Depois de tantos anos consumindo a essência de baleia, finalmente havia chegado a hora de usá-la. Quase uma década de desejo reprimido foi liberado em Ning Rongrong.
Com o passar do tempo, chegou o meio-dia do dia seguinte. Ning Rongrong despertou de um sono profundo e reparou no peito musculoso bem diante de seus olhos, assim como no rosto sereno de Gu Changfeng.
— Seu malvado... — murmurou baixinho, seus olhos suaves fixados no rosto dele, enquanto sua mão acariciava levemente sua pele.
Ao ouvi-la, Gu Changfeng abriu os olhos devagar, um sorriso caloroso surgindo em seu rosto. Ele apertou seu corpo macio contra o seu e começou a provocá-la de novo, fazendo com que Ning Rongrong ficasse tão corada quanto uma flor de lótus após a chuva. Ela já não parecia mais uma jovem inocente, mas sim um pêssego maduro e suculento.
Percebendo o olhar ardente de Gu Changfeng, Ning Rongrong sentiu um frio na espinha:
— Você não vai querer de novo, vai? Isso não pode! Se continuar assim, mesmo que eu não morra, vou ficar louca! Como é que eu vou conseguir encarar as pessoas depois disso?
Gu Changfeng riu:
— Como você pode pensar que eu seria tão cruel?
Ning Rongrong resmungou:
— Mas você é exatamente assim!
Gu Changfeng sorriu com malícia:
— Então foi você quem me provocou! Quem está com desejo aqui não sou eu, mas você, não é? Se é assim, vou te satisfazer de novo!
— Você não ousa! Ih—!
Seus olhos se arregalaram, seus lábios entreabertos, seu rosto mostrando uma expressão de surpresa. Ela se agarrou ao pescoço dele, sem coragem de soltá-lo.
Mas, com o tempo, a tensão inicial desapareceu, substituída por uma sensação de prazer que envolvia tanto seu corpo quanto sua alma.
O sol começou a se pôr, tingindo o céu de vermelho. Gu Changfeng segurava Ning Rongrong junto à janela, admirando o pôr do sol, trocando beijos e, de vez em quando, se aproximando ainda mais.
— Seu malvado, você disse que tinha um presente para mim. Agora pode me mostrar? — Ning Rongrong desenhou círculos no peito exposto dele enquanto perguntava.
Gu Changfeng sorriu:
— Rongrong, eu sei que o Classe Sete Tesouros de Cristal sempre buscou uma maneira de evoluir o Sete Tesouros para Nove Tesouros, certo?
— É verdade. Há lendas sobre a Torre de Nove Tesouros no nosso clã, e todos os nossos líderes já tentaram encontrar um jeito de alcançá-la, mas nunca conseguiram.
— Eu tenho talento inato de nível nove e meio, o melhor da minha geração. Por isso, meu pai depositou em mim a esperança de evoluir nosso espírito marcial.
— Por que você está perguntando isso? Será que... você tem um jeito de me ajudar a evoluir?
Ela ergueu o rosto, cheia de curiosidade.
Gu Changfeng colocou diante dela uma caixa contendo uma flor:
— Esta é a Rosa Dourada Brilhante, uma flor que absorve a essência do céu, da terra, do sol e da lua. Ela pode ajudar você a evoluir seu espírito marcial, transformando a Torre de Sete Tesouros em Nove Tesouros.
Ning Rongrong franziu a testa:
— Sério mesmo?
Gu Changfeng brincou com seus "pontos fracos", dizendo com um sorriso provocante:
— O que foi, minha princesinha não acredita em mim?
— Para com isso! Eu acredito, tá bom? — Ela baixou os olhos, envergonhada, e tentou puxar a cortina.
Aquela atitude repentina e ousada poderia muito bem ser vista por alguém passando pela janela.
Gu Changfeng fechou a janela, carregou Ning Rongrong até a cama e entregou-lhe a Rosa Dourada Brilhante:
— Você vai absorver a essência desta flor aqui comigo antes de voltar.
Ning Rongrong ficou irritada:
— E você? Vai sair de novo? Dessa vez, depois de me usar, vai simplesmente sumir?!
Gu Changfeng ficou sério:
— Se eu ficar aqui, meu treinamento vai ser atrapalhado. Tenho coisas a fazer. Até me tornar forte, não posso me acomodar.
— Você já fez tudo isso comigo e ainda não quer me levar como esposa? Se casasse comigo, teria o Classe Sete Tesouros de Cristal como apoio. Não entendo por que você age como se estivesse com pressa.
— Se o Classe Sete Tesouros não me atrapalhar, já é lucro. Quanto a ser meu apoio... Além disso, nós ainda somos jovens. Pra que tanta pressa para se casar?
— Você só não quer assumir responsabilidade! Quer sair por aí flertando com outras!
