— Tô chegando — Lu Ming Fei se levantou devagar, soltando um sorriso radiante para Ye Sheng.
Ye Sheng estranhou. Aquele garoto de sorriso afável lhe passava uma sensação inexplicavelmente familiar. Abanou a cabeça, sem pensar muito, e conduziu Lu Ming Fei para a sala de reuniões.
Ao passar por ele, Lu Ming Fei piscou:
— Senior, conta comigo, hein?
[...]
A sala de reuniões, espaçosa o suficiente para dezenas de pessoas, agora só tinha três ocupantes: Lu Ming Fei, Ye Sheng e uma garota de sorriso doce, vestindo o mesmo uniforme, só que em forma de saia, com um lenço de renda vermelho no colarinho. As pernas dela, à mostra sob a saia, eram longas e alvas. O mais encantador eram as covinhas que apareciam em suas bochechas ao sorrir, dando-lhe um ar cheio de vitalidade.
Lu Ming Fei observou Jiade Yaji rapidamente, pensando consigo mesmo que, na vida passada, o céu realmente tinha sido cego. Como uma garota tão incrível pôde ter um fim tão trágico?
— Olá, Lu Ming Fei. Eu sou Jiade Yaji, uma das entrevistadoras desta seleção — a garota se levantou e fez uma leve reverência, num gesto típico da etiqueta japonesa.
— Konnichiwa, yoroshiku onegaishimasu, seniora Yaji — Lu Ming Fei respondeu de pronto, curvando-se também, mas desta vez seu japonês saiu impecável.
— Seu japonês é muito bom — Jiade Yaji cobriu a boca ao rir, com um ar de irmã mais velha acolhedora. Seus olhos brilharam de surpresa, e ela não pôde evitar sentir uma pontinha de simpatia pelo garoto.
— Haha, valeu! Eu curto bastante anime, então acabo pegando umas frases aqui e ali — Lu Ming Fei coçou a cabeça, modesto.
— Só com anime não dá pra ficar tão fluente assim! Já pensou em visitar o Japão? Com seu domínio da língua, não teria problema nenhum — ela perguntou, ainda sorrindo.
— Com certeza! Adoro a cultura de vocês. E ainda quero comprar um body pillow da Asahina Mikuru em Akihabara! — Ele soltou a piada pronta, pensando consigo: Não só um pillow da seniora, como também vou roubar a princesa da yakuza de vocês.
— Você é divertido — Jiade Yaji riu de novo, cobrindo a boca, e sua simpatia por ele aumentou. Ao lado, até Ye Sheng não conseguiu segurar um sorriso diante da bobagem.
— Bom, chega de conversa fiada. Hora de ir ao que interessa — Jiade Yaji finalmente assumiu uma expressão séria, e Ye Sheng se endireitou.
Os dois, com uma seriedade absoluta, perguntaram em uníssono:
— Lu Ming Fei, você acredita em extraterrestres?
A primeira reação dele foi pensar: Que sintonia, hein? Realmente a melhor dupla de mergulho do departamento de operações. A segunda foi: Que droga de destino separar duas pessoas tão conectadas. Se virasse série, arrancaria lágrimas de montes de gente. Sua mente fervilhava de pensamentos, menos sobre a resposta em si. Afinal, ele já estava com a vaga garantida. Na vida passada, mesmo sem esforço, tinha passado. Qual o problema?
Ye Sheng e Jiade Yaji trocaram um olhar preocupado ao ver o garoto paralisado. Será que assustamos o moleque?
— Lu Ming Fei? — Jiade Yaji chamou, suave.
— Ah, sim! — Ele voltou a si.
— Você acredita em extraterrestres? — Ye Sheng repetiu.
Lu Ming Fei coçou a cabeça desgrenhada:
— Senior, vocês conseguem me transformar num ser de silício?
Ye Sheng ficou confuso. O que isso significa?
— Acho que um ser de carbono como eu não tem resposta pra isso — Lu Ming Fei explicou, como se lesse seus pensamentos.
Ye Sheng, constrangido, ia justificar, mas Jiade Yaji, ao seu lado, soltou uma risadinha.
— É uma pergunta séria, Lu Ming Fei. Nós também estamos falando sério — Ye Sheng franziu a testa.
— Tá bom, já que o senior insiste — Lu Ming Fei levantou as mãos, num gesto de rendição. — Eu acredito em extraterrestres.
— Por quê? — Jiade Yaji perguntou, ainda sorrindo.
