A lâmina negra se encaixou perfeitamente na fenda, como se fossem feitas uma para a outra, transformando-se em uma adaga curta de cabo escuro.
Ie Ming guardou a arma no estojo sem demonstrar emoção e então olhou para a mulher.
Ela sorriu e deslizou o segundo estojo em sua direção.
Era uma caixa quadrada. Ao abri-la, Ie Ming encontrou um pequeno escudo prateado do tamanho de uma mão.
O escudo tinha a parte superior retangular e a inferior arredondada, adornado com padrões intrincados que brilhavam à luz, belíssimo.
— Escudo de Prata, um dos melhores artefatos de elite. Feito de um único bloco de meteorito, forjado por um mestre ferreiro do estágio Base de Fundação durante sete dias e sete noites. Contém ainda uma pitada de Essência de Prata, tornando-o extremamente resistente. Artefatos comuns não deixam nem arranhão, e até pode enfrentar um Talismã Tesouro — explicou a mulher, sua voz melodiosa.
Os olhos de Ie Ming brilharam. Se o escudo realmente contivesse Essência de Prata — um material normalmente usado para forjar Tesouros — sua resistência seria excepcional.
Para incluir tal material em um simples artefato era um luxo absurdo. E justamente quando ele precisava de algo assim para aumentar suas chances na Expedição Proibida.
— Posso testá-lo? — perguntou, com a voz rouca.
— Claro!
Ie Ming infundiu um fluxo suave de energia no escudo. Um brilho prateado reluziu e o objeto subiu no ar, expandindo-se até o tamanho de um metro, girando ao seu redor com agilidade.
— Além de resistente, o Escudo de Prata é ágil e responde ao pensamento, protegendo onde você quiser. Ideal para situações críticas — acrescentou a mulher, orgulhosa.
— Ótimo — ele assentiu, reconhecendo a qualidade superior do artefato, comparável até mesmo à Bandeira do Dragão Azul.
Em seguida, a mulher apresentou uma espada ofensiva de elite e um escudo em forma de casco de tartaruga antes de ficar em silêncio, esperando.
Ie Ming entendeu: ela queria ver seu poder de barganha.
— Hmm, seus artefatos são bons, mas não se comparam ao que eu tenho — murmurou. Ele sacou uma caixa de madeira esculpida e a colocou sobre a mesa.
— Oh? Agora fiquei curiosa — a mulher inclinou-se para frente, interessada.
— Pílula de Fundação?! — Ela quase caiu da cadeira ao abrir a caixa e ver a pílula azul. Mesmo experiente, jamais vira alguém vender algo tão precioso. Seu olhar se fixou em Ie Ming, perplexa. Um cultivador do 12º estágio da Respiração... abrindo mão de uma chance de avançar?
— Há algum problema? — Ele franziu a testa, incomodado.
Sabia que revelar a pílula era arriscado, mas era seu único trunfo para obter equipamento melhor. Cultivadores Base de Fundação não a valorizavam tanto, mas aspirantes matariam por ela. Ele apostava que nenhum especialista se rebaixaria a roubá-lo… mas a dúvida permanecia.
— Não, nenhum problema — a mulher recuperou a compostura com um sorriso forçado. — Nesse caso, vamos aos Tesouros restantes.
Com um gesto, abriu as três últimas caixas.
[Dentro delas estavam um par de botas, um talismã e uma esfera.]
Ie Ming examinou primeiro as botas: verdes com detalhes brancos, levíssimas, feitas de couro de serpente.
— Botas do Vento Cortante. Couro de uma serpente de nível 2, aumentam a velocidade do usuário. Raríssimas — explicou a mulher.
Antes que ele pegasse os outros itens, ela prosseguiu:
— Os últimos são exatamente o que você pediu: um Talismã Tesouro e um Trovão Celestial.
O Talismã exibia um machado dourado, pulsando com energia intocada.
— É novo, vindo de uma família em declínio. Seu ancestral era um Mestre do Núcleo Cristalino, então o poder deve ser considerável.
Quanto ao Trovão Celestial… bem, você já sabe do que é capaz.
A esfera azulada parecia inócua, mas quando Ie Ming tentou tocá-la, uma pressão esmagadora invadiu seus sentidos.
[Um cultivador Base de Fundação!]
Ele saltou para trás, pronto para fugir, mas a presença sumiu tão rápido quanto surgiu.
— O que significa isso, Sun? — rosnou, desconfiado.