Gu Changfeng riu:
— Então quer dizer que você quer sair da sua zona de conforto e vir comigo vagar pelo mundo?
Seus olhos brilharam, e ela murmurou:
— Também não é impossível... Eu já enjoei de ficar nesta cidade.
Gu Changfeng segurou seu rosto com carinho, seus lábios macios despertando nele mais uma vez o desejo de prová-los.
A sensação suave e doce o envolveu.
Depois de um longo beijo, ele sorriu:
— Mesmo que você quisesse, eu ainda acharia você um incômodo. Já é difícil cuidar de mim mesmo, quem dirá carregar uma encrenca como você.
— Eu não sou nenhuma encrenca! Logo depois que você foi embora, meu nível de energia espiritual chegou ao 27. Em breve, vou alcançar o 28. Entre os espíritos marciais de suporte, meu talento é o melhor!
Gu Changfeng ficou sério:
— Sobre a flor que estou te dando, você só pode contar para seu pai e os dois Títulos de Douluo do seu clã. Ninguém mais pode saber.
Capítulo 67 – A Rosa Dourada Brilhante
Gu Changfeng continuou, sério:
— Se alguém na Academia Shrek perguntar sobre seu aumento de nível, diga que foi seu pai quem arranjou um tesouro para ajudá-la. Não mencione o nome "Rosa Dourada Brilhante".
Ning Rongrong concordou com a cabeça.
Ela já tinha pensado nisso.
Mas a cautela excessiva dele despertou sua curiosidade.
— Você sempre age de maneira tão misteriosa... Quando vai me contar seus segredos?
Gu Changfeng sorriu:
— Isso fica para depois. Agora, você precisa absorver a essência da Rosa Dourada Brilhante. Inspire suavemente o pólen, deixe que a essência entre em seu corpo e, então, canalize sua energia espiritual devagar, permitindo que o efeito se espalhe por todo o seu ser.
Ning Rongrong, ao ouvir o método incomum de consumir a flor, olhou novamente para a Qiluo Yujinxiang e acabou associando a planta a algo totalmente diferente. Seu rosto ficou corado sem controle, e ela não pôde evitar de passar a língua nos lábios secos.
— O que foi esse rubor todo? Anda logo, tome a Qiluo Yujinxiang — disse Gu Changfeng, franzindo a testa sem entender.
— Para de apressar! Antes você queria que aquele momento nunca acabasse, e agora fica me apressando! — Ning Rongrong revirou os olhos para ele antes de seguir as instruções, absorvendo a essência da flor e refinando sua energia até que ela se espalhasse por todo o seu corpo.
Enquanto ainda assimilava a energia, sua habilidade marcial, a Torre de Cristal de Sete Tesouros, materializou-se involuntariamente. Sob o olhar atento de Gu Changfeng, duas novas camadas começaram a se formar no topo da torre, solidificando-se gradualmente. No entanto, mesmo com a nona camada quase completa, a estrutura parecia um tanto frágil para ele.
Assim que a Torre de Nove Tesouros se fundiu com Ning Rongrong, sua energia espiritual disparou, saltando do nível 27 direto para o 30.
[Se ela absorver o terceiro anel espiritual, seu poder deve subir mais quatro a seis níveis além disso...] pensou Gu Changfeng.
Quando ela finalmente abriu os olhos, a primeira coisa que sentiu foi a energia turbulenta dentro de si.
— Meu poder espiritual chegou ao nível 30 de uma vez! — exclamou, surpresa.
— Esse é o poder da Qiluo Yujinxiang. Após absorver o terceiro anel, você deve subir mais quatro a seis níveis — ele explicou, sorrindo. — Agora, olhe para sua habilidade. Ela evoluiu para a Torre de Nove Tesouros.
— Tão confiante assim? — Ela hesitou, mas logo convocou sua habilidade marcial.
Com um movimento gracioso das mãos, uma torre resplandecente de nove camadas emergiu, irradiando um brilho deslumbrante.
— Realmente evoluiu! — Ning Rongrong contou cada camada, e seu sorriso crescia a cada instante. — É incrível!
Ela guardou a torre e, num impulso, pulou da cama em direção a Gu Changfeng.
— Seu danado, você realmente conseguiu! — rindo, ela abraçou ele.
Ele a pegou no colo e, sentando no sofá, deu um tapinha em seu traseiro.
— Com a evolução e o próximo anel espiritual, você deve atingir os níveis 33 ou 34, talvez mais.
— Que maravilha!
Feliz, ela deu um beijo doce em seus lábios.
— Isso é meu agradecimento.
— Agora que resolvi sua questão, tenho coisas a fazer — ele disse, colocando-a de volta no chão. — Vou te levar de volta.
