O vento noturno atravessava a janela, fazendo a fogueira dançar. As chamas tremulavam, e as sombras na parede acompanhavam o movimento.
Observando com atenção, a sombra de Huo Ying parecia imóvel, enquanto a da mesa se projetava sobre suas pernas, ondulando com a luz do fogo.
— A noite é assustadora?
— Sozinho, talvez seja.
— Mas um homem e uma mulher juntos... talvez não.
Cerca de meia hora depois, Liang Yao pegou os pauzinhos que haviam caído no chão, levantou-se e começou a limpar a mesa, cantarolando.
Huo Ying continuava sentado na cadeira. Não se sentia cansado — pelo contrário, sua mente estava mais clara do que nunca.
Foi então que se lembrou de algo importante.
Ele e Wang Haisheng haviam planejado ir juntos a XN City quando o entregador chegasse, mas Wang Haisheng, embora infectado, não tinha habilidades de combate. Será que sobreviveria ao ataque dos cadáveres?
O coração de Huo Ying apertou. Ainda bem que havia tempo no dia seguinte. Ele decidiu levar Wang Haisheng para o segundo porão, só por precaução.
---
Capítulo 58: O Ataque
No dia seguinte, Huo Ying, totalmente equipado, abriu a porta e percebeu que a luz do sol estava fraca. No ar, uma névoa fina se espalhava.
Entre a névoa, ele viu algo escuro passar rapidamente.
Liang Yao, preocupada, perguntou:
— Você ainda vai sair hoje?
Huo Ying estava ansioso para resolver a situação de Wang Haisheng, mas, ao ver aquele clima estranho, balançou a cabeça.
Fechou a porta com força e acendeu uma fogueira, mesmo sendo dia.
— Como você costumava lidar com os ataques dos cadáveres? — perguntou, tentando aprender com a experiência dela.
Liang Yao fez uma careta:
— Eu ficava acordada a noite toda antes do ataque, acendia tochas e dormia. Se tivesse sorte, acordava de manhã. Se não... bem, pelo menos não sofreria.
— Genial — respondeu Huo Ying, com um sorriso amargo.
A névoa, em fios finos, começou a entrar pelas frestas da janela. Ele rapidamente acendeu outra fogueira ali, dissipando-a.
— Liang Yao, Huo Ying, abram a porta!
O som de um motor ecoou do lado de fora, seguido por um carro parando na frente da casa. Zhang Yuqi batia na porta.
— Hoje é a noite do ataque. Vocês precisam de algo?
Algo pesado foi colocado no chão com um baque.
Liang Yao, sem pensar, correu até a porta e segurou a maçaneta.
Creeek — a porta se abriu.
E então, seu coração parou.
Não era Zhang Yuqi.
Diante dela, um cadáver em decomposição sorria de forma sinistra, segurando uma coleira... presa a um cão infectado.
Ela queria gritar, correr, avisar Huo Ying para fugir. Mas, ao olhar nos olhos do cadáver, seu corpo congelou.
Seus lábios se curvaram num sorriso mecânico:
— Ah, Yuqi, é você! Huo Ying, vem ajudar!
Estou perdida.
Sua mente estava lúcida, mas seu corpo obedecia à ilusão do cadáver. Ele estava escondido atrás da parede e dela mesma — se Huo Ying viesse sem suspeitar de nada...
Não. Eu posso morrer, mas não vou levá-lo comigo.
Meu poder... eu posso purificar, não é? Preciso me livrar disso e avisá-lo!
Internamente, ela gritava, mas seu rosto continuava sorrindo.
Fui eu que o matei.
Uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
E então, de repente, ela recuperou o controle.
— HUO YING, É UM—
Ela não olhou para trás. Em vez disso, lançou-se contra o cadáver, tentando empurrá-lo ou ser dilacerada — qualquer coisa para ganhar tempo.
Mas ela caiu no vazio.
Uma adaga flamejante voou da casa e explodiu a cabeça do cadáver antes que ela o tocasse.
Quando Liang Yao chegou ao chão, o cadáver já era apenas cinzas.
Hã?
De repente, ela sentiu seu corpo ser arremessado para o alto.
Huo Ying a havia agarrado pelo tornozelo e jogado para cima, longe do perigo.
O cão infectado, que avançava, parou ao ver uma figura aterrorizante diante dele — um homem de madeira, cujo corpo brilhava como pedra.
E então, o "homem-montanha" ergueu o punho.
Seu braço mecânico cintilou com eletricidade, e o ar estremeceu com um estrondo.
BANG!
Sem armas, sem madeira sagrada, sem fogo.
Apenas um soco.
O cão infectado colapsou como um saco vazio, seu sangue negro espirrando por todo lado.
Huo Ying estendeu o braço e pegou Liang Yao no ar, amortecendo sua queda antes de segurá-la firmemente.
Ele havia reagido tarde demais.
O som do motor era perfeito — parecia mesmo o caminhão que ele havia emprestado a Zhang Yuqi. Mas se fosse ela, teria seguido o protocolo: anunciado sua presença com uma pedra sagrada.
Portanto, quem batia na porta só podia ser um cadáver.
Ao perceber que Liang Yao já estava se movendo, ele agiu rápido: pegou a adaga, aqueceu-a na fogueira e a arremessou com força.
Mas o que mais o surpreendeu foi a reação dela.
Ela não tentou fugir.
Ela tentou protegê-lo.
A reação de Liang Yao foi tão rápida que Huo Ying mal teve tempo de reagir. Vendo o cão infectado se lançar em direção a Liang Yao, Huo Ying não conseguiu puxá-la, então agarrou seu tornozelo e a jogou para cima.
