O ancião que transmitia os ensinamentos no penhasco de pedra transformou-se em um arco-íris divino, subindo aos céus e desaparecendo no coração da Gruta Espiritual num piscar de olhos.
Li Qingxu e seus dois companheiros guardaram os frascos de jade e estavam prestes a partir quando, de repente, um jovem de uns quinze ou dezesseis anos surgiu, bloqueando-lhes o caminho sem cerimônia.
Ao ver aquilo, Li Qingxu manteve a calma na aparência, mas por dentro estava eufórico.
Todos esses dias, acompanhando Ye Fan e Pang Bo nas palestras sobre o Dao, ele esperava justamente por esse momento.
Na história original, Ye Fan e Pang Bo haviam saqueado uma boa quantidade do Elixir das Cem Ervas.
Agora, ele queria sua parte!
Sem o elixir, o progresso na prática era dolorosamente lento.
Li Qingxu ficou à margem, contendo sua aura, em silêncio.
Ele esperava que o grupo por trás daquele jovem aparecesse para então agarrá-los todos de uma vez.
— Emprestem dois frascos do Elixir das Cem Ervas — disse o jovem, estendendo a mão como se fosse pegar à força, sem lhes dar chance de recusar.
— Quem é você? Por que deveríamos dar? — Pang Bo afastou o braço do intruso com um gesto brusco, olhando-o de soslaio.
Os espectadores ao redor recuaram, assustados.
O jovem já segurava cinco ou seis frascos do elixir, e logo outros rapazes se juntaram a ele.
Ye Fan e os outros perceberam: era um assalto.
Mas, diante da força de Pang Bo e Ye Fan, os jovens foram arremessados como trapos com um único tapa de cada.
Sem conseguir acessar a fonte de energia em seus Meridianos da Vida, os praticantes só eram um pouco mais fortes que pessoas comuns.
Comparados a Ye Fan e Pang Bo, porém, eles pareciam meros mortais.
À distância, um adolescente de quatorze ou quinze anos comentou com um jovem na casa dos vinte:
— Seu irmão é mesmo um incompetente. Mandei ele testá-los, e olha no que deu.
O rapaz mais velho ficou constrangido, mas era claro que temia aquele adolescente, apesar da diferença de idade.
— Esses dois não parecem nada demais. Vale mesmo a pena testá-los? Aquele grandalão ao lado deles não seria um alvo melhor?
**Capítulo 7: Ataque Surpresa?**
— Não se meta com ele — respondeu o adolescente, com um brilho cauteloso no olhar.
Ele se lembrava do que seu tio-avô lhe contara: aquele jovem robusto já havia chamado a atenção de uma figura importante da Terra Sagrada, que em breve enviaria alguém para buscá-lo.
— Já aqueles dois de onze ou doze anos... Dizem que comeram algum tipo de erva divina. Meu tio-avô está interessado neles.
O jovem ao lado estremeceu, claramente apavorado com a menção ao tio-avô.
— Mas se já comeram a erva, como extrair seus efeitos?
— Ora, não dá para sangrá-los? Ou então refinar seus corações diretamente. Aposto que é isso que meu tio-avô quer.
O jovem sentiu um calafrio. O velho alquimista era conhecido por sua crueldade.
Como um ancião da Gruta Espiritual, poucos ousavam desafiá-lo. Se ele via aqueles dois como ingredientes, suas vidas estavam com os dias contados.
— Seu irmão inútil está voltando. Leve-o para testá-los de novo. Quero saber se seus corpos valem o esforço do meu tio-avô.
— Certo, vou agora.
O rapaz de vinte e poucos anos tinha uma aura sutil circulando em seu corpo — um sinal de que já dominava algumas artes místicas e podia empregar técnicas sobrenaturais.
— Irmão, você tem que me vingar! — O mesmo jovem de antes voltou, encarando Ye Fan e Pang Bo com ódio.
Vendo que tinham reforços, os outros rapazes começaram a provocar e xingar os dois sem pudor.
Ye Fan franziu a testa. Algo não cheirava bem — parecia uma armadilha.
Mas quando o jovem mais velho atacou, Ye Fan e Pang Bo revidaram na hora.
Apesar de seu poder, o rapaz foi tratado como um saco de pancadas por Ye Fan, sem chance de usar suas técnicas.
Com sua força atual, Ye Fan conseguia levantar pedras de milhares de quilos, como se tivesse a potência de um dragão. Nenhuma arte mística comum o detería.
Em instantes, os agressores foram arremessados como feixes de arroz até um lago distante, afundando na lama.
A plateia ficou boquiaberta. O lago estava a quase cinquenta metros dali! Que força descomunal!
De repente, a multidão se abriu.
Um adolescente de quatorze ou quinze anos aproximou-se com passos lentos, o rosto carregado.