— Bem... É meio difícil explicar. Acredito porque acredito. Ninguém nunca provou que existem, mas tem gente que acredita e gente que não.
— É tipo me perguntar por que eu gosto daquela garota de cabelo vermelho-escuro. Eu poderia dar mil razões, mas no fundo é simples: eu não sei. Só sei que quando vejo ela, meu coração acelera, fico pendurado em cada palavra e lembro de tudo sobre ela. E pronto: gosto. Por quê? Nem eu sei.
Ele falou com um desprendimento como se não estivesse se referindo a si mesmo.
Fez uma pausa e continuou:
— Seniora Yaji, quando você olha pro céu à noite, não pensa que, se não existirem aliens, o universo seria um lugar muito estranho? Com bilhões de anos-luz de diâmetro, um feixe de luz levaria eras pra cruzá-lo, passando por incontáveis galáxias... Mas só encontraria vida ao passar pela Terra, e isso duraria menos de um segundo. Em bilhões de anos, só um segundo com alguém pra ver. Não seria esquisito?
— Solidão? Você está falando da solidão da luz, não é? — Ye Sheng cortou, repentinamente.
Lu Ming Fei encolheu os ombros, sem confirmar nem negar.
— Segunda pergunta: você acredita em superpoderes? — Jiade Yaji continuou.
— Acredito. Super acredito.
— Sempre pensei: se não existissem, o Star Platinum do Jotaro não faria sentido, a Gomu Gomu no Mi do Luffy seria mentira, e o bullet time do Neo também. Seria uma pena, né? — Ele ainda fez pose, cobrindo metade do rosto com uma mão e apontando com a outra, imitando o icônico JoJo pose. — ZA WARUDO!
— A vida dos fortes realmente não precisa de explicação — Ye Sheng concordou com um aceno. — Aproveitando, eu também adoro o "Star Platinum" do Jotaro.
— Então, terceira e última pergunta — continuou Judy Agi. — Você acha que a base da existência humana é idealista, ligada à mente e à alma, ou materialista, ligada ao corpo físico?
— Com certeza é idealista! — Lu Mingfei bateu as mãos animado. — Pensa comigo, pessoal. Os antigos já diziam: "Penso, logo existo". Judy, você vive no Japão, talvez não conheça, mas Ye Sheng entende. Essa frase significa que só existimos porque pensamos. Sem a força do espírito, sem a capacidade de refletir, tudo seria vazio. Qual seria a diferença entre a gente e os animais?
Judy Agi e Ye Sheng trocaram um olhar surpreso antes de sorrirem para ele.
— Ótimo, terminamos as perguntas — disse Judy. — Obrigada pelo seu interesse na Universidade Cassell, Lu Mingfei.
Ye Sheng se levantou.
— Vou te acompanhar até a saída.
Do lado de fora, Chen Wenwen segurava sua bolsa, esperando. Lu Mingfei ficou surpreso; achava que ela já tinha ido embora.
Ela deu alguns passos rápidos em sua direção.
— Por que saiu tão rápido?
— Ah, fui péssimo. Não me querem lá — ele encolheu os ombros.
— Então... vamos voltar juntos? — Chen Wenwen baixou os olhos.
[Antes, eu teria aceitado na hora, todo bobo, e ficaria eufórico a semana inteira. Até me reviraria na cama de felicidade só de lembrar: "Hoje voltei para casa com a deusa Chen Wenwen!" Mesmo que a entrevista fosse um desastre, valeria a pena. Poderia até ficar na casa dos tios a vida toda, mas esse momento seria meu maior prêmio.]
Mas agora?
[Prefiro jogar umas partidas de StarCraft na lan house.]
— Não, tenho uns compromissos. Pode ir na frente — ele respondeu, balançando a cabeça.
— Ah, tá bem... então vou indo — ela murmurou, saindo cabisbaixa.
Lu Mingfei enfiou as mãos nos bolsos, ombros caídos, e seguiu devagar em direção à lan house.
......
Noite fechada, suíte presidencial do Hotel Lijing.
Ye Sheng revisava os currículos à mesa, fazendo anotações sobre as respostas dos candidatos que Judy Agi havia registrado durante o dia. Ela ficou ao seu lado, observando o perfil do namorado iluminado pela luz da mesa.
De repente, ele ergueu o rosto.
— E a garotinha? Não a vi o dia todo. Nem apareceu na entrevista, sendo que ela também é entrevistadora.
Seus olhos se encontraram. Judy corou, desviando o ideia. Provavelmente saiu para se divertir. Ela veio só por turismo, né? — a voz saiu um pouco tensa.