Liang Yao se agarrou a Huo Ying como um polvo, os olhos fixos no cadáver transformado em cinzas e no cão infectado achatado como papel. Demorou um momento para processar:
— Você... você é tão forte...
Huo Ying não respondeu. Curvou-se para pegar a faca solar ainda cravada no chão e a passou sobre o cão infectado. A ferida do animal imediatamente pegou fogo e, em seguida, virou pó, assim como o cadáver.
[Arma impressionante, tão eficaz contra esses seres.]
Huo Ying havia fortalecido a faca solar com um feitiço de endurecimento. Caso contrário, seu braço mecânico teria arremessado a faca com força suficiente para quebrá-la. Com essa fraqueza neutralizada, a faca solar se mostrou mais útil do que as pedras solares ou a madeira de álamo em chamas.
Liang Yao apertou Huo Ying com força, mesmo ele vestindo sua armadura de madeira. Ela se sentia segura:
— Eu achei... eu pensei que você ia morrer por minha causa...
Agora que sabia que estavam a salvo, as lágrimas rolaram. O medo a dominava. Se tivesse que escolher de novo, talvez nem tivesse coragem de enfrentar o cadáver sozinha.
— Por causa de você?
Huo Ying soltou um grunhido. Se Liang Yao fosse um risco real para ele, já a teria expulsado. Só a aceitara porque a proteção da Árvore Sagrada havia evoluído.
[...]
— É assim que você consola alguém?
Liang Yao resmungou baixinho, lembrando o conforto que dera a ele no dia anterior. Huo Ying não ouviu.
Ele olhou para baixo e viu que sua armadura de madeira estava limpa, sem vestígios de sangue. Então a soltou, deixando-a de pé no chão.
— Limpe a porta e a parede também. E aprenda a lição: não abra para ninguém da próxima vez.
— Tá bom! — Liang Yao assentiu rapidamente, como um passarinho bicando. Curiosa, tocou a armadura de madeira dele. [Hmm, que sensação segura.]
---
Capítulo 59: Nível 2
— Seu poder de purificação... consegue quebrar o controle dos cadáveres?
De volta à casa, Huo Ying questionou a reação dela. Quando ele fora controlado, só conseguira se libertar por causa da pedra solar. Mas Liang Yao escapara em apenas um segundo.
— Antes não conseguia. Precisava da pedra solar. — Ela explicou. — Mas eu estava com medo de você se machucar. Tentei avisar com todas as minhas forças, chorei de desespero... e então me soltei.
Huo Ying olhou para sua armadura, completamente purificada. No dia anterior, teriam levado mais de dez minutos de contato para isso. Agora, bastara um abraço.
Percebendo, Liang Yao correu até a porta:
— Vou tentar purificar a casa!
Colocou as mãos na madeira, e o sangue negro dos cadáveres e do cão desapareceu. Seu poder agora era pelo menos duas vezes mais rápido.
— Então... a infecção também evoluiu? O vírus piorou?
Huo Ying ficou dividido. Por um lado, as lágrimas de Liang Yao podiam neutralizar ilusões, aumentando suas chances de sobrevivência. Por outro, e se o vírus acelerasse a doença, encurtando a vida dela?
— Meu poder de purificação ficou mais forte!
Liang Yao, porém, só via o lado bom. Agora poderia ajudar Huo Ying ainda mais.
---
O resto do dia passou em silêncio, sem ataques. Mas a névoa engrossava, e a noite chegou cedo.
Toc-toc-toc-toc!
Lá fora, os insetos negros estavam agitados, voando sem direção, batendo nas paredes. O barulho era mais intenso que uma tempestade.
Liang Yao ficou preocupada. Temia que os insetos começassem a roer a casa. Mas Huo Ying permanecia calmo.
A estrutura estava reforçada com técnicas de terra e madeira, dura como diamante. Os insetos eram perigosos, mas não tinham mandíbulas de ferro. A casa aguentaria.
Porém...
Dentro, a fogueira queimava cada vez mais alto, as chamas atingindo a altura de uma pessoa. As pedras solares brilhavam vermelhas. E então vieram os passos. Alguns leves, outros pesados, ecoando como trovões contra o chão.
Cadáveres atacavam em grupo quando não eram destruídos completamente?
Huo Ying reconheceu a situação. Na última vez, depois de duas investidas falhas, uma horda de cadáveres cercara sua casa. Hoje, a sombra que habitava o corpo escapara, e agora estavam de volta.
Ele se levantou, pegou a faca solar e a esquentou no fogo.
— Vá para o porão e espere.
Sabia que a luta exigiria magia. Liang Yao seria um estorvo. Ela obedeceu, mas antes de fechar a tampa, avisou:
— Dizem que os cadáveres ficam mais fortes à noite. Tome cuidado.
Huo Ying acenou e selou o porão com magia de madeira. Sem seu comando, Liang Yao não sairia dali.
TOC. TOC. TOC.
Os cadáveres batiam na porta, educadamente. Naquele silêncio, era ainda mais assustador.
— Quem é?
Huo Ying gritou em direção à entrada.
O bater parou. Normalmente, os cadáveres criavam tensão primeiro, depois usavam ilusões, se passando por conhecidos para aterrorizar as vítimas até que elas enlouquecessem e fossem possuídas.
Mas a mudança de roteiro os pegou de surpresa. Eles hesitaram, sem saber como prosseguir.
http://portnovel.com/book/11/1920
Disseram obrigado 0 leitores