— Não se assuste, amigo Xiao, é apenas uma inspeção de rotina do responsável pelo pavilhão. Nossa casa está aberta para negócios e jamais prejudicaria um cliente, isso seria manchar nossa própria reputação! — A mulher elegante permaneceu sentada na cadeira, sem se mover, enquanto falava com um sorriso nos lábios.
— Hmm! — Ye Ming soltou um grunhido e voltou a se aproximar, passos lentos.
[Inspeção de rotina, minha bunda! Claramente um aviso para me colocar no meu lugar.] Ele resmungou mentalmente. [Querem me intimidar e descobrir minha verdadeira identidade.]
Mas sentiu um alívio ao perceber que não haviam atacado diretamente. Aparentemente, a Loja dos Tesouros mantinha certa credibilidade, pelo menos na superfície. Ainda assim, não era um lugar para ficar. Precisava sair rápido — antes que algo mudasse.
Respirando fundo, Ye Ming manteve a voz firme:
— O valor da Pílula da Fundação dispensa explicações. Deve ser mais que suficiente para cobrir todos esses itens. Mas, para ser justo, peço apenas a Lâmina Yin-Yang, o Escudo de Prata, as Botas do Vento, o Talismã do Tesouro e o Projétil do Trovão.
— Isso... — A mulher franziu a testa, seu rosto delicado refletindo hesitação.
A Pílula da Fundação era um item valioso, sim, e raro no mercado. Nem por cinco mil pedras espirituais seria fácil de obter. Se leiloada, famílias ricas brigariam por ela, elevando o preço para além de sete ou oito mil.
Mas o pedido de Ye Ming era alto demais. Sem contar os artefatos, só o Talismã e o Projétil já valiam quase três mil. Somando tudo, ultrapassava quatro mil pedras. Na sua cabeça, lucrar menos era perder.
— Então, amiga Sun, não está interessada? Tudo bem, procurarei outra loja. — Ye Ming guardou a pílula na bolsa e virou-se para sair.
— Ei, amigo Xiao, espere! Nunca disse que recusava. Nossos artefatos são de alta qualidade e variedade. Dificilmente encontrará algo melhor em outro lugar. Melhor resolver tudo de uma vez aqui, sem perder tempo correndo por aí, não concorda? — A mulher se levantou rapidamente, tentando impedi-lo.
Era uma negociação bem lucrativa — não podia deixar escapar!
Ye Ming parou, tirou a pílula novamente e ficou em silêncio, olhando para ela.
A mulher sorriu, guardou os outros itens e deixou apenas os cinco que ele havia pedido.
Assim que a troca foi concluída, Ye Ming saiu firme do salão e desceu as escadas em passos rápidos.
No caminho até a porta, um homem robusto com uma grande verruga no rosto passou correndo por ele. Ye Ming franziu a testa, olhou fixamente por um instante e, em seguida, saiu da Loja dos Tesouros.
Nas ruas, misturou-se à multidão. Ao passar por uma casa de chá, entrou discretamente.
Um atendente estava prestes a cumprimentá-lo, mas Ye Ming mostrou algo em sua mão e o homem rapidamente se afastou.
No fundo, em um salão sossegado, Ye Ming abriu a porta de um cubículo reservado — o mesmo que havia alugado antes de ir à loja. Pedira um chá espiritual e avisara ao dono que voltaria em breve.
Agora, com os tesouros em mãos, usou o lugar como ponto de passagem.
Tirou os cinco embrulhos da negociação e, com um pensamento, os guardou no espaço especial de seu inventário.
Depois, rapidamente tirou suas roupas e disfarces, armazenando-os no mesmo lugar. Vestiu um manto simples e uma capa com capuz.
Assim que terminou, saiu calmamente da casa de chá e se perdeu novamente entre as pessoas.
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No quinto andar da Loja dos Tesouros, dentro de um aposento luxuoso, a mesma mulher ajoelhou-se diante de uma cama ornamentada. Segurava a Pílula da Fundação com ambas as mãos, voz melosa:
— A pílula está aqui, Velho Yang. Por favor, faça a verificação.
A cama, esculpida com dragões e fênix, estava coberta por uma cortina de seda rosada, escondendo parcialmente as cenas dentro. Mas dava para distinguir a silhueta de um homem obeso entrelaçado com uma mulher de corpo farto, ocupados em atividades inequívocas.
— Coloque na mesa — o velho respondeu sem parar seus movimentos.
