Dragões: Um Novo Mundo
Autor: Como Você se Chama
Capítulo 1: Primeiro Ato – Um Novo Mundo
— Irmão, você já decidiu?
No palácio construído com os ossos de dragões, uma figura imponente estava sentada em um trono feito dos ossos e sangue de incontáveis inimigos.
O garoto olhava para o soberano no trono arruinado, sua voz suave ecoando no silêncio. Seu traje caro estava agora em frangalhos, o rosto delicado manchado de sangue, mas seus olhos dourados brilhavam com uma luz quase insana.
— Mesmo tendo o poder e a autoridade mais supremos do mundo, você ainda quer voltar? Mesmo que isso custe todo o nosso poder?
Lú Ming Fei se levantou, olhando para trás, onde o maior dos esqueletos ainda queimava, suas chamas tingindo o céu sombrio de dourado. O mar ao longe fervia, vapor subindo em espirais.
O lendário Rei Dragão Negro, Nidhogg, o usurpador, havia sido morto pelo soberano primordial.
Lú Ming Fei olhou para o mundo diante dele. Não havia mais vida, apenas ruínas e incontáveis corpos—de aliados e inimigos. Ele voltou-se para o irmão mais novo, a voz grave:
— Mesmo que tenhamos vencido, de que adianta? Todos que importavam já se foram. Olhe para este mundo, irmão. O irmão mais velho morreu, a minha shijie morreu, o Líder, Finagle, o Diretor… todos morreram.
Ele fez uma pausa antes de continuar:
— Demôniozinho, você sabe o que é mais assustador? Viver sozinho e morrer esquecido. Você mesmo disse uma vez que a morte de alguém acontece em três passos.
— Primeiro: o cérebro para, as funções do corpo se vão. Isso é a morte médica.
— Segundo: familiares e amigos realizam seu funeral, despedindo-se de você. Isso é a morte social.
— Terceiro? Quando a última pessoa que se lembra de você te esquece… ou também morre. Aí é a morte verdadeira. Concordo com isso.
— Agora só eu continuo aqui. Ano após ano, sozinho. E se um dia, no meio dessa eternidade, eu esquecer de todos eles? Então não vai restar ninguém para lembrar que eles existiram.
— O fim do Quinto Sol… tudo vira nada. Agora eu entendo. Um mundo vazio assim, só você e eu… é triste demais.
Lú Ming Yi ergueu o rosto, irritado:
— Não esqueça do nosso Sangue e Luto, irmão. Lembra como foram aqueles dezessete anos? Mesmo nas cidades mais movimentadas, você estava sozinho! Nós nunca fomos iguais a eles.
Lú Ming Fei sorriu, os olhos suaves de nostalgia:
— Humanos ou dragões, no fundo, somos todos seres sociais. Ter amigos torna tudo mais fácil. E mesmo alguém como eu… teve amigos de verdade.
Os dois irmãos ficaram em silêncio no trono. Após um longo momento, Lú Ming Yi pegou a mão do irmão mais velho.
— Tudo bem, eu entendi. Apoio qualquer decisão sua. Somos irmãos, afinal.
— Então vamos reiniciar o mundo. Usando todo o meu poder e autoridade.
— Vamos negociar.
A expressão de Lú Ming Yi se distorceu em frenesi. Ele esticou a mão, batendo levemente na do irmão.
— Combinado. Vá e agarre tudo que você perdeu, irmão. O mundo está começando de novo.
Seus corpos se fundiram, uma luz branca cegante inundando o céu e a terra. Lú Ming Fei saltou, asas negras surgindo em suas costas, elevando-o aos céus.
O sol já havia mergulhado no horizonte, mas a escuridão não chegou. A brancura se expandia, emanando dele.
Com toda a sua autoridade suprema, Lú Ming Fei decretou sua última ordem para esse mundo arruinado:
[REESCREVER O MUNDO]
Sua alma começou a se desprender do corpo, subindo cada vez mais alto, até o espaço. Ele olhou para a Terra, marcada pela guerra, os olhos dourados refletindo todas as memórias preciosas de sua vida.