— É, ainda é uma criança — Ye Sheng suspirou.
A porta se abriu de repente.
— E aí, como foram as entrevistas? — um homem alto entrou às pressas, carregando uma maleta. — Peguei um voo noturno e vim direto do aeroporto.
Era um senhor robusto, com óculos grossos e cabelos grisalhos despenteados. Seu terno estava amarrotado, e a calça larga demais.
— Professor Guderian! — Ye Sheng se levantou. — Desculpe, ainda não terminei as anotações. Hoje entrevistamos 17 alunos, sendo...
— Não perca tempo! Só quero saber do Lu Mingfei! Só ele me interessa! — o professor estava tenso, como um apostador à espera do resultado da roleta russa, longe da imagem do acadêmico refinado.
— Como ele se saiu? — o alemão falava um chinês impecável.
Ye Sheng e Judy trocaram outro olhar. Ele folheou as anotações, hesitante.
— Professor, é difícil explicar... Melhor o senhor ver por si mesmo.
Guderian arrancou o caderno das mãos dele. Seus olhos arregalaram ao ler, e os óculos grossos quase escorregaram do nariz.
— Meu Deus! Isso... isso tudo foi dito pelo Lu Mingfei?
Ye Sheng sorriu amarelo para Judy, mas antes que pudesse explicar, o professor o interrompeu.
— É perfeito! Impressionante! Essas respostas deveriam virar material didático, o padrão ouro para nossos alunos! — ele estava extático.
— Bem... na primeira pergunta, ele disse que acredita em aliens porque, sem eles, a humanidade estaria sozinha no universo. Comparou com gostar de uma garota — disse que não precisa de motivo.
— Na segunda, acreditava em superpoderes, citando personagens de animes como o "Star Platinum" do Jotaro e os poderes de borracha do Luffy... mas sem justificativa.
— Bravo! — Guderian gritou, segurando o caderno como um cristão seguraria a Bíblia. Ele releu as páginas, murmurando admirações, como se estivesse diante de uma obra-prima.
Judy, assustada com o grito, perguntou timidamente:
— Professor... é realmente tão incrível assim?
Ele ergueu os olhos, radiante.
— Vocês não têm nível para entender. Deixa que eu explico.
— As duas primeiras questões são basicamente a mesma coisa. Ele respondeu que acredita em alienígenas e poderes sobrenaturais, e ainda trouxe o conceito crucial da "solidão"! A solidão é o que une nossa raça! Três palavras que resumem perfeitamente o cerne da questão. Essa pergunta usava os alienígenas como metáfora para a diferença entre nossa espécie e os humanos comuns. E usar o exemplo de gostar de uma garota foi genial! Acreditar em algo não precisa de razão, assim como amar alguém. A fé que mencionamos nasce do coração, é uma confiança natural. Se ele inventasse justificativas, só perderia pontos! E a terceira resposta?
— Ele disse que acredita no idealismo, que a mente e a alma governam o mundo.
— Pode parecer extremo para humanos, mas para nós, híbridos e dragões, é simplesmente perfeito!
— O poder dos dragões, os Encantamentos, nada mais são do que ordens dadas ao mundo através da mente.
— Seu sangue define sua visão de mundo. Nós, híbridos, somos criaturas entre dois mundos. Não podemos negar nenhuma das nossas naturezas. Às vezes, nossa identidade nos confunde, nos deixa perdidos. Mas Lu Mingfei acredita firmemente no idealismo – não há uma pitada de dúvida em suas respostas. Talvez ele já tenha entendido a essência dos dragões e dos híbridos!
— Lu Mingfei é o aluno mais brilhante que já vi! Agora entendo perfeitamente por que o diretor lhe deu a classificação "S"! — O professor Gudeliano tirou um lenço do bolso e enxugou as lágrimas de emoção.
— "S"?! — Ye Sheng e Jode Yaji exclamaram ao mesmo tempo, chocados.
— Exatamente! Um verdadeiro "S"! Depois de tripla verificação, sua classificação entre todos os candidatos é "S" – o único em décadas! Essa entrevista foi feita especialmente para ele! — O professor Gudeliano baixou a voz. — É um segredo de altíssimo nível da academia, por isso não avisamos antes.
— Suas respostas estão muito além do "padrão". Devem ser incluídas no banco de dados da Norma como respostas-modelo para todas as entrevistas de híbridos! Até poderíamos pedir ao diretor para colocá-las na biblioteca como exemplo para os alunos!