— Como ordenar. — Ela inclinou a cabeça, obediente.
Mas no exato momento em que Ye Ming guardou suas roupas no inventário especial, o velho suspirou, surpreso:
— Oh? Impossível... O rastro espiritual desapareceu!
A cortina se abriu, revelando seu corpo enrugado e a cena íntima. Com um gesto, uma roupa larga o cobriu. Ele então saiu rapidamente do quarto, indo até o topo do prédio. Lá, fechou os olhos, expandindo sua percepção espiritual.
Minutos depois, abriu os olhos novamente.
— Hmph! Sorte a sua. — Ele retornou ao seu aposento, irritado.
Ye Ming não sabia, mas seu simples ato havia evitado uma encrenca gigantesca.
Depois de se misturar mais um pouco na multidão, certo de que ninguém o seguia, ele encontrou uma pousada e alugou um quarto protegido por barreiras.
Era hora de aprimorar os novos tesouros.
Os artefatos podiam ser usados sem preparação, mas seriam muito menos eficazes, difíceis de controlar.
Precisava refiná-los para garantir sua própria defesa quando deixasse a cidade.
Quando a noite caiu e as lanternas se acenderam, Ye Ming saiu silenciosamente pela janela. Seguiu por um beco até a rua principal.
A movimentação havia diminuído bastante. Apenas alguns poucos ainda vagavam. Mas o mercado de rua estava mais vivo do que nunca, cheio de cultivadores independentes procurando pechinchas. O barulho chegava a distância.
Sem interesse, Ye Ming seguiu direto para a saída.
Logo chegou ao portão. Próximo dali, algumas estruturas baixas abrigavam os guardas do mercado, descansando.
Dois anciãos de cabelos brancos estavam encostados na porta, conversando sem pressa.
Quando Ye Ming se aproximou, os dois guardas apenas lançaram um olhar distraído e logo perderam o interesse.
Ye Ming varreu o local com os olhos, e ao não perceber nada de errado, disparou como um raio para fora do mercado, desaparecendo na escuridão da noite.
Dentro da guarita, dois homens estavam sentados em posição de meditação.
Um era um sujeito grandalhão com uma verruga negra no meio da bochecha direita, da qual saía um tufo de pelos amarelados — coisa de arrepiar.
O outro era um jovem baixote e forte, com uma cicatriz sinistra que cortava seu rosto desde a sobrancelha esquerda até o queixo direito — claramente um tipo perigoso.
No exato momento em que Ye Ming chegou à saída, uma pequena raposa vermelha deitada no colo do grandalhão levantou as orelhas. Seus olhos verdes como esmeraldas pareciam enxergar através das paredes, fixos na direção de Ye Ming, enquanto emitia ganidos.
O grandalhão abriu os olhos de repente, com um brilho sinistro, e acenou para o companheiro. Assim que Ye Ming saiu, os dois pularam em pé e saíram correndo.
— Rápido, avisa o Segundo e o Quarto! O carneirão escapuliu! — gritou o grandalhão, ansioso.
[Capítulo 10 — Os Quatro Demônios de Lingnan]
No mundo dos cultivadores, havia uma regra não escrita: num raio de cinco quilômetros ao redor dos mercados, voar era estritamente proibido — havia até formações de restrição aérea. Por isso, Ye Ming precisou correr até passar dessa zona antes de poder decolar.
Mas, convenhamos, suas folhas de jade voavam mais devagar que uma tartaruga. Era mais rápido correr mesmo, usando a técnica do corpo leve. Além disso, com tantas árvores, colinas e montanhas pelo caminho, manter-se no chão era muito mais seguro.
Para sua sorte, as Botas do Vento que comprara naquele dia eram impressionantes. Basta injetar um pouco de energia espiritual, e Ye Ming deslizava por vários metros num piscar de olhos. Em poucos saltos, já estava dezenas de metros adiante — muito mais rápido do que aquela folha de jade vagarosa.
Em pouco tempo, Ye Ming já havia percorrido quinze quilômetros. Então, mudou de direção, rumando para leste.
— As Botas do Vento são incríveis, mas consomem energia demais... — murmurou Ye Ming, parando no meio de um bosque, ágil como um fantasma.
Depois de horas praticando durante o dia e usando as botas sem parar naquela fuga, Ye Ming já as dominava completamente. Agora conseguia acelerar instantaneamente até a velocidade máxima ou controlar o fluxo de energia para se teletransportar por alguns metros com precisão.
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