Capítulo: O Peso da Derrota
– Essa bola ele não ousou devolver em linha reta, com medo do imprevisível voleio de Marui Bunta na rede.
Em vez disso, ajustou o ângulo da raquete e fez um corte de baixo para cima, imprimindo um giro violento na bola enquanto a mandava para o alto.
– Hmm, 78% de chance de ser um lob com efeito. Ótimo, nem preciso me mexer.
Marui Bunta já estava posicionado na rede, pronto para interceptar, mas ao ver a bola passar voando sobre sua cabeça, abaixou a raquete e resmungou.
Ele estava ali apenas para bloquear os 22% de chance de um rebate rasteiro cruzado. Se o adversário não arriscou, não havia motivo para ele se esforçar.
E, na verdade, até preferia assim. Jogar ao lado de Yanagi Renji tinha suas vantagens — era menos cansativo, menos preocupante. Só agora, no fim do jogo, ele começava a sentir o corpo aquecido.
Yanagi, por sua vez, já havia se posicionado sob o lob de Oishi, esperando. Quando a bola desceu à altura de sua cabeça, ele ergueu a raquete e esmagou-a com um smash potente.
A bola atravessou a quadra como uma flecha e explodiu atrás de Oishi antes que ele pudesse reagir.
30 a 0. A equipe de Rikkai conquistou o segundo ponto.
E então, o jogo virou de vez. A vantagem de Rikkai cresceu rapidamente, implacável.
40 a 0.
4 a 1.
15 a 0.
30 a 0.
40 a 0.
...
– 5 a 1, vantagem de Rikkai.
Sem os golpes acrobáticos de Kikumaru Eiji para defender, Oishi Shuichiro sozinho não representava nenhum obstáculo para Marui e Yanagi.
Agora, no sexto game, era o saque de Marui.
Antes de sacar, ele ergueu as sobrancelhas e lançou um aviso gentil a Oishi:
– Ei, parece que seu parceiro já não aguenta mais, hein?
Oishi não respondeu. Apenas olhou discretamente para trás, onde Kikumaru permanecia imóvel, exausto.
– Bom, vou acabar com isso rápido, então.
Marui virou-se novamente para o banco de Rikkai e, desta vez, perguntou em voz alta:
– Yukimura, último game já. Posso tirar isso agora?
– Pode. Faça como quiser. – Yukimura não se opôs.
Naquele estágio, com a vitória praticamente garantida, não importava mais.
Com a permissão concedida, Marui voltou-se para Oishi — que o observava confuso — e começou a remover os protetores de pulso.
Quando os arremessou para fora da quadra, os pesos pesados bateram no chão com um BAF! surdo, levantando uma nuvem de poeira.
– ISSO É... PESO?!
Oishi e o resto da equipe de Seigaku ficaram chocados.
– Eles estavam jogando com pesos o tempo todo?! – Fuji Syuusuke murmurou, incrédulo.
A revelação atingiu Oishi e Kikumaru como um soco. A ideia de que seus adversários haviam lutado contra eles com restrições desde o início fez brotar um sentimento de desespero.
A diferença era monstruosa.
– MEU DEUS! Os caras de Rikkai estavam com pesos o jogo inteiro?!
– INACREDITÁVEL! Mesmo nas quartas de final, Rikkai ainda não estava levando a sério? Que medo!
– Então esse jogo foi só um treino pra eles? Coitados dos adversários...
Os comentários da plateia ecoavam, cheios de admiração.
Muitos haviam assumido que, apesar do placar desigual, Rikkai não estava tão dominante quanto antes. Agora, percebiam o engano: eles estavam se segurando o tempo todo.
Jogar com pesos era como dançar com correntes nos pés.
– Yanagi, você não vai tirar os seus? – Marui perguntou, ignorando o espalhafato.
– Não precisa. Vamos acabar logo. – Yanagi recusou.
– Tudo bem. Então eu fecho o jogo.
Com um sorriso, Marui posicionou-se para sacar.
POM!
Liberto dos pesos, seu saque cortou o ar com velocidade assustadora.
Ainda não era tão rápido quanto os de Yanagi, mas quase.
A bola passou por Kikumaru, que nem sequer reagiu — ou melhor, não tinha mais energia para isso.
Ponto de saque.
No segundo saque, a bola veio como um furacão novamente. Desta vez, Oishi conseguiu rebater, ajustando o ângulo para mandá-la ao fundo da quadra de Rikkai, tentando ganhar tempo.
Mas Yanagi percebeu a jogada e, sem piedade, devolveu a bola para o espaço vazio na frente da rede.
15 a 0.
30 a 0.
40 a 0.
Faltava apenas um ponto para o fim.