O professor Gudeliano gesticulou energicamente, decidido:
— Matrícula! Ele precisa ser matriculado imediatamente! Me passem o telefone, vou ligar para os pais dele!
— Professor, acalme-se. Nós cuidaremos disso. Que tal amanhã de manhã? — Ye Sheng suspirou, resignado.
O professor Gudeliano riu como uma criança:
— Combinado! O importante é que ele entre logo. Ah, o professor Mans me pediu para avisar: o "Plano Portão do Kui" foi antecipado. Vocês precisam ir agora. Quanto ao Lu Mingfei, já chamei a Nono. Ela e eu cuidaremos da matrícula amanhã.
Ye Sheng e Jode Yaji trocaram um olhar. De repente, acreditavam piamente no boato de que o professor Gudeliano e o professor Manshin tinham sido colegas de manicômio.
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Capítulo 4: Todo Encontro é um Reencontro (Parte 1)
Na manhã seguinte, ainda no Hotel Lijing.
O tio de Lu Mingfei sempre dizia que aquele era o hotel mais luxuoso da cidade – uma rede global, cinco estrelas. Ele adorava tomar chá no saguão com os amigos, fazendo o garçom encher a xícara até o chá forte virar água. Era barato e ainda dava a sensação de estar desfrutando de um serviço de elite.
O professor Gudeliano ligou várias vezes para o tio Lu Gucheng logo cedo, animadíssimo, dizendo que já estava na cidade e hospedado no Lijing. O tio, imediatamente, afirmou ser cliente antigo do hotel e marcou o café da manhã ali mesmo.
Raramente a família toda saía junta. O tio, com a barriga à mostra e as pernas cruzadas no sofá do saguão, dava lições a Lu Mingze sobre "o sofrimento forma o caráter" enquanto elogiava o serviço do Lijing – o chá vinha com chocolate amargo, que, segundo ele, era cheio de dopamina e dava felicidade, "a marca de um hotel de primeira". A tia, por sua vez, resmungava que o marido era um esbanjador, gastando dinheiro naquele lugar, quando poderia ter comprado um quilo de chocolate por vinte yuan com um conhecido da fábrica.
— Senhor Lu Mingfei? — Um garçom impecável se aproximou da mesa.
Lu Mingfei, imitando o tio com as pernas cruzadas, respondeu:
— Sou eu. O que foi?
— Menino, como é que se fala assim? Cruza as pernas direito! — A tia o repreendeu.
Ele abaixou as pernas e fez um gesto para o garçom continuar.
— O professor Gudeliano pediu para servir o café da manhã no VIP Giratório, no nono andar. Vim avisá-los.
— Sou cliente antigo aqui. Como é que nunca ouvi falar desse VIP Giratório? — O tio franziu a testa.
— O VIP Giratório é exclusivo para hóspedes das suítes executivas e presidenciais. O professor Gudeliano reservou a suíte presidencial.
— Suíte presidencial?! — O tio quase caiu da cadeira.
— Essa tal de Academia Cassel deve ser riquíssima! — A tia esqueceu completamente que tinha ido para checar se o professor e a academia eram legítimos ou se aquela carta era uma fraude. Diante da suíte presidencial, ela subitamente passou a reverenciar o professor Gudeliano.
O elevador VIP levou a família direto para o andar mais alto. Quando as portas se abriram, um idoso imponente de cabelos prateados avançou, varreu o grupo com o olhar e agarrou a mão de Lu Mingfei:
— Olá, Lu Mingfei!
Lu Mingfei sentiu a mão doer com o aperto e olhou para o professor Gudeliano, pensando: "Cara, na vida passada você já era meu fã número um, e agora reencarnou pra continuar, é?"
Uma pontada de tristeza o atingiu. Na vida passada, o professor Gudeliano tinha sido vaporizado pelo Encantamento supremo do Rei dos Céus e dos Ventos, junto com toda a Cassel. Lu Mingfei nem teve tempo de se despedir. Depois da guerra, ele encontrara o nome do professor na longa lista de mortos – na mesma linha que o professor Manshin.
— Mingfei, cumprimente o professor — a tia deu um leve empurrão nas costas dele.
Lu Mingfei voltou a si e apertou a mão do professor Gudrian, balançando-a com um sorriso constrangido, mas educado:
— Olá, professor. Eu sou o Lu Mingfei.
O professor Gudrian deu uma risada calorosa e bateu no ombro do jovem:
— Vejam só que jovem promissor! Senhor Lu, agradeço a vocês por terem formado um aluno tão brilhante para a Universidade Cássel.
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