Ao seu lado, quatro rapazes na casa dos vinte e três, todos com auras brilhantes, o acompanhavam.
— É Han Feiyu, o neto mais novo do Ancião Han...
— O tio-avô dele também é um ancião, especialista em refinamento de elixires.
— Calem a boca! Não comentem sobre ele, se não querem problemas!
Vendo a cena, Li Qingxu decidiu intervir.
Ye Fan e Pang Bo até que resolveriam a situação sozinhos, mas se ele não participasse...
Como dividiriam o Elixir das Cem Ervas com ele?
Claro, os dois provavelmente lhe dariam uma parte, mas ele queria conquistar sua porção com mérito.
— Você vai protegê-los? — Han Feiyu encarou Li Qingxu com hostilidade.
O jovem robusto manteve a impassividade, sem responder.
Internamente, porém, pensou: *"Se eu não agir, todos os espólios vão parar nas mãos deles dois."*
— Hum. Vamos ver se você consegue. — Han Feiyu sorriu friamente, os olhos faiscando de inveja.
Por que *ele* não podia entrar na Terra Sagrada, enquanto esse grandalão era cobiçado por uma figura importante?
— Lidem com aqueles dois — ordenou Han Feiyu aos quatro acompanhantes, enquanto ele mesmo confrontava Li Qingxu.
Queria ver do que o rapaz era capaz. Tamanho não era documento — o verdadeiro cultivo dependia de talento.
Os quatro jovens avançaram, sorrisos sarcásticos nos rostos, cercando Ye Fan e Pang Bo.
— Seus insolentes sem noção! Na Gruta Espiritual, há pessoas que vocês jamais deveriam desafiar!
— Vocês podem quebrar as próprias pernas, se ajoelhar pedindo perdão e depois rastejar até o lago para se enfiarem de cabeça na lama — disseram os quatro jovens com extrema naturalidade, claramente não dando a mínima para Ye Fan e Pang Bo.
Eles estavam em posições estratégicas, impedindo a fuga dos dois enquanto soltavam gracejos e provocações.
— Que barulho de cachorro é esse?
— Não sei, algum vira-lata vadio que acabou de comer merda, deve ser.
— HAHAHAHA!
Ye Fan e Pang Bo nunca foram de engolir sapos. Responderam com risadas cheias de intenção, provocando os quatro jovens, que imediatamente perderam a compostura.
— Não sabem o que é bom pra vida! — um deles gritou, mas teve o bom senso de não avançar. Já haviam percebido que os dois tinham uma força fora do normal e não queriam vacilar.
De repente, um brilho surgiu abaixo do umbigo do jovem, e um padrão divino, como se fosse uma corrente de água, disparou em direção a Ye Fan e Pang Bo.
— Um padrão divino emergiu do Mar Amargo!
— O mestre de ensinamentos disse que apenas quem já alcançou algum progresso na prática consegue invocar técnicas místicas. Esse cara é forte!
A plateia ficou chocada. A maioria ali eram novatos que mal tinham começado os treinamentos e quase nunca tinham visto alguém usar habilidades sobrenaturais.
— Ye Fan, Pang Bo, acabem com eles! — Li Qingxu gritou, virando-se para os dois.
Foi então que Han Feiyan, com um olhar gelado, agiu.
Sob seu umbigo, um brilho intenso emergiu.
Um pequeno selo de madeira, não maior do que três centímetros, saiu de seu Mar Amargo, envolto em uma aura verde-esmeralda.
Transformou-se numa luz que voou direto para o peito de Li Qingxu.
[Tlim!] Um som metálico ecoou.
Li Qingxu recuou dois ou três passos, com parte de sua roupa no peito destruída, revelando por um instante uma pele de cristal gelado sob o tecido.
— Ataque covarde?
— Só isso?
Li Qingxu pareceu completamente indiferente, esfregando o peito como se nada tivesse acontecido.
Seu ritmo respiratório estava normal, como se não tivesse sofrido nenhum dano.
No instante do ataque, a entidade em seu Mar Amargo já o havia alertado.
Ele só quis testar sua resistência física e, para sua surpresa, nem sentiu dor — apenas a força bruta que o empurrou para trás.
— Como...?! — Han Feiyan ficou chocado. Seu ataque com o Selo de Madeira Verde não tinha causado NENHUM efeito!
— Você me deu um golpe... agora me devolve o favor com um soco? — disse Li Qingxu.
[CRACK!]
O chão sob seus pés rachou instantaneamente.
Ele se moveu como um raio, chegando diante de Han Feiyan antes que qualquer um pudesse reagir.
O Mar Amargo dentro dele fervilhou, uma aura congelante se espalhou e flocos de gelo começaram a pairar no ar.
Seu punho, carregado com um frio extremo, disparou direto para o rosto de Han Feiyan.
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