Ele não estava tão calmo por fora quanto parecia, apenas estava se segurando com força.
Mas seus ataques eram decisivos e afiados.
Esta pessoa... era muito habilidosa.
Essa foi a ideia que passou pela mente de Kurumi.
Se conseguissem voltar vivos, ter ele por perto deixaria todos muito mais tranquilos, não é?
Mas...
Eles realmente conseguiriam voltar vivos?
Com a cabeça pesada, Kurumi começou a ficar confusa novamente.
Não sabia há quanto tempo.
Miyamizu Rokuyou parou, então colocou Kurumi no chão e saiu para eliminar os zumbis que os estavam seguindo. Depois de terminar, suas mãos tremiam levemente.
*Ufa...*
Amanhã, seus braços certamente vão doer bastante, né?
Pensando nisso, Miyamizu Rokuyou apertou o cabo da pá, entrou na sala dos professores e trancou a porta.
Abriu a torneira.
[Ótimo, tem água.]
Miyamizu abriu o armário e encontrou alguns suprimentos médicos.
Ele soltou um suspiro de alívio e, em seguida, ajoelhou-se diante de Kurumi, que estava desacordada. Com uma expressão serena, desabotoou a blusa da garota, revelando o forro rosa por dentro. Sua mente estava completamente focada, e assim que viu o ferimento, tirou o uniforme marinheiro dela.
—Mmm...
Kurumi, mesmo desmaiada, contraiu as sobrancelhas ao sentir a dor. Abriu a boca e soltou gemidos de desconforto.
—Aguenta aí.
—Eu vou... senpai... está doendo muito...
—...
Senpai?
Miyamizu Rokuyou ergueu a sobrancelha, mas continuou.
*School-Live!*
Ele meio que se lembrava desse anime.
Aquele "senpai" provavelmente era alguém por quem Kurumi tinha uma queda no passado.
Mas, infelizmente...
Ele acabou morrendo pelas mãos dela.
Isso mesmo.
Foi morto com aquela pá ensanguentada.
Essa versão dele era muito mais decisiva, calma e corajosa do que aquela garota loira com aquela franjinha que parecia antena de barata.
**Capítulo 8: Então... você quer trair o namorado?**
—Senpai, me abraça...
—Não. Vaza.
—...Senpai, tá doendo...
—Morde um pano.
—Não quero...
—...
Não sabia o que estava acontecendo, mas a Kurumi estava agindo meio estranha.
*Aliás... como era a personalidade dela mesmo?*
Enquanto refletia, Miyamizu Rokuyou tratou os ferimentos dela rapidamente.
—Isso aqui não parece mordida de zumbi. São arranhões e machucados de quando você estava fugindo...
Por isso...
Ele não conseguiu simplesmente abandoná-la.
Imaginava o quanto ela devia ter sofrido para arrastá-lo consigo todo esse tempo.
Se ele não tivesse acordado, ela provavelmente teria continuado carregando ou puxando ele para escapar, não é?
Até que...
Não restasse mais esperança, e ela fosse consumida pelo desespero.
Uma pessoa...
Não pode ser tão covarde assim.
Se ele hesitasse até em retribuir um favor que salvou sua vida, então não merecia ser amado por ninguém.
Miyamizu Rokuyou soltou um suspiro e limpou o suor da testa.
Mesmo que ele se exercitasse regularmente, carregar alguém em uma situação daquelas ainda o deixava esgotado.
Escapar...
Será que eles realmente conseguiriam escapar?
Ele não ficou remoendo isso. Nunca foi do tipo de ficar pensando no pior. Ele resolvia os problemas conforme surgiam, e se não desse, azar.
Era assim que ele funcionava.
E agora, as coisas claramente ainda não tinham chegado ao ponto de desistir.
Mesmo que tudo desse errado...
Pelo menos ele não morreria sozinho.
—Kurumi?
—Uhn... estou tão cansada... finalmente vou morrer...
Kurumi abriu os olhos, turvos e sem vida. Seus lábios se moveram levemente, e ela sussurrou com uma voz fraca:
—Prometa-me... que vai encontrar Yuuri... e Megu-nee...
—Me recuso.
—?
Kurumi abriu os olhos abruptamente e olhou para Miyamizu Rokuyou.
Ele continuou, com a mesma calma:
—Kurumi, você acha que quem sobrevive num lugar desses ainda pode ser chamado de humano?
—Não...
—Então, além de você, não vou me importar com mais ninguém. Se eu encontrar as outras, vou descarregar toda a minha frustração nelas. Imagino que... Yuuri seja bem bonita, não?
—Você—
Kurumi respirou rápido por um instante, então fitou-o com intensidade e disse, cerrando os dentes:
—Trate dos meus ferimentos! Preciso de água... e comida!
—Tá bom.
Miyamizu Rokuyou se levantou.
—Já preparei tudo. Espere um pouco. Ah, e seus ferimentos eu já tratei... Ah, sim. Obrigado pela "refeição".
O quê—
Kurumi olhou rapidamente para suas roupas e viu que estavam todas no lugar.
*Espera...*
*Cadê minha roupa íntima?*
Ela ficou chocada, olhando em volta, até avistar sua lingerie pendurada na janela, ainda pingando.
Naquele momento, Kurumi entendeu tudo.
Ela mordeu os lábios, então deu umas palmadinhas no rosto, tentando disfarçar, e disse, fingindo naturalidade:
—Enfim... obrigada. Pode ficar com a lingerie como presente...
—...
Miyamizu Rokuyou sentou ao lado dela e estendeu um copo d'água.
—O que eu vou fazer com uma lingerie? Se quer mesmo me agradecer, me dê você mesma, bonitinha.
—*Tossindo*
—Vai devagar.
—Foi você quem começou a falar asneiras!
—Hm.
Miyamizu Rokuyou respondeu com uma única palavra e então explicou:
—Usei sua lingerie para limpar seus ferimentos. Da próxima vez, não me acuse sem motivo. E, por favor, cuide melhor das suas roupas íntimas— por um tempo, você não vai conseguir arrumar peças novas.
Kurumi: *...*
*Ele até tem razão, mas eu não vou ouvir!*
Depois de comer alguns biscoitos, Kurumi já estava bem melhor. Ela olhou para o pacote e depois para Miyamizu Rokuyou, desconfiada.
Ele logo completou:
—Miyamizu Rokuyou.
—... Yuki Takeya Kurumi.
—Yuki Takeya... "Kurumi que voa"?
*Pah!*
—Ei, não pense que só porque me salvou pode abusar da minha paciência, cara!
—...
Depois de descansar um pouco, Yuki Takeya Kurumi respirou fundo, pegou a pá e anunciou:
—Vamos, hora de agir.
—Fique atrás de mim e me proteja.
—*Urusai.*
Miyamizu Roka pegou o machado de incêndio que havia preparado e arrombou a porta.
No corredor, zumbis vagantes imediatamente se viraram em direção ao barulho.
Roka esticou a mão e puxou Hui Fei Xuzé Hutao pelo braço:
— Não liga pra eles. Pra que lado a gente vai?
— Pro terraço!
Hutao apertou com força a mão dele, os passos firmes enquanto corriam juntos.
[Barulho de arrastar pés e grunhidos ecoando no corredor]
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