Oishi ainda corria, desesperado, tentando salvar cada bola.
Quando mais uma rebatida voltou, Marui, já posicionado na rede, ergueu a raquete e fez um drop shot delicado.
A bola flutuou suavemente, tocou a fita da rede...
... e rolou devagar, caindo do outro lado.
Oishi parou.
Ficou ali, imóvel, apenas encarando a bola que repousava, inalcançável.
Era o fim.
O apito do árbitro soou assim que a bola tocou o chão.
—Game, vitória da Rikkai Dai, 6 a 1.
E assim, a partida de duplas terminou em menos de vinte minutos, com a Rikkai Dai conquistando a primeira vitória sem dificuldades.
Para Yanagihara Renji e Marui Bunta, aquilo tinha sido tão natural quanto um treino rotineiro com pesos de resistência. Nada de especial, apenas mais um dia no escritório.
[Nota do autor: Problema meu, gente. Planejei que esta partida durasse dois ou três capítulos, só pra aprofundar o lado estratégico do Yanagihara, mas acabei esticando demais e o pessoal não curtiu. Erro meu, falha na execução. Aceito as críticas, prometo melhorar!]
Próximo capítulo sai no horário de sempre.
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Capítulo 61: A Jogada de Surpresa de Seigaku
Oishi Shuuichirou ainda encarava a bola parada no chão, seus olhos perdendo o brilho que ainda restava depois da derrota.
Tinha sido muito pior do que a derrota para Yamabuki. Se naquele jogo ele ainda sentia que poderia se vingar um dia, contra essa dupla da Rikkai Dai, nem mesmo a vontade de revide sobrava.
6 a 1, mesmo contra adversários usando pesos durante toda a partida. Não era só uma diferença de habilidade — era como se estivessem em categorias totalmente diferentes.
Essa era a força dos titulares da Rikkai Dai, a verdadeira elite do tênis escolar. E isso era apenas o começo.
Ao final da partida, Oishi ajudou Kikumaru Eiji até a rede para o cumprimento pós-jogo. Um aperto de mãos rápido, sem palavras. Ninguém precisava dizer nada.
—Bom trabalho, Yanagihara — elogiou Sanada Genichirou com um sorriso.
A primeira vitória tinha vindo sem esforço, sem expor muito da verdadeira força do time e ainda deixando Seigaku amedrontado. Yanagihara e Marui tinham dado o tom perfeito.
—Foi apenas o previsto. Os dados não mentem — respondeu Yanagihara, secando o rosto com a toalha, quase sem suor.
—Ninguém vai me elogiar? — resmungou Marui, franzindo o rosto.
—Você também jogou bem, Marui. Teve, o quê, um terço do meu talento? — provocou Yuushi Jackal, aparecendo do nada.
—Isso é um elogio pra mim ou pra você? — Marui revidou, irritado.
—Tanto faz, né? — Yuushi deu um tapinha nas costas dele e, apoiando a raquete no ombro, virou-se para seu parceiro, Yagyuu Hiroshi. — Agora é a nossa vez.
—Tomara que seja rápido — Yagyuu concordou, ajustando os óculos.
Do outro lado, no banco de Seigaku, Oishi ainda carregava o peso da derrota.
—Desculpe, treinadora… Nós perdemos — ele disse, cabisbaixo.
—Levanta a cabeça, Oishi. Sabia que seria difícil. A derrota era esperada — respondeu a treinadora Ryuuzaki Sumire, sem rancor.
Ninguém poderia culpar os dois. O abismo entre os times era claro demais.
—Não se preocupe, Oishi. A gente recupera no próximo jogo — disse Inui Sadaharu, colocando uma mão no seu ombro.
—Isso mesmo. Deixa com a gente — acrescentou Fuji Shuusuke, sério como nunca antes.
O chamado do árbitro ecoou pelo ginásio:
—Próxima partida, duplas principais. Os jogadores devem se apresentar.
O burburinho da plateia se calou na hora.
—Então, vamos lá — disse Fuji, olhando para Tezuka Kunimitsu.
—Concentração total, Fuji — respondeu Tezuka, direto ao ponto.
—Pode deixar. É a Rikkai Dai, afinal. Vou dar tudo de mim — Fuji sorriu, antes de virar para Inui. — Certo, Inui?
—Claro. Hora de mostrar que meus dados não perdem pros dele — Inui respondeu, os olhos fixos no time adversário.
Yanagihara pareceu sentir o olhar e se virou, cruzando o olhar com Inui do outro lado da quadra. Algo naquela expressão o fez hesitar.
"Será que… a próxima dupla de Seigaku é…?"
Uma suspeita surgiu em sua mente.
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