— Que tal me levar direto ao Clã Sete Tesouros? — ela sugeriu, corando. — Meu pai quer te conhecer desde o incidente com as armas ocultas. Se você se juntasse ao nosso clã... ele não se oporia a nós.
— Juntar-me ao seu clã? Nem pensar — ele riu. — Por fora parecem fortes, mas estão em perigo.
— Em perigo? — ela franziu a testa. — Ninguém ameaça o Clã Sete Tesouros tão facilmente.
— Vocês são muito chamativos. Se fossem mais discretos, evitariam problemas. Pergunte ao seu pai se quiser saber mais — disse, enquanto seu rosto se transformava magicamente.
— Isso é uma habilidade marcial? — ela perguntou, surpresa. — Por que nunca mencionou isso na Academia Shrek?
— Eu estava lá por diversão, não para me juntar de verdade. Não ia contar tudo, né? — ele respondeu, levando-a para fora.
Ela bufou, irritada, mas logo perguntou:
— Essa é sua casa em Tian Dou?
Ele entregou-lhe uma chave.
— É sim. Tome, você também é a dona da casa agora.
— Dona... da casa? — Seu rosto corou novamente, e um sorriso doce surgiu.
Ao se despedirem perto da academia, Gu Changfeng avisou:
— Quando Tang San voltar, pode ser que te dê ervas. Aceite, mas não as consuma. Espere por mim.
— Por que está falando de forma tão misteriosa? — ela questionou, confusa.
— Não posso explicar agora. Siga minhas instruções, tudo bem?
— Se não me der uma boa explicação depois... — ela ameaçou, sem concluir.
— Cuide do meu cavalo. Até logo — ele desapareceu em um instante.
— Maldito!
— Seu grandessíssimo malvado! — Ning Rongrong deu uma pancada no chão com o pé, mas logo suspirou, uma onda de sentimentos complexos invadindo seu peito. Sem perceber, levou a mão ao ventre. — Será que... dessa vez tão louca, eu não vou acabar grávida, né?
Ao voltar para o dormitório da Academia Shrek, notou Xiaô U parada em frente ao espelho, alheia a tudo.
— Xiaô U? O que foi? Nem percebeu que eu entrei? — perguntou, tilintando a voz para chamar atenção.
A menina levantou os olhos devagar, franzindo a testa.
— Rongrong, onde você esteve esses dois dias? Todo mundo tá te procurando.
As bochechas de Ning Rongrong queimaram.
— Ah, o castelo da minha família fica logo ali fora da cidade, resolvi dar uma passada lá. Você tava dormindo quando eu saí, e o resto do pessoal sumiu... aí nem avisei ninguém.
Xiaô U inclinou a cabeça, estudando-a com um olhar aguçado. De repente, ergueu as sobrancelhas.
— Nossa, Rongrong... em dois dias, você ficou até mais bonita! — Cheirou o ar. — E tem um cheiro diferente em você também...
— H-hã?! — Ning Rongrong cobriu o rosto, rindo nervosa enquanto o coração disparava. — Não... não tem nada não! E você, o que tava pensando aí tão concentrada?
Xiaô U deixou escapar um suspiro.
— Só uns negócios da minha cabeça... Ah, já que você sumiu, vou avisando: o San Tân foi treinar com aquele velho Dú Gubo. Não sei quando volta.
— Dú Gubo?! — Ning Rongrong franziu o nariz. — O mesmo da Academia Real de Tiandôu?
Xiaô U confirmou com a cabeça.
Notando a expressão da amiga, Ning Rongrong soltou uma risadinha provocante.
— Nossa, que cara de pau desse San Tân, hein? Some pra ficar com um véio e deixa você aqui sozinha... Que absurdo!
— Ah, para com isso — Xiaô U revirou os olhos. — Não é o que você tá pensando. Entre eu e ele, é coisa de irmãos, não disso que vocês tão imaginando.
Ning Rongrong deu uma cotovelada, sorrindo maliciosa.
— Aham, sei! O jeito que ele olha pra você não tem nada de fraterno, tá? Pode perguntar pra Ju Jukin ou pros outros boys... Todo mundo sabe que ele é apaixonado por você.
Um brilho triste passou pelos olhos de Xiaô U. Ela respirou fundo.
— Pra mim, ele só é meu irmão. Ponto.
— Irmão, é? — Ning Rongrong fingiu um tom dramático. — Irmão "querido", né? A gente já é crescidinho, tá? Todo mundo entende!
— EU DISSE QUE NÃO É! — Xiaô U enterrou o rosto no travesseiro, e, longe dos olhos da amiga, seu semblante se encheu de um desânimo silencioso.
Com o passar das horas, aquelas memórias estranhas em sua mente não só persistiam, como se tornavam cada vez mais nítidas. Já não pareciam sonho algum. Eram reais.
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