face.
Foi quando uma soldado ratling, com fome, resolveu fazer um lanche.
O barulho aterrorizou os dois igualmente.
Na pausa constrangedora que se seguiu, Taylor, sem pensar, acenou para a criatura semitransparente.
— E aí, parceiro? — disse, com um sorriso tenso.
— Ei, faz meio mês que não te vejo, e você continua com o mesmo pique — disse o homem, como se estivesse encontrando uma ex-namorada. Só que o clima estava ainda mais tenso do que um encontro desses.
Likat respondeu com um rugido de raiva. Como diabos esse humano tinha descoberto sua emboscada de novo? Pra que serviu passar quinze dias inteiros se escondendo?
— Mas que merda é essa?! — pensou, desesperado.
Brandindo suas lâminas afiadas, ele investiu contra Taylor. O soldado, lembrando da vez que enfrentara cinco Ladrões de Genes, começou a pular e esquivar como um rato assustado, para cima e para baixo, deixando Likat totalmente perdido.
Os outros membros do 15º Pelotão acordaram com o barulho e ficaram boquiabertos vendo o chefe se virando feito um maluco, desviando de golpes que pareciam impossíveis.
Até que Taylor, já sem fôlego, gritou irritado:
— Tá olhando o quê, porra? Atira, caralho!
Afinal, o Verdadeiro "Andarilho da Morte" ali era Likat. Já o drama de Krieg… bem, isso era uma história para mais tarde.
[Capítulo 41: O Andarilho da Morte – Parte 4]
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