— Esperem por mim, pessoal… estou voltando.
Ele fechou os olhos. Em um instante, sua alma atravessou galáxias, chegando ao limite do universo—uma membrana frágil, mas impenetrável. O começo de tudo. Ele esticou a mão, tocando-a.
O universo se partiu. E com ele, seu poder.
No vazio, Lú Ming Fei viu uma única partícula se expandir, explodindo em incontáveis nebulosas, que se condensavam novamente em galáxias. Ele viajou por anos-luz, até parar diante de um planeta azul.
Cansado, mas em paz, ele sorriu.
A voz de Lu Mingze ecoou em sua mente:
— Aqueles que desafiam o destino serão atravessados por lanças ardentes. Irmão, quem brinca com o destino será brincado por ele. Esteja preparado...
...
...
Lu Mingfei abriu os olhos. Suas mãos digitavam "GG" no velho notebook à sua frente. Na tela, a última cena mostrava doze cruzadores humanos disparando seus canhões poderosos, reduzindo seu ninho zerg a uma poça de sangue.
O ventilador barulhento do notebook girava sem parar. O calor estava insuportável, o sol lá fora escaldante, e as cigarras nas árvores cantavam como se não houvesse amanhã.
Lu Mingfei se jogou na cama e murmurou:
— Deu certo...
Ignorando o oponente que agora se gabava no chat público, ele abriu o QQ. O ícone de um panda sorridente apareceu online. Ele já conseguia imaginar a expressão arrogante e satisfeita do outro lado. Seus lábios se curvaram em um sorriso radiante.
— É bom que você ainda esteja aqui. Dessa vez, não vou deixar você morrer.
Sentando-se, ele digitou rapidamente:
— Lao Tang, vou sair. Tenho uns negócios pra resolver.
O ícone do panda piscou:
— Mingming, você não tá chorando porque eu te humilhei seis vezes seguidas, né? Hahahaha!
Lu Mingfei revirou os olhos e ignorou as mensagens que continuavam aparecendo. Deitou novamente, cobrindo os olhos com o braço. De repente, uma dúvida surgiu: se todos os seus poderes haviam desaparecido, isso significaria que Lu Mingze também...?
Um frio percorreu sua espinha. Aquele diabrete, que no começo fingia querer sua vida, havia arquitetado todos aqueles planos apenas para forçá-lo a mudar, a deixar de ser o covarde de outrora. Tudo o que ele fez foi para colocá-lo no trono.
E ele, Lu Mingfei, havia ficado apavorado com a ideia de perder sua vida, sem perceber que o preço da troca não era sua existência, mas sim os poderes de Lu Mingze. Cada quarto de vida que ele "vendia" transferia parte da autoridade do irmão para ele, deixando Lu Mingze cada vez mais fraco.
Ele se lembrou da figura magra crucificada pela lança de Gungnir, sorrindo com uma expressão tão calorosa.
— O que eu faria sem você, seu diabinho? — murmurou.
— Está pensando em mim, querido irmão?
A voz familiar o fez saltar da cama. Diante dele, um rosto delicado sorria, os olhos brilhando de diversão.
— Como?! — ele engasgou. — Nossos poderes não tinham acabado? Por que você ainda está aqui?
A expressão de Lu Mingze mudou instantaneamente para uma cara de cachorrinho abandonado.
— Você não gosta de mim, irmão? Eu me esforcei tanto para voltar, e você já está me desejando morte?
Lu Mingfei suspirou, entre o exasperado e o afetuoso.
— Para com isso. Explica logo o que está acontecendo.
O sorriso malicioso voltou ao rosto do irmão mais novo. Ele ergueu a mão, mostrando o polegar e o mindinho quase se tocando.
— Guardei um pouquinho do meu poder, só um tiquinho, desviado do gasto para reiniciar o mundo.
— Isso não vai dar problema, vai? — Lu Mingfei esfregou a testa.
— Relaxa, já chequei. Tá tudo sob controle!
— Então, se o grande Lu não tem mais ordens, este humilde servo se retira!
Lu Mingfei acenou com a mão, fingindo pompa.
— Pode ir, pequeno Ze. Este imperador está cansado.
— Com licença! — O diabrete fez uma reverência exagerada e saiu do quarto, ainda curvado.
De pé, Lu Mingfei olhou pela janela, o peito inundado por uma alegria indescritível.
O shixiong não havia morrido sob o ataque de Nidhogg...
A shijie não fora sacrificada como receptáculo para o despertar do Rei Dragão...
O chefe não fora consumido pela consciência do Rei Negro...
E a pequena Long Nu não se desintegrou, protegendo o shixiong da lança de Gungnir...
Aquela garota felina, que o abraçara tão forte no pôr do sol, agora devia estar em casa, jogando The King of Fighters...
Tudo ainda poderia ser salvo. As pessoas que ele perdera, os esforços em vão, os finais tristes que antes teve que aceitar — desta vez, ele poderia mudar.
Cheio de determinação, Lu Mingfei gritou:
— Mundo, seu filho da mãe, eu voltei!
Imediatamente, um berro ensurdecedor veio do apartamento ao lado:
— LU MINGFEI! QUE DIABO É ESSE BARULHO DE MANHÃ CEDO? VOCÊ FICOU A NOITE INTEIRA JOGANDO DE NOVO? OLHA SÓ, FALTAM TRÊS MESES PRO VESTIBULAR, E COM ESSAS NOTAS VOCÊ NÃO ENTRA NEM EM FACULDADE DE TERCEIRA CATEGORIA! JÁ QUE TÁ COM TANTA ENERGIA PRA GRITAR, VAI LÁ NA VENDA COMPRAR LINGUIÇA CANTONESA, CEBOLINHA E A REVISTA DE FICÇÃO QUE O MINGZE PEDIU!
Encolhido, ele respondeu em voz baixa:
— Tá indo...
Enquanto descia as escadas, pensou consigo mesmo:
"Até o imperador do mundo, em casa, vira um mero irmão mais novo..."
Com um suspiro resignado, Lu Mingfei seguiu em frente.
...
...
Mãos nos bolsos, cabeça inclinada, ele comprou os ingredientes no mercadinho e depois parou na banca de revistas. Agachando-se diante do vendedor, pediu:
— Tio, me dá a última edição da Ficção, por favor?
Pagou e pegou também uma revista de jogos, apoiando-se na banca para folhear. O velho vendedor observou o garoto em silêncio. Sabia que Mingfei tinha uma vida difícil — os pais, arqueólogos, haviam partido para o exterior quando ele era pequeno, deixando-o aos cuidados do tio e da tia, que claramente davam mais atenção ao próprio filho.
Sem perceber as divagações piedosas do vendedor, Lu Mingfei resmungou baixinho:
— Essa revista continua uma porcaria...
Depois de ler, devolveu-a à banca. Sua mente agora estava ocupada com outra questão: nesta nova vida, seus primeiros dezessete anos haviam sido idênticos aos anteriores. A tia, como antes, já devia ter enviado inúmeras inscrições para universidades estrangeiras em seu nome.
— Mingfei, ouvi dizer que você vai estudar no exterior — comentou o vendedor, quebrando o silêncio.
Lu Mingfei, distraído, apenas murmurou em resposta, os olhos ainda perdidos no chão.
— Ah, esqueci! Preciso ver se chegou alguma resposta das universidades. Valeu, seu moço! — Mingfei Lu deu um tapa na própria testa e saiu correndo em direção à portaria, deixando o velho porteiro balançando a cabeça enquanto o via desaparecer no corredor.
— Se realmente voltei pra esse dia... então hoje deve chegar a carta de entrevista da Universidade Kassel — pensou Mingfei, acelerando o passo.
— Tem alguma carta pra mim? — Mingfei espiou pela janela da portaria, forçando um sotaque inglês. — Nome é Mingfei Lu.
— Tem sim, veio dos Estados Unidos — o porteiro revirou uma pilha de envelopes e arremessou um na direção